Ministério da Aglomeração

Pazuello e Damares Alves promovem evento lotado em auditório fechado no Ceará, contrariando regras do estado

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E no mesmo dia em que o país atingiu 130 mil mortes, os ministérios da Saúde e da Mulher, Família e Direitos Humanos promoveram uma aglomeração em Fortaleza. Detalhe: um decreto do governo do Ceará proíbe “eventos ou atividades com risco de disseminação da covid-19”. Como se não houvesse pandemia, Eduardo Pazuello e Damares Alves falaram na sexta-feira para um auditório lotado. Aconteceu no Centro Universitário Christus, que foi autuado pela vigilância sanitária, que também observou pessoas circulando sem máscara de proteção. “Eu louvo a Deus porque descumprimos o decreto”, comemorou Mayra Pinheiro, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Segundo ela, o público estava de máscara. O Ministério Público Federal está investigando o caso.

Um segundo evento, desta vez em uma igreja evangélica, estava marcado para o sábado, mas foi cancelado pelo Ministério da Saúde depois da repercussão negativa. A pasta se defende, dizendo que comunicou o governo cearense do primeiro evento. Tem mais: o Ministério alega que não foi ‘avisado’ do decreto. Seria de se esperar que a pasta, que tem o papel de coordenação nacional, soubesse das restrições que existem em cada estado, especialmente naqueles em que pretende aglutinar seres humanos.

Falando no Ministério, o colunista Lauro Jardim apurou uma informação curiosa: os militares levados pelo general Pazuello para a pasta gostam de se comunicar em jargão, mesmo durante reuniões com técnicos. Ao invés de ‘ontem’, falam “D menos 1”, por exemplo

Uma reportagem do El País, que coletou exemplos do crescente poder policial e militar impulsionado pela pandemia em vários países da América Latina, coloca o Brasil como o “caso mais paradigmático”. Nos outros lugares, a militarização serve para conter aglomerações. Aqui, como se sabe, é o contrário.

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