Paraquate é banido no Brasil

Anvisa proibe agrotóxico associado ao mal de Parkinson em agricultores. Mas indústria e produtores querem abrir brechas

Este texto faz parte da nossa newsletter do dia 16 de setembro. Leia a edição inteira.
Para receber a news toda manhã em seu e-mail, de graça, clique aqui.

Ontem a Anvisa colocou fim (espera-se) a uma longa história envolvendo o paraquate: a partir da próxima terça-feira, dia 22, ele está banido. Usado amplamente em plantações de soja, milho e algodão, esse é um dos herbicidas mais vendidos no país –  mas está associado ao desenvolvimento de doenças como o mal de Parkinson em agricultores, e há tempos foi banido pela União Europeia. 

O processo todo começou em 2017, quando a agência tomou a decisão de proibi-lo, estabelecendo, porém, um prazo de três anos para que a indústria se adaptasse. Acompanhamos nas últimas semanas a imensa pressão do agronegócio e do Ministério da Agricultura por uma prorrogação de mais um ano, com várias matérias da Agência Pública e da Repórter Brasil documentando o lobby dentro da agência. E a decisão pelo banimento ainda em 2020 não foi nada fácil: foram três votos para manter a proibição e dois pelo adiamento

O agronegócio não deve cruzar os braços. Os três anos dados inicialmente pela Anvisa para a transição não impediram que muitos produtores rurais comprassem o produto para a próxima safra e que empresas continuassem produzindo e importando o agrotóxico. Daí que representantes da indústria e dos produtores estão tentando uma regulamentação para permitir o uso do que restou em estoque. Além disso, eles querem resgatar uma pesquisa feita na Unicamp e bancada pela Associação Brasileira de Produtores de Soja para atestar a segurança do produto e reverter sua proibição. Só que esse estudo já foi barrado pelo Comitê de Ética da Universidade, justo pelo inegável conflito de interesses. 

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OutrosQuinhentos