Malária avança no município mais indígena do país

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SITUAÇÃO GRAVE

O município mais indígena do país, São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, está vendo as taxas de contaminação de malária irem nas alturas. Entre janeiro e abril deste ano, foram registrados 5.072 casos da doença numa população total de 45 mil habitantes. É quase o dobro (49%) do registrado no mesmo período de 2017. A cidade, que ocupa uma área maior do que Pernambuco, concentra 24% dos casos de malária no estado, embora seja residência de apenas 1,1% da população amazonense.

Cálculos da Fundação de Vigilância em Saúde concluíram que a incidência de malária é de 344,28 casos a cada mil habitantes. A mesma Fundação vê com preocupação o aumento da malária falciparum, causada pelo protozoário Plasmodium falciparum, responsável por 90% das mortes causadas pela doença no Brasil. Foram 1.314 casos neste quadrimestre, um aumento de inacreditáveis 3.550% em relação a 2017.

O país registrou aumento de 50% nos casos de malária no ano passado, com 194 mil notificações, 99% delas na região da Amazônia. Já a malária falciparum aumentou 33% em 2017 – o que afasta o Brasil da meta de eliminar a forma mais grave da doença até 2030, diz a Folha.

COM TEMER NO NOME

Michel Temer foi homenageado pela Fundação Pio XII, que inaugurou ontem o Hospital Notre Dame em Barretos (SP). O Centro de Diagnóstico por Imagem da unidade privada recebeu o nome do presidente. “Fico muito feliz em receber o apreço de todos […] São avanços tecnológicos da medicina que permitirão que o homem atinja a longevidade”, agradeceu Temer, em companhia do ministro da Saúde, Gilberto Occhi. Sobre o presidente da Fundação Pio XII, Henrique Prata, que também gere o Hospital do Amor, que tem convênio com o SUS, Temer disse: “Ele naturalmente estende seus braços sociais de saúde por quase todos os estados brasileiros. Meu desejo é que isso chegue às 27 unidades da Federação”.

STOP!

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor enviaram na quarta (2) cartas para a Comissão de Ética Pública da Presidência da República e para o Senado pedindo a substituição ou paralisação do trâmite da indicação de Davidson Tolentino de Almeida para o cargo de diretor na ANS. Na última semana, as entidades já haviam se pronunciado contrárias à indicação Rogério Scarabel Barbosa para a agência.

As entidades destacam que Tolentino de Almeida apareceu recentemente (27/04) ligado a denúncias de corrupção. Como assessor do deputado Eduardo da Fonte, presidente do PP de Pernambuco, teria residido em um apartamento utilizado para estocar dinheiro. A acusação foi feita à Polícia Federal por José Expedito Rodrigues Almeida, ex-assessor do senador Ciro Nogueira (PP) e de Eduardo da Fonte. Ele também afirmou que Tolentino auxiliou na arrecadação de R$ 100 mil entre 2013 e 2015.

Já Barbosa tem, segundo Abrasco e Idec, histórico profissional em desacordo com as normas do Código de Conduta da Alta Administração Federal. Advogado associado do escritório Imaculada Gordiano Sociedade de Advogados, localizado em Fortaleza, e apresentado como “sócio coordenador” da área hospitalar e de saúde, ele é pós-graduado pela Universidade Federal do Ceará em parceria com a Universidade Unimed, do grupo de planos de saúde.

“A ANS há muito tempo já está contaminada e capturada pelos interesses do mercado que ela deveria regular. Essa atuação da ANS pró planos de saúde só iria se acentuar, com a chegada de dois diretores com perfil de indicação política e não técnica, sendo um com conflito de interesses na atuação profissional anterior e outro apontado, conforme denúncias públicas, de participação em esquema de corrupção e propinas”, afirma Mário Scheffer, vice-presidente da Abrasco.

SOBRE O SUS

Dois textos recentes refletem sobre a importância do SUS. O primeiro, escritopelo médico Dráuzio Varella para Carta Capital, faz um balanço panorâmico dos 30 anos do Sistema. Segundo ele, o Sistema Único foi “a maior revolução da medicina brasileira” e mesmo convivendo com “deficiências, desorganização, uso político, corrupção e demais desmandos”, além de subfinanciamento, num curto espaço de três décadas conseguiu implementar o maior programa gratuito de vacinações, de transplantes de órgãos e de tratamento da infecção pelo HIV do mundo.

“Os próximos desafios serão os de levar os benefícios dessa medicina altamente tecnológica ao restante da população. Tarefa para gerações, porque exigirá a reinvenção de um SUS que ainda nem conseguimos implantar com a abrangência desejável. Os custos dessa nova medicina serão tão altos, que talvez venhamos a nos convencer, finalmente, de que o investimento preferencial deve ser na prevenção. Impedir que as pessoas fiquem doentes evita sofrimento e sai bem mais em conta”, escreveu Dráuzio.

Já artigo escrito pelo jornalista José Casado n´O Globo, destaca que a 20 semanas das eleições, os candidatos não apresentaram nenhuma proposta para o SUS que, nas suas palavras, é uma “obra de arte política” e que esse silêncio não condiz com a importância dada pelos brasileiros ao tema:

“Tem-se 18 nomes listados nas últimas sondagens de intenção de voto para a Presidência da República, mas, até agora, nenhum deles sequer demonstrou preocupação em submeter ao eleitorado uma proposta alternativa para a crise do Sistema Único de Saúde, do qual dependem diretamente 150 milhões de pessoas.

Mantêm silêncio, da mesma forma, sobre suas ideias para acabar com a irracionalidade dominante nas relações entre os 50 milhões de brasileiros que não dependem do SUS, porque têm acesso a planos de saúde, e as mais de 800 empresas operadoras médico-hospitalares. Na crise da saúde, não há rota de fuga disponível a candidatos e partidos. Eles sabem que a situação do sistema é insustentável e, por isso, precisam dizer logo aos eleitores como pretendem resgatá-lo ou liquidá-lo – nesse caso, explicando o que planejam pôr no lugar.

O SUS é uma obra de arte política. Nasceu há exatos 30 anos, em circunstâncias de rara unanimidade parlamentar, em torno da ideia de saúde gratuita para todos. Os resultados estão visíveis no acesso irrestrito à rede pública de hospitais, no aumento da expectativa de vida, na redução da mortalidade infantil, na prevenção (vacinações), nos transplantes de órgãos e no tratamento de infecções pelo HIV.

Suas deficiências são indicadas como principal problema nacional desde junho de 2013, quando centenas de milhares de pessoas saíram às ruas, em todo o país, em protesto contra a inépcia nos serviços públicos básicos. Detalhe relevante nessas pesquisas é a boa avaliação do SUS pela massa que dele depende, quando consegue atendimento”.

SOY A FAVOR

“Meu nome é Ricardo Darín e sou a favor da legalização do aborto”, diz o ator argentino que, junto com outros artistas, divulgou um vídeo de apoio à luta das mulheres daquele país para aprovar no Congresso a legalização do aborto, em discussão no legislativo. Segundo matéria do El País, as autoridades estimam que quase meio milhão de mulheres abortem a cada ano na Argentina, apesar da proibição legal. Os registros hospitalares mostram que, em 2016, 50 mil tiveram que ser hospitalizadas por complicações decorrentes de abortos, e 43 perderam a vida.

HERANÇA INCÔMODA

Ter ou não enxaqueca tem a ver com ter um pai, mãe, avó ou avô com enxaqueca. A predisposição genética para desenvolver o transtorno começou a ser desvendada por um grupo de cientistas da Universidade Helsinki e do Instituto Broad – que reúne pesquisadores de Harvard e do MIT. Publicado ontem (3) na revista Neuron, o estudo usou o histórico médico e informações genéticas de 1.589 famílias finlandesas que sofrem com a doença, totalizando mais de 8,3 mil indivíduos. Um estudo anterior, com 59 mil participantes, realizado pela mesma equipe, identificou 40 variantes genéticas que aumentam consideravelmente o risco de se desenvolver enxaquecas e foi usado para criar uma pontuação capaz de avaliar se uma pessoa pode desenvolver o transtorno, aplicada nas famílias finlandesas.

Descobriram que a herança poligênica, quando a enxaqueca surge como uma combinação de diversos genes que se acumulam de geração em geração, é o mecanismo mais forte para que uma pessoa desenvolva a doença. E que o fator mais importante para o seu surgimento está na quantidade de variações genéticas que um indivíduo apresenta, e não na presença de mutações poderosas. Por isso, um tratamento personalizado pode ser bem mais eficaz e é o caminho que novas pesquisas devem tomar.

CONVERSA ANIMADA

Você já ouviu falar no Pint of Science? Trata-se de um evento que acontece em várias cidades do mundo com o objetivo de promover conversas entre cientistas e a população. A ideia surgiu na Inglaterra em 2012 depois que pesquisadores do Imperial College London convidaram pessoas com Alzheimer, Parkinson, doenças neuromusculares e esclerose múltipla para conhecer seus laboratórios e ver de perto o tipo de pesquisa que realizavam. A partir de 2013, o evento ganhou a cara que tem hoje, com os cientistas saindo ‘dos muros’ da academia para se encontrar com o público. Desembarcou no Brasil em 2015, na paulista São Carlos e, este ano, será realizado em bares e restaurantes de todas as regiões do país. Ninguém recebe pela participação, nem os estabelecimentos cobram entrada. Veja a lista com 56 cidades que promovem o Pint nos dias 14, 15 e 16 de maio, sempre às 19h30. O evento acontece em 21 países.

O IBGE QUER SABER

E 2020 é ano de Censo Demográfico, a pesquisa mais ampla sobre a população brasileira. Tendo em vista as transformações sociais, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística quer saber se os atuais critérios respondem o conjunto das demandas por informação, para identificar lacunas que podem ser respondidas pela pesquisa. A consulta pública vai até 15 de maio.

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