Ebola, de novo

Casos da doença registrados no Congo preocupam devido à alta letalidade

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EBOLA, DE NOVO

Uma nova epidemia já matou 17 pessoas na República Democrática do Congo, em 21 casos da doença registrados. É uma letalidade altíssima, de 80%. No ano passado um surto matou quatro pessoas no país. A matéria da AFP lembra que, entre 2013 e 2016, mais de 11 mil pessoas morreram, principalmente na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa.

No G1informações sobre o vírus: não há grupos de risco, não há tratamento ou vacina, a transmissão se dá pelo contato com sangue, saliva ou secreções de pessoas infectadas e mais de 20 surtos já aconteceram em países africanos desde a descoberta do vírus, em 1976.

VACINAS HOJE

Ontem foi aniversário da erradicação da varíola: 38 anos. A Vox comemorou em uma entrevista com  o médico William Foege, que foi diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças nos EUA e esteve por trás da estratégia global de eliminação da doença. Aos 82 anos, ele fala sobre o momento atual. Lamenta a existência do movimento anti-vacinação (que começou há 20 anos, com a publicação de um artigo – fraudulento, descobriu-se mais tarde – que relacionava vacinas e o desenvolvimento de autismo).

Quanto aos desafios do futuro, Foege vê boas possibilidades de avanço no que diz respeito ao desenvolvimento de vacinas, mas ressalta que certos problemas não são científicos, e sim sociais.  Dá como exemplos a doença do verme-da-guiné, cuja eliminação depende de intervenções na comunidade para reduzir a transmissão e o caso da pólio em determinados países: “No Paquistão e no Afeganistão, estamos lidando com as dificuldades políticas. E muito disso, é claro, no Paquistão, deve-se ao fato de os EUA terem tentado usar o programa da pólio para obter DNA para descobrir em que casa Osama bin Laden se encontrava”.

REAJUSTE NOS PLANOS

O  Idec entrou com uma Ação Civil Pública contra a ANS para pedir a suspensão do reajuste dos planos individuais e familiares, que deve ser divulgado em breve. A argumentação parte de um relatório do TCU “que aponta distorções, abusividade e falta de transparência na metodologia usada pela ANS para calcular o percentual máximo de reajuste”, como informa a Agência Brasil. O Idec questiona há anos a metodologia usada pela ANS nos reajustes, porque ele leva em conta o aumento nos planos com mais de 30 pessoas – e este, por sua vez, não corresponde ao aumento real dos custos.

As falhas indicadas pelo TCU são explicadas pelo Estadão. Entre elas está o fato de que, desde 2009, se usa um fator moderador ligado ao rol de procedimentos mínimos fixados pela Agência e atualizados periodicamente. Mas o Idec diz que há dupla cobrança, porque esses custos são embutidos nas mensalidades.

E, em relação aos planos coletivos, a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) lançou esta semana a campanha “Mais Saúde, Menos Aumento’. Segundo o Brasil de Fato, a proposta é colher assinaturas e exigir que o governo limite o aumento e proíba as operadoras de cancelarem o plano sem o consentimento do usuário.

CONEXÕES

Está acontecendo esta semana um Encontro Nacional de Parceiros Públicos e Privados. O nome é Conexidades e ele vai até o dia 12 em Ubatuba (SP). Uma das cinco patrocinadoras é a Fundação Nacional de Saúde, a Funasa… Hoje, sua coordenadora-geral de convênios vai participar de um debate. E quem vai estar lá para dar a ‘palestra magna’, no sábado, é o candidato à presidência pelo PSDB Geraldo Alckmin, ex-governador do estado. Ontem ele apareceu aqui nessa newsletter por conta das declarações do coordenador de seu programa econômico, Persio Arida, para quem a Constituição engessa a economia.

PEDRAS NO CAMINHO?

Para o secretário de saúde do Distrito Federal, Humberto Fonseca, assim podem ser consideradas as normas da administração pública no Brasil. Em artigo publicado no Correio Braziliense, ele elogia a transferência de recursos públicos para instituições filantrópicas, assim como as “parcerias com organizações sociais”.

CASA NOVA

Esta veio por um grupo de whatsapp: a professora e pesquisadora Sonia Fleury agradece a mobilização em torno da sua demissão da Fundação Getúlio Vargas (divulgamos aqui a carta em que ela falava disso) e disponibiliza um link em que podem ser acessados vários documentos relacionados a essa mobilização.

“Neste momento, em que a democracia se encontra ameaçada em todo mundo, é urgente unirmos forças para lutarmos pela hegemonia e pela construção de uma nova correlação de forças, em cada um dos lugares em que estamos presentes. Por esta razão, vejo o ato de solidariedade que me foi prestado por todos vocês como uma forma fundamental de resistência ao domínio neoliberal, que está solapando a autonomia do pensamento acadêmico ao mesmo tempo em que destrói as bases da soberania, imprescindíveis para a construção de uma nação coesa, uma sociedade inclusiva e um Estado democrático”, diz ela.

E completa com uma boa notícia: o Dicionário Carioca de Favelas, projeto coordenado pela pesquisadora na FVG, foi acolhido pela Fiocruz.

PADILHA COM LULA

Segundo a Folha, a defesa de Lula pretende cadastrar o médico Alexandre Padilha, ex-ministro da saúde no governo Dilma e vice-presidente do PT, como infectologista responsável por acompanhar a saúde do ex-presidente na prisão. Lula também vai ter um cardiologista e um clínico-geral de Curitiba, além do médico que acompanhava sua reabilitação muscular em São Bernardo do Campo.

NÃO É APENAS UM XAROPE

Um menino de oito anos ficou viciado em xarope para tosse na Nigéria. Sua irmã, a repórter da BBC Ruona Meyer começou a investigar a produção e a venda do medicamento, feito com base de codeína (um opiáceo altamente gerador de dependência). O resultado foi exposto em uma matéria publicada no último dia 30 pela BBC África. Até aquele momento, não era ilegal vender ou tomar o remédio, mas era preciso ter receita médica. Em texto e vídeo, Meyer mostrou o submundo da venda ilegal – além do uso recreativo em ruas e festas e cenas super chocantes de quem tenta vencer a abstinência. A dependência afeta principalmente crianças e adolescentes e, depois da publicação da reportagem, o governo nigeriano proibiu a produção e a importação do remédio. Uma nova versão da matéria, com pequenas atualizações, foi publicada ontem na BBC Brasil.

CASO DE SAÚDE

Assassinatos cometidos por policiais nos EUA estão em uma artigo publicado no Journal of Epidemiology and Community Health. O foco é a lacuna entre a idade média com que essas pessoas morrem e o tanto de vida que ainda teriam pela frente, segundo a expectativa no país. Em 2015 e 2016, foram mais de duas mil vítimas que, juntas, perderam cerca de 112 mil anos de vida, número é semelhante aos de meningite e de morte materna. Uma surpresa é que 52% eram brancas, 26% negras e 17% latinas. Mas as pessoas brancas são mortas mais tarde – 52% de todos esses anos perdidos são de pessoas descritas no estudo como não-brancas e não-latinas.

CAMPO DE BATALHA

Um relatório publicado no Lancet diz que as mulheres são as principais vítimas de violações de direitos reprodutivos e sexuais. Mais de 200 milhões de mulheres em países pobres ou em desenvolvimento não têm acesso a métodos contraceptivos modernos, 44% de todas as gestações no mundo são não intencionais ou indesejadas e são feitos 25 milhões de abortos inseguros por ano. E não é só isso. Quase um terço das mulheres com mais de 15 anos já sofreu violência de seu próprio parceiro. O relatório defende que o conceito de saúde reprodutiva e sexual deve ser ampliado.

DOULAS NA CÂMARA

A atuação das doulas – que oferecem apoio à mulher durante o pré-natal, parto e pós-parto – está sendo analisada pela Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara, e ontem teve audiência pública sobre isso.

NOS OVÁRIOS

O site do médico Dráuzio Varella começou a apresentar um documentário, em quatro episódios, sobre o câncer no ovário. Hoje saiu a primeira parte.

AINDA O PACOTE

Ainda não aconteceu na Câmara a votação do Pacote do Veneno. O tema esteve na coluna de Bernardo Mello Franco no Globo. O autor cita dados e relatórios contrários à aprovação, e critica: “Os dados parecem não impressionar os ruralistas”.

AGENDA

No dia 15, o Instituto de Medicina Social da Uerj promove o debate ‘SUS 2018: ameaças e desafios’, com Cristiani Machado (ENSP/Fiocruz), Eduardo Levcovitz (IMS/Uerj) e Ligia Bahia (IESC/UFRJ)

É à noite e nos bares que vão acontecer várias discussões sobre ciência e tecnologia em BH. A cidade participa do Festival Pint of Science e, em três dias, o tema da saúde pública vai estar presente. Mais detalhes aqui.

Nos dias 18 e 19, acontece no Museu do Amanhã (Rio) o seminário internacional Cannabis Medicinal – Um Olhar para o Futuro. A inscrição é gratuita e feita online.

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