Alckmin, Arida e a saúde

“A gestão econômica não pode ficar engessada pela Constituição”: pegou muito mais que mal a declaração de Persio Arida, coordenador do programa econômico do candidato à presidência Geraldo Alckmin (PSDB),

Persio Arida. Crédito: Financial Times, via Wikimedia Commons

“A gestão econômica não pode ficar engessada pela Constituição”: pegou muito mais que mal a declaração de Persio Arida, coordenador do programa econômico do candidato à presidência Geraldo Alckmin (PSDB).

O resumo desta e de outras notícias você confere aqui em oito minutos.

(Quer receber de manhã cedinho a newsletter do Outra Saúde por e-mail? Clique aqui)

Se inscreveu e não recebeu? Dá uma olhada na sua caixa de e-mail. A news tem ido parar na aba “promoções”

UM HOMEM SINCERO

“A gestão econômica não pode ficar engessada pela Constituição”: pegou muito mais que mal a declaração de Persio Arida, coordenador do programa econômico do candidato à presidência Geraldo Alckmin (PSDB), que saiu ontem em entrevista na Folha. E não foi uma frase isolada. Arida disse que seria bom fazer a “desconstitucionalização de alguns assuntos”, retirando alguns itens da Carta Magna e deixando-os em leis complementares. Quando os repórteres Ricardo Balthazar e Alexa Salomão perguntaram especificamente se isso significaria retirar dispositivos sobre impostos e os que vinculam saúde e educação, ele respondeu que não queria dar detalhes, mas completou que “eliminar vinculações não é o mesmo que deixar de gastar. (…)  Para o estudante, não importa quem construiu a escola. Para quem vai ao hospital, não importa se o médico é funcionário público ou trabalha para uma organização social contratada para gerir o hospital”.

Depois da repercussão, ainda ontem à noite saiu outra matéria com o próprio Alckmin, que tentou aliviar, mas sem realmente desdizer: “Não precisa tirar o percentual [mínimo de gasto], o que precisa tirar é gestão. Matérias tributárias”, afirmou. E ainda: “O que ele propôs foi o seguinte: os princípios e direitos da Constituição, você não mexe. O que for gestão, o que puder ser por lei complementar. Vivemos num mundo muito rápido, o que caracteriza nosso tempo é a rapidez das mudanças. A Constituição está muito detalhista, longa”.

MAIS TÓXICOS DO QUE SE IMAGINAVA

Pesquisadores do governo dos EUA descobriram evidências de que alguns agrotóxicos populares – como o Roundup, produzido pela Monsanto há mais de 40 anos e líder de vendas no mundo – são mais tóxicos para as células humanas do que os ingredientes ativos sozinhos. No caso do Roundup, esse ingrediente é o glifosato. Isso é um grande problema inclusive porque, na hora de aprovar os registros, as agências reguladores pedem testes só com o ingrediente ativo. A matéria é do Guardian.

ENQUANTO ISSO…

A votação do PL 6299/02, conhecido como Pacote do Veneno, ia acontecer ontem. Ainda não tem nenhuma informação sobre isso no site da Câmara, mas a movimentação em torno do projeto está em alta. A Plataforma #ChegadeAgrotóxicos divulgou um manifesto assinado por 271 organizações que repudiam o texto. O Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador (DSAST/MS), do Ministério da Saúde, lançou nota se posicionando contra; a Fiocruz também. E o Conselho Nacional dos Direitos Humanos recomendou a rejeição.

A SAÍDA DO BANCO

Lembra que divulgamos aqui um evento do Conass sobre sistemas universais de saúde, umas duas semanas atrás? Hoje, a Folha traz a cobertura, e a jornalista Cláudia Collucci dá detalhes sobre a análise de Edson Araújo, representante do Banco Mundial. O ponto chave é que um cenário de subfinanciamento deve ser contornado com melhoria na eficiência, o que poderia gerar uma economia de R$ 115 bilhões até 2030. A ênfase deveria ser na atenção básica. No último parágrafo tem espaço para a fala do sanitarista Eugênio Vilaça, que lembra o quanto o gasto público em saúde no Brasil é inferior ao de países ricos – e que a sustentabilidade depende do aumento dessa cifra.

DESPREPARO

É da mesma jornalista esta coluna que aponta como as instituições que formam médicos dão pouca ênfase nos determinantes sociais e não preparam os estudantes para o contato com brasileiros que vivem na miséria – fora algumas exceções, como os cursos de medicina da família e comunidade. “Certa vez ouvi de um entrevistado que uma faculdade privada de medicina, com mensalidades de R$ 8.000, tinha montado um cenário de pobreza, com barracos e tudo, e contratado atores para desempenharem o papel dos miseráveis. Isso para ‘preparar’ os alunos quando tivessem que enfrentar a vida real”, escreve Collucci.

ENCONTRO DE GESTORES

Representantes do Conass e do Conasems se reuniram ontem com Gilberto Occhi para apresentar suas prioridades. Entre elas está o tema do repasse de recursos federais.

TODA A VERDADE

Não era bem assim. Uma coluna do Globo noticiou os resultados de um estudo sobre violência por parceiros íntimos destacando casos em que o agredido era o homem, e não a mulher. Mas uma das autoras da pesquisa, Leila Posenato, diz na Radis que a abordagem foi “reducionista” e que houve “distorção” dos resultados: “O VIVA Inquérito se baseia em atendimentos em serviços de urgência e emergência no SUS, não é uma pesquisa domiciliar. Não é uma pesquisa baseada em entrevistas, boletins de ocorrência ou outras fontes de informações sobre a violência doméstica, que inclusive é bastante subnotificada. Outros estudos sobre o tema mostram que quando a mulher agride o parceiro, geralmente ela faz isso em autodefesa. Os homens aparecem sempre como os principais agressores”.

E as redes sociais estão inflamadas mais uma vez em torno do tema do estupro, após uma falsa denúncia feita por uma menina de 11 anos em São Paulo. No Intercept, Bruna de Lara fala do velho mito de que, quando o tema é esse, mulheres mentem. Ela mostra que as falsas acusações existem mesmo, mas que as verdadeiras são muito mais numerosas.

DEBUTANTE

Faz 15 anos que a sequência completa do genoma humano foi divulgada pela primeira vez, e a BBC relata como isso transformou a medicina. A matéria está recheada com falas de representantes de empresas ligadas à tecnologia, umas mais conhecidas e outras aparentemente promissoras.

GRANDES DISPUTAS

O direito à água é tema da última edição da Radis. Na matéria de capa, a repórter Liseane Morosini analisa a questão brasileira a partir da discussão dos dois fóruns mundiais que aconteceram em Brasília no mês passado – o Fórum Mundial da Água e o Fórum Alternativo Mundial da Água. O primeiro, conhecido como o fórum das corporações, e o segundo como sendo mais democrático e popular.

A revista traz também uma entrevista com Renato Di Nicola, do European Water Movement e do Foro Italiano Movimento Acqua e um dos coordenadores do Fórum Alternativo: “Não é democrático que uma multinacional decida sobre o bem de nossa vida, como ocorre no Uruguai. Precisamos alertar que esse tipo de capitalismo predador está em todo o mundo e precisa ser combatido”.

FALTA ÁGUA, SOBRA PICADA

Falando nela, um artigo publicado na Scientific Reports mostra que os mosquitos picam mais quando estão com sede: a falta d’água leva a um aumento de até 30% nas picadas.

SAIU DO PAPEL

A lei foi aprovada ainda na gestão de Obama e finalmente está nas ruas. A partir de agora, redes de restaurantes, supermercados e outros estabelecimentos (tipo salas de cinema e cafés) nos Estados Unidos precisam indicar as calorias de seus produtos.

MORTES NO CAMPO

O número de assassinatos em conflitos no campo cresceu e, no ano passado, foram 70 mortes – não era tão alto assim desde 2003, quando houve 73 casos. As razões, as investigações e a (falta de) resolução na justiça são analisadas nesta entrevista de Ruben Siqueira, um dos coordenadores da Comissão Pastoral da Terra, a Bruno Dominguez, da Radis.

CAMPANHA AFRICANA

O alto número de casos de cólera no continente levou à maior campanha de vacinação já realizada por lá. Até o meio do ano, dois milhões de pessoas serão vacinadas em Uganda, Zambia, Malawi, Sudão do Sul e Nigéria. A vacina oral vai ser financiada pela Gavi – the Vaccine Alliance, uma parceria público-privada criada e majoritariamente financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates.

FEBRE AMARELA

A OMS passou recomendar a vacinação a todos os viajantes que venham para os estados do Sul do Brasil.

UM MAÇO POR DIA

Um vídeo postado por uma médica no Facebook mostra pulmões em funcionamento. De um lado, o órgão de uma pessoa não-fumante e, de outro, o de alguém que consumiu um maço de cigarros por dia durante 20 anos. Viralizou.

COINCIDÊNCIA

Nos Estados Unidos, um menino saiu do coma um dia antes de os médicos desligarem os aparelhos que o mantinham vivo. Os pais tinham acabado de autorizar a doação de órgãos.

BALANÇO

Anvisa divulgou seu balanço de 2017. Tem destaque a redução do tempo de espera para análise e registro de produtos: no caso dos medicamentos, o tempo médio para a publicação de um registro passou de 400 dias em 2016 para 255 no ano passado.

AGENDA

A Academia Brasileira de Ciências vai apresentar amanhã (9/5), em coletiva de imprensa, um documento que será entregue a candidatos à presidência e ao Congresso com suas propostas para a área de ciência, tecnologia e inovação.

Também amanhã uma audiência pública na Câmara vai debater ao aumento nos planos de saúde. Vai haver transmissão online.

Nesta quinta (10/7) tem o lançamento do livro  Controle do câncer de mama no Brasil: trajetórias e controvérsias, com debate, na Fiocruz do Rio.

E, até o dia 15, está aberta a chamada de artigos para a revista Platô: drogas e políticas.

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OutrosQuinhentos