Mais de 9 milhões de empregos afetados

Desde março, 1,1 milhão de trabalhadores com carteira assinada perderam o emprego. Outros 8,1 milhões tiveram suspensão de contratos ou redução de salários

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Até agora não era possível saber direito como a pandemia tinha afetado o emprego formal no Brasil. Dava para ter uma ideia pelo aumento nos pedidos de seguro-desemprego, pelas estimativas feitas por alguns setores da economia e pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, feita em março por telefone. Mas desde janeiro o governo não divulgava os dados oficiais do Caged (o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que deveriam ser publicados todo mês. Depois de um longo apagão, ontem, finalmente, os números apareceram. E são péssimos.

Em março e abril, 1,1 milhão de pessoas que tinham carteira assinada foram demitidas. Os trabalhadores do setor de serviços foram os mais afetados (458,7 mil demissões). Em seguida vêm os do comércio (296 mil), indústria (223,5 mil), construção (79,9 mil) e agricultura (9,6 mil). Só em abril, foram 860,5 mil vagas fechadas – o pior resultado pelo menos desde 1992, quando isso começou a ser medido.

Mas além dos desempregados há também 4,4 milhões que tiveram seus contratos suspensos. Ou seja: vão ficar até três meses sem trabalhar e sem receber, como se estivessem temporariamente desempregados. Outras 3,7 milhões de pessoas fizeram ‘acordos’ por cortes de salário e jornada, a maior parte com 50% de corte. Como dissemos por aqui, essas negociações foram liberadas por uma medida provisória do governo federal em abril, e os empregados afetados têm suas perdas parcialmente cobertos pelo Tesouro, mas na proporção do que receberiam como seguro-desemprego (um valor menor do que o salário de fato).

A “boa” notícia é que a medida do governo afetou mais gente no início, mas foi perdendo força com o tempo. Nas cinco primeiras semanas, a média semanal de atingidos foi de 1,5 milhão. Nas seguintes, foi caindo para 511 mil, depois 175 mil, e chegou a 32 mil na última semana. A má é que essa não deve ser uma tendência constante. De acordo com secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, os empresários devem estar esperando o fim da tramitação do MP no Congresso, “para saber se o programa vai continuar assim, se vai ter segurança jurídica”. A expectativa do governo é que na realidade 24,5 milhões de pessoas (mais de 70% dos trabalhadores formais). Até agora, foram 8,1 milhões.

Tem também o fato de que a crise econômica dificilmente vai acabar junto com o fim da pandemia, até porque economia e política andam juntas. Os acordos, que segundo o governo deveriam evitar 8,5 milhões de demissões, não garantem que essas demissões aconteçam mais adiante.

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