HIV: dois acordos e uma vacina em testes

Imunizante chega à fase 3 de testes clínicos. Ao mesmo tempo, dois acordos comerciais prometem reduzir preço dos tratamentos – falta de acesso ainda é grande problema

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Pela primeira vez em dez anos, uma vacina contra o HIV chegou à fase 3 de testes clínicos. Segundo o El País, trata-se de um produto da Janssen (da Johnson & Johnson) que tem a mesma tecnologia usada pela farmacêutica em seu imunizante contra o novo coronavírus. O ensaio vai envolver 3,8 mil pessoas e deve durar entre 24 e 36 meses. A última tentativa, lembra a reportagem, terminou fracassada em 2009, quando se viu que a vacina testada só tinha eficácia de 30%. 

Se houvesse maior acesso aos tratamento antirretrovirais, a epidemia que mata mais de 600 mil pessoas por ano poderia estar controlada – como se sabe, os remédios reduzem tanto a carga viral que impedem a pessoa infectada de passar o HIV adiante. Porém, segundo o Unaids, programa de combate à Aids das Nações Unidas, um terço das 38 milhões de pessoas que vivem com o vírus não o recebem.

Quando se trata das crianças, a proporção é ainda pior: há 1,7 milhão vivendo com HIV, e metade não tem acesso a tratamento. A cada ano, morrem cem mil crianças em decorrência desse vírus. O alto custo é um entrave; outro está nos erros nas dosagens e no sabor amargo dos comprimidos, o que dificulta a administração. Ontem foi anunciado um acordo com os fabricantes de genéricos Viatris e Mcleods para reduzir o preço de um dos componentes do coquetel de US$ 400 para US$ 36. Com isso, o tratamento de um ano passaria de US$ 480 para cerca de US$ 120. Além disso, o dolutegravir vai estar disponível num comprimido solúvel e com sabor morango, para melhorar a aceitação. No primeiro semestre do ano que vem, o produto vai estar disponível em Benin, Quênia, Malauí, Nigéria, Uganda e Zimbábue. 

Outro acordo pode beneficiar adultos em países de renda média-alta, para permitir que fabricantes de genéricos forneçam dolutegravir a preços baixos. São países que normalmente não conseguem se beneficiar de iniciativas de acesso a medicamentos centradas em nações e baixa renda.

Os anúncios vieram no contexto do Dia Mundial de Combate à Aids, que foi ontem. Também na esteira dele, o Ministério da Saúde divulgou os últimos dados do HIV no Brasil: em 2019, o número de casos notificados caiu pela primeira vez em uma década. Foram registradas quase 42 mil novas infecções, contra 45 mil no ano anterior. Ao todo, vivem no país 920 mil pessoas infectadas. A mortalidade chegou, segundo a pasta, ao menor índice dos últimos dez anos: 4,1 por 100 mil habitantes. 

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