Enem nota zero

Estudantes relatam a jornal que foram barrados em salas de aula lotadas e precisarão pedir para refazer prova

Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

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Contra todas as melhores recomendações de especialistas, a vontade dos estudantes e as evidências de que tinha tudo para dar errado, o cronograma do Enem foi mantido e a primeira prova presencial foi realizada ontem. A abstenção foi recorde: nada menos que 51,5% dos estudantes faltaram. Cinco mil pessoas pediram para fazer a prova em outra data por estarem com sintomas de covid-19 ou outras doenças contagiosas. Imaginem quantos não deviam estar infectados e assintomáticos.

Mas o ministro da Educação, Milton Ribeiro, achou ótimo: “Qualificamos como sucesso porque, no meio de uma crise, numa pandemia, nós conseguirmos mobilizar milhões de pessoas de maneira segura, para mim, foi um sucesso. Estamos em situação de calamidade. Ainda por cima temos uma questão política de mídia contra, falando e criticando a realização do exame. Nesse ponto, acredito que foi um sucesso. Para os alunos que puderam fazer a prova, foi um sucesso”. 

Além do medo dos alunos, outro fator parece estar por trás das faltas. Segundo o Estadão, aconteceu de candidatos serem barrados na entrada dos locais de prova porque suas salas estavam superlotadas. Pois é. Na semana passada, já tinha sido denunciado que vários locais tinham planos de ter salas com 80% de ocupação, muito mais do que os 50% preconizados pelo MEC. Ao que parece, na manhã da prova, chegou às portarias a informação de que a lotação deveria ser mesmo de no máximo 50%. Então, em vários casos, a “solução” foi essa: pedir que os alunos dessem meia volta e depois solicitassem a reaplicação em outra data. “Entrei em pânico, comecei a chorar. Quando saí na rua, tinha um monte de estudante chorando, apavorado. Eu também estava muito mal e ninguém estava entendendo nada do que estava acontecendo”, conta Anna Carolina Lau, na reportagem. 

Mas não foi assim em todos os locais. Aconteceu também de os estudantes não serem barrados e fazerem a prova nas salas cheias, mesmo. “Foram chegando mais alunos até que a sala encheu e tiveram de colocar mais carteiras. Tinha gente do meu lado, à frente e atrás. Faltaram ainda 8 pessoas. Foi um absurdo. Eu queria sair o mais rápido possível, não estava aguentando ficar na sala com muita gente”, narra outra estudante, Ellen Rezende.

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