Ebola: ‘tempestade perfeita’ a caminho

Epidemia de ebola ameaça se espalhar para além da República Democrática do Congo.

Centro de tratamento de ebola em hospital de Kivu do Norte. Crédito: Alain Coulibaly/MONUSCO

Essa e outras notícias aqui, em oito minutos.

03 de outubro de 2018

EBOLA: ‘TEMPESTADE PERFEITA’ A CAMINHO

A epidemia de ebola, que já matou mais de 100 pessoas na República Democrática do Congo, ameaça se espalhar para além de suas fronteiras. Para a OMS, as chances são “muito grandes” e há uma “tempestade perfeita” a caminho. E uma das maiores dificuldades para frear o avanço é a guerra. O epicentro da epidemia é em Kivu do Norte, uma zona de conflito que faz fronteira com Ruana e Uganda. Tem mais de um milhão de pessoas lá, e grupos armados têm promovido ataques fatais a civis. A atuação de profissionais de saúde é dificultada.

A boa notícia é que, pelo menos, agora há uma vacina disponível – ao contrário de na epidemia anterior, em 2014-15, quando mais de 11 mil pessoas morreram. Por outro lado, tem também a desconfiança e a resistência da população, que às vezes recusa a vacina e os tratamentos disponíveis.

10 PONTOS URGENTES

A Abrasco encaminhou aos 13 candidatos à presidência uma carta com as propostas que considera mais importantes para a saúde. São 10 pontos: a revogação da Emenda 95, a ampliação de investimentos, a ampliação e qualificação da Estratégia Saúde da Família, o fortalecimento da assistência farmacêutica, a garantia do saneamento básico universal, a reformulação do modelo de gestão do SUS e o fim dos subsídios ao setor privado.

POUCO CRIATIVA

Na nossa série de análises sobre os presidenciáveis, chegou a vez de Marina Silva, a candidata que mais desidratou nas pesquisas de intenção de voto desde o começo da corrida eleitoral. Na saúde, ela propõe criar coisas que já existem. Como a divisão do país em 400 regiões de saúde e a gestão compartilhada.

O COLAPSO DA SAÚDE VENEZUELANA

Documentos da Opas/OMS contrastam com as informações oficiais passadas pelo chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, à ONU. De acordo com este último, a saúde gratuita está garantida por lá. Mas, segundo a Opas, um terço dos médicos saiu do país (22 mil, ao todo), explodem novos casos de doenças como aids, malária, tuberculose, sarampo e difteria, e, nos últimos dois anos, “uma progressiva perda de capacidade operacional no sistema de saúde” afetou “o acesso ao tratamento gratuito e livre acesso a remédios”. Além dos médicos, estima-se que cinco mil enfermeiras e seis mil técnicos de laboratórios e analistas tenham deixado a Venezuela, segundo a matéria do Estadão.

NOBEL PARA LEIGOS

Depois que James Allison e Tasuku Honjo, ganharam esta semana o Nobel de medicina, a Vox explica de forma mais ou menos simples os seus estudos. As descobertas deles alavancaram a pesquisa das imunoterapias, proeminente para o tratamento de câncer. A ideia é estimular o sistema imunológico de maneira que ele próprio combata as células cancerosas. São tratamentos mais precisos e em alguns pacientes o câncer simplesmente desaparece, enquanto em outros, terminais, ocorre regressão. Mas não é todo mundo que responde bem – só 15 a 20% dos pacientes realmente têm algum benefício com a imunoterapia, e ainda não e sabe o porquê. Outro problema é o altíssimo custo, que pode chegar a 100 mil dólares por pessoa.

Como são necessários muitos, muitos cientistas para explorar essas descobertas e a fundação Nobel só permite no máximo três premiados, sempre fica muita gente de fora. E um artigo de Sharon Begley no Stat conta que ao menos três outros pesquisadores tiveram contribuições de peso para a pesquisa que originou as imunotreapias.

DO SÉCULO PASSADO

Agência Brasil entrevistou o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Carlos André Uehara, para falar sobre o acesso à saúde por parte da população idosa. É que, embora ocupe lugar de destaque no Estatuto do Idoso, a garantia desse acesso é um dos itens que registra queixas dessas pessoas. Para Uheara, o modelo brasileiro “é do século passado”, focado em doenças agudas e infecciosas tratáveis com medicação. Só que hoje há prevalência de doenças crônicas, que exigem cuidado contínuo. Há outros desafios. “Temos que pensar em outros serviços que possam receber essa população. Pensar em ambulatório, hospital de retaguarda, serviços para cuidados paliativos. É preciso ter toda uma rede de atenção, com centros dias, centros de convivência, atendimento domiciliar, cuidadores e instituições de longa permanência”, diz ele.

SOLUÇÕES COMPLEXAS

Radis conversou sobre suicídio com Carlos Felipe d’Oliveira, médico psicoterapeuta que coordenou o Grupo de Trabalho que formulou a Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio, lançada pelo Ministério da Saúde em 2006. Ele falou sobre os problemas na prevenção feita por aqui, e também sobre as dificuldades em se lidar com a questão. “Fenômenos complexos exigem soluções complexas. Isso é muito importante porque define a visão que nós temos do suicídio, que não é uma visão linear, de que: ‘Suicidou-se porque estava deprimido’ ou ‘Suicidou-se porque se separou da namorada’. Não, essas seriam respostas simples para um fenômeno complexo e multideterminado. (…) estamos lidando com um fenômeno complexo que tem ações previsíveis e ao acaso também. Ele ocorre há milhares de anos, está descrito em pergaminhos, em blocos de argila. É uma condição que fala do sofrimento humano e, sem dúvida, é uma questão de saúde pública”.

EM VEZ DE SAÚDE MENTAL…

Desde fevereiro, após o massacre em uma escola na Flórida, nos EUA, representantes da indústria da segurança vêm pressionando legisladores para que aprovem o gasto de enormes quantias com equipamentos caros de segurança para escolas, como fechaduras à prova de bala e canhões que soltam fumaça e confundem a visão de um possível atirador. Então o Congresso já liberou US$ 350 milhões para isso, e os estados aprovaram mais US$ 450 milhões. Mas educadores e especialistas alertam que não vale o quanto custa: aconselhamento para a saúde mental seria mais eficaz.

ENFERMAGEM NO MARKETING

É conhecida a prática da indústria farmacêutica de se aproximar de médicos por meio de congressos, almoços e distribuição de amostras grátis de remédios. Mas existe um outro nicho que tem sido explorado: as empresas fabricantes contratam profissionais de enfermagem que ficam em contato direto com usuários de seus medicamentos, para garantir que as receitas sejam reabastecidas, sem necessidade de retorno ao médico. Há processos em curso porque se trataria de uma estratégia de marketing, feita para manter as pessoas ‘presas’ a determinado remédio, mesmo que outros, mais eficientes e/ou baratos, tenham entrado no mercado.

PELAS BEIRADAS

A Argentina não conseguiu descriminalizar o aborto no Congresso, mas hospitais da rede pública da cidade de Rosario têm usado desde 2012 brechas na legislação para expandir os casos permitidos. A lei atual diz que o aborto pode ser feito em casos de estupro e de riscos à saúde da mulher – e esses hospitais interpretam a lei de modo a  incluir aí riscos à saúde mental. O resultado é que desde 2012 não há mortes maternas por aborto em Rosário. A Colômbia também faz esse tipo de interpretação e, por lá. Embora ela esteja mais restrita às capitais e, por isso, ainda haja abortos clandestinos no país, as internações por complicações caíram 15% desde que a estratégia passou a ser usada.

GAROTINHO

Ontem o candidato ao governo do Rio teve negado seu pedido para suspender a decisão do TSE que barrou sua candidatura. Quem negou foi o ministro do STF Celso de Mello. Ele foi barrado por ter sido condenado por improbidade administrativa e enriquecimento ilícito, em um caso que envolve desvios de mais de R$ 200 milhões da área de saúde do Rio, quando ele era secretário da pasta, entre 2005 e 2006.

MOVIMENTAÇÕES

O grupo farmacêutico EMS, que é líder na fabricação de genéricos no Brasil, está na disputa para comprar o laboratório europeu Medis, braço da empresa israelense Teva – ao menos é o que diz o Estadão, baseado em duas “fontes a par do assunto”. Para isso, levanta um empréstimo de 900 milhões de euros (R$ 4,2 bi)

DESCE E SOBE

Depois de caírem 30% na segunda, as ações da administradora de planos de saúde Qualicorp voltaram a subir ontem (menos: 11%). Como explicamos ontem, a queda foi depois que a Qualicorp fez um acordo com seu presidente de que ele não poderia vender sua participação e, em troca, receberia 150 milhões de reais.

E SEGUE AUMENTANDO

O número de mortos pelo terremoto e tsunami na Indonésia subiu para 1.234.

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