Doença do cigarro eletrônico chega ao Brasil

Anvisa admite que já tem conhecimento sobre sete casos desde novembro do ano passado. Lobby do tabaco quer aprovar por aqui dispositivos que já mataram 68 nos EUA

The face of vaping young man on black studio background

Este texto faz parte da nossa newsletter do dia 19 de outubro. Leia a edição inteira.
Para receber a news toda manhã em seu e-mail, de graça, clique aqui.

O Intercept fez uma descoberta importante: a doença associada aos cigarros eletrônicos chegou ao Brasil, mesmo que os dispositivos sejam proibidos por aqui. Por meio da Lei de Acesso à Informação, a Anvisa teve de admitir que recebeu sete notificações de brasileiros com Evali – sigla para “E-cigarette or Vaping product use-Associated Lung Injury” – entre 18 de novembro de 2019 e 27 de agosto deste ano. São quatro homense três mulheres, com idades entre 21 a 41 anos. Três doentes precisaram ser internados e dois receberam alta com sequelas. Os registros foram feitos em São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 

“Esses são os casos em que médicos notificaram o atendimento e a evolução clínica dos pacientes por meio de um formulário criado pela Anvisa, o que não exclui a possibilidade de outras ocorrências não terem sido registradas”, explicam os repórteres Lu Sodré e Yuri Ferreira. 

Até agora, o problema é mais sério nos Estados Unidos, onde a doença foi descoberta. Até fevereiro, foram registradas 2.807 internações e 68 mortes por lá. Depois disso, o CDC parou de divulgar boletins. Aliás, segundo o Controle e Prevenção de Doenças, 3,6 milhões de estudantes de ensino fundamental e médio usam cigarros eletrônicos. Um número expressivo, que a indústria do tabaco quer ver replicado em países como o Brasil.

A liberação do vaping foi incluída na agenda regulatória da Anvisa, já houve um painel, duas audiências públicas e, entre fevereiro e outubro de 2019, funcionários do alto escalão da agência se reuniram seis vezes com executivos da Philip Morris para debater “novos produtos de tabaco no Brasil”. Em um desses encontros, a empresa se queixou de “entraves desarrazoados da área técnica” da Anvisa atrapalhando seus planos. A Philip Morris também tenta construir consenso na mídia, comprando espaços nos jornais de grande circulação – FolhaEstadão Globo – e lançando site para fazer campanha pelos dispositivos, embora propaganda de cigarro seja proibida no Brasil. 

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OutrosQuinhentos