Dias rebeldes

Houve manifestações em 11 estados contra Jair Bolsonaro. No resto do mundo, protestos contra o racismo seguem


Estátua de Edward Colston sendo jogada no rio em Bristol (Reino Unido)

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Conforme havia sido anunciado, ontem vários protestos contra Jair Bolsonaro aconteceram no país, com a defesa das vidas negras como principal grito. Houve manifestações em pelo menos 11 estados e no Distrito Federal, segundo informações da Folha. A maior delas, em São Paulo, terminou com bombas e 32 pessoas detidas.

Ontem, um editorial do Financial Times apontou Bolsonaro como alguém que “acendeu o medo” na democracia brasileira e disse que há risco crescente de uma virada autoritária. “É improvável que o Exército apoie um golpe militar para instalar Bolsonaro como um autocrata. Mas outros países devem observar: os riscos para a maior democracia da América Latina são reais e estão crescendo”, afirma o texto. E também: “Isso pode soar exagerado. Mas poucos presidentes eleitos atenderiam e contemplaria protestos nos quais os manifestantes pedem pelo fechamento do Congresso e da Suprema Corte, sendo substituídos por uma lei militar. Ainda assim, isso é o que o Sr. Bolsonaro fez – não uma, mas várias vezes. No fim de semana passado ele apareceu em uma dessas manifestações montado a cavalo”

Neste fim de semana, entretanto, não houve clima para aparições chocantes nem grandes sorrisos do presidente. Atos em favor dele também aconteceram em Brasília, em São Paulo e no Rio, mas muito mais tímidas. O próprio Bolsonaro havia pedido a seus apoiadores que não fossem às ruas no domingo, mas mesmo assim é inevitável comparar o volume de manifestantes.

A multidão que ocupou avenidas ontem, apesar da pandemia, é bem maior. Fora das ruas, o presidente recebeu ainda na sexta um grupo de líderes evangélicos que oraram contra a “baderna” e o “quebra-quebra”. Disseram que quem escolhe e retira as autoridaes públicas é “Deus”. “Que Deus livre o Brasil dessa praga e dessa pandemia, que esse espírito de morte seja repreendido da nossa nação”, rogou Silias Malafaia.

Em tempo: mundo afora, multidões continuam marchando em atos antirracistas. Uma das grandes cenas do domingo veio de Bristol, na Inglaterra, onde manifestantes derrubaram uma estátua de mais de cinco metros do traficante de escravos Edward Colston. Jogaram no rio.

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