Mais formados, mesmos problemas

Brasil passou a contar com quase 10 mil médicos a mais em 2020, mas a maior parte deles está em trẽs estados do Sudeste

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O Brasil passou a contar com 9.653 médicos nos cinco primeiros meses de 2020. A maior parte desse contingente – 5.173 – entrou no mercado graças à antecipação de formaturas por conta da pandemia. Mas a maior parte desses jovens profissionais (37%) estão concentrados em três estados do Sudeste: São Paulo, Rio e Minas. 

Os dados levantados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em parceria com a USP fortalecem os argumentos de que falta melhor distribuição de médicos no país. No total, temos 523.528 profissionais com registros ativos nos conselhos regionais de Medicina. Dá 2,5 médicos para cada grupo de mil habitantes. No Reino Unido, esse número é de 2,9; no Japão, de 2,4. Mas a realidade brasileira é muito distante da média, já que, por aqui, os profissionais estão concentrados. Há desproporção entre regiões; e, dentro dos estados, entre cidades do interior e capitais. Assim, o Distrito Federal tem 5,11 médicos por mil habitantes, mas o Pará tem 1,07. 

As ‘soluções’ desse problema não variam muito. O Conselho diz que falta infraestrutura em grande parte do país – o que é verdade – e defende maiores salários, sonhando com a criação de uma carreira como a do Judiciário… Os gestores têm vontade de partir para soluções pragmáticas, como foi o Mais Médicos, trazendo de fora profissionais dispostos a encarar as inúmeras dificuldades para levar atendimento à população… É preciso lembrar que o programa Mais Médicos tinha outras pernas, como a criação de vagas em faculdades (quase todas privadas); vagas essas que sofreram moratória no governo Temer… Quer dizer, tudo é muito difícil quando na equação entram a corporação médica, o desfinanciamento do SUS e a descontinuidade das políticas públicas.

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