Covid-19: Fiocruz aponta melhora no quadro nacional, mas recomenda cautela. Não é o caso do RJ, que reabre hoje em pleno colapso

Diante de incertezas, Conselho Nacional de Saúde entra com pedido no STF para lockdown nacional

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O último boletim do Infogripe, da Fiocruz é razoavelmente animador. Como se sabe, a iniciativa monitora os níveis de alerta para os casos reportados de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) e tem servido muito bem para acompanhar a pandemia no Brasil, a partir das hospitalizações, porque quase todos os casos de SRAG são hoje causados pelo novo coronavírus. 

Os autores mostram que, na semana de 28 de março a 3 de abril, houve no Brasil como um todo sinal de queda na tendência de longo prazo.

Os únicos estados com sinal de crescimento são Rio de Janeiro e Maranhão.

No Sul, todas as macrorregiões de saúde apresentam sinal de queda.

Há chances de que, em alguma medida, os dados estejam ofuscados por conta dos sistemas de saúde em colapso: se há superlotação nos hospitais, a queda das internações pode acontecer simplesmente porque eles não conseguem mais dar conta de atender a novos pacientes.

Mas em vários estados os números positivos começam a aparecer pouco depois de decretadas medidas mais restritivas de mobilidade, o que reforça o que já sabíamos: elas funcionam.

O boletim não indica, no entanto, que está tudo bem.

Ao contrário, o número de hospitalizações por covid-19 em todas as regiões continua muito alto e, mesmo com a diminuição, em geral ainda estão acima dos picos de novembro, como nota Marcelo Gomes, coordenador do Infogripe.

Em São Paulo as hospitalizações estão caindo indubitavelmente, mas ainda assim 88% das vagas de UTI estão cheias. E continua havendo outros problemas relacionados a isso: quase 40% dos serviços municipais do estado estão com estoque zerado de bloqueadores musculares e sedativos, usados na intubação.

Para não morrer na praia

Obviamente, ainda não é hora de relaxar. “Precisamos de no mínimo duas semanas de queda nos novos casos para começar a liberar leitos. Para UTI esse tempo é maior ainda. Isso é consequência da evolução natural da doença”, sublinha  Gomes.

Ou seja: fazer como o Rio de Janeiro, que já deve reabrir hoje seus bares, restaurantes e cinemas, é correr o risco de jogar pelo ralo os últimos esforços, que ainda nem chegaram a ter grandes impactos.

O estado é justamente um daqueles que ainda apresenta tendência de crescimento, segundo o Infogripe. 

A fila de espera por leitos de UTI acabou de ter a primeira queda após três dias de alta. Mas ainda há mais de 600 pacientes aguardando vaga… 

No Distrito Federal, onde a ocupação está em 100%, o governador Ibaneis Rocha (MDB) decretou o fim do lockdown. A Justiça determinou ontem a retomada das restrições, mas o governo vai recorrer.

Ir à Justiça, aliás, foi a decisão do Conselho Nacional de Saúde e das entidades que integram a Frente pela Vida. Em conjunto, eles entraram com um pedido no STF para que seja implementado um lockdown nacional de 21 dias, com auxílio emergencial de R$ 600

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