As muitas omissões do prefeito de Chapecó na sua defesa da cloroquina

João Rodrigues omite que decretou fechamento de comércios para emplacar narrativa bolsonarista em prol de medicamento sem eficácia para a covid-19

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Ontem Jair Bolsonaro anunciou que irá a Chapecó, em Santa Catarina, para conhecer o “trabalho excepcional” do prefeito João Rodrigues (PSD) na pandemia. “Para exatamente não só ver, mas para mostrar a todo o Brasil que o vírus é grave e que seus efeitos têm como ser combatidos”, disse ele.

Rodrigues assumiu em janeiro, é um entusiasta do tratamento precoce contra o coronavírus e, logo no começo do mandato, montou um ambulatório específico para isso. No domingo, publicou um vídeo nas redes sociais afirmando ter conseguido dessa forma reduzir casos e mortes no município, que o número de internações estava “próximo de zero” e que outros gestores deveriam seguir seu exemplo. O presidente, claro, compartilhou a postagem.

Só que o prefeito omitiu alguns detalhes. Ainda em janeiro, ele liberou eventos antes restritos (como grandes festas), ampliou o funcionamento de bares e permitiu shows de música ao vivo. Houve uma explosão de casos e mortes. Em fevereiro, com a saúde em colapso, Rodrigues decretou o fechamento do comércio, bares e restaurantes, além de um toque de recolher durante duas semanas – restrições mais duras do que no resto do estado. Somente depois disso, os casos começaram a cair.

Em entrevista ao NCS Total, ele reconheceu que o “lockdown parcial” contribuiu para a melhora… Mas disse que estão “sobrando leitos à vontade”, o que é mentira – o quadro segue preocupante. Segundo os boletins da própria prefeitura, 100% dos leitos públicos e privados para covid-19 estão ocupados. Quando Rodrigues assumiu a prefeitura, a cidade tinha 123 óbitos. Hoje, são 537. Mesmo com a redução nas internações em relação a fevereiro, elas ainda estão muito acima do patamar de janeiro (193 pacientes internados ontem, contra 69 no começo do ano). 

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