O bolsonarismo ainda espalha mentiras sobre a CoronaVac

Apesar da mudança de Jair Bolsonaro em relação às vacinas, sua base ainda ferve com fakenews sobre imunizantes — e alvo preferencial ainda é a vacina produzida pelo Instituto Butantan

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Um vídeo que circula nas redes sociais sugere que a CoronaVac não esteja funcionando no município de Serrana (SP), escolhido pelo Instituto Butantan para testar os efeitos da imunização em massa.

Como se sabe, o chamado ‘Projeto S’ envolve oferta do imunizante a toda a população da cidade. Dos 45 mil habitantes, quase 30 mil aderiram, o que certamente significa a maioria dos adultos. O estudo começou em meados de fevereiro e boa parte das pessoas já foram imunizadas: apenas 35% ainda não receberam a segunda dose, e o farão até este domingo, dia 11. 

Pois bem. No vídeo, o youtuber Gustavo Gayer questiona o aumento de 1000% nas mortes por covid na cidade entre fevereiro e março. Foi um bálsamo para negacionistas nas redes sociais. 

Como mostra o Estadão, o aumento realmente foi grande, de 900%: fevereiro teve apenas duas mortes, contra 20 em março.

Mas ligar isso a uma suposta ineficácia da vacina – ou, como diz Gayer, afirmar “que é estranho e deve ser investigado” – é apenas má fé.

O público-alvo foi dividido em quatro grupos, e o primeiro deles começou a receber a primeira dose em 17 de fevereiro, e a segunda dose apenas em 17 de março. Como leva em média 15 dias para o efeito da proteção aparecer, só daria para começar a percebê-lo a partir do fim do mês passado. E isso sem contar os outros três grupos, cuja imunização foi acontecendo depois. O boom nas mortes, portanto, não tem nada a ver com a vacina.

Os resultados do projeto serão obtidos apenas a partir de maio. Mas o que a Vigilância Epidemiológica do município percebeu nos últimos dias é na verdade muito animador – o número de novas infecções ainda é altíssimo, mas, em dez dias, o número de pacientes atendidos na UPA caiu 55%, e a proporção de pessoas com complicações é sete vezes menor. 

O Butantan é cauteloso, reforçando que ainda é cedo para tirar conclusões. 

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