Coronavírus: órgão dos EUA admite possibilidade de transmissão pelo ar

Evidências se acumulam há meses; em setembro, governo americano publicou e retirou do ar diretrizes com teor semelhante

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Quando a OMS reconheceu que o SARS-CoV-2 podia ser transmitido pelo ar, em julho, já havia um conjunto de evidências que sustentavam isso – e a comunidade científica internacional vinha pressionando para que a entidade se manifestasse nesse sentido. Ontem foi a vez de o CDC (Centro de Controle e Doenças dos EUA) atualizar seu documento sobre as formas de contaminação, incluindo finalmente a transmissão pelo ar, via aerossóis. Isso significa reconhecer que o vírus pode ficar em suspensão durante algum tempo e alcançar distâncias maiores do que dois metros. 

Você deve se lembrar do tumulto que o órgão gerou há duas semanas quando publicou – e retirou em seguida – diretrizes que reconheciam esse tipo de transmissão. A remoção ocorreu sob a justificativa de que o texto havia sido postado por engano, e ele era muito impactante: dizia que “a principal forma de propagação do vírus” era por meio de  “gotículas respiratórias ou pequenas partículas, como as dos aerossóis, produzidas quando uma pessoa infectada tosse, espirra, canta, fala, ou respira”. Agora, isso ficou atenuado. O novo texto diz que essa transmissão pode acontecer, mas que o mais comum é o vírus se espalhar quando as pessoas estão próximas a alguém infectado. 

Alguns cientistas concordam com essa conclusão, mas não há unanimidade. No início da semana, vários pesquisadores publicaram uma carta na Science Magazine apontando evidências de que a transmissão pelo ar é, na verdade, um importante meio de propagação do vírus. E seria a explicação mais provável para vários eventos de superespalhamento

A propósito, o site do Ministério da Saúde brasileiro ainda não inclui os aerossóis como forrma de contaminação.

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