Como um exame simples pode ajudar a salvar pacientes com covid-19

Teste indica momento certo de usar esteroides no tratamento, diz pesquisa. Riscos de morrer ou precisar de ventilação caíram 75%

Este texto faz parte da nossa newsletter do dia 23 de julho. Leia a edição inteira.
Para receber a news toda manhã em seu e-mail, de graça, clique aqui.

Quando pesquisadores de Oxford verificaram que a dexametasona aumenta a sobrevida de pacientes de covid-19 hospitalizados, no mês passado, a notícia foi celebrada, e com razão. Afinal, o medicamento havia reduzido em um terço as taxas de mortalidade dos pacientes graves, que estavam submetidos à ventilação mecânica, e em um quinto a dos que recebiam oxigênio. E a descoberta foi no âmbito do Recovery, um enorme estudo randomizado e controlado por placebo. 

Agora, um novo trabalho publicado no Journal of Hospital Medicine mostra quem tem mais chances de se beneficiar com o tratamento, e não só com a dexametasona mas também com outros esteroides: a prednisona e a metilprednisolona . Mais ainda, os cientistas viram que dá para identificar esses pacientes por um exame de sangue simples e barato.

Efeitos positivos de esteroides têm sido relatados por médicos desde o começo da pandemia, mas especialistas já haviam alertado sobre o perigo de oferecê-los cedo demais. Isso porque eles não agem atacando o coronavírus, e sim suprimem o sistema imunológico – em alguns pacientes a doença parece se agravar por uma resposta forte demais desse sistema, de modo que a supressão é bem-vinda. Se tomados muito cedo, porém, os remédios poderiam impedir a resposta imune e evitar a recuperação do organismo. 

O que os pesquisadores fizeram nesse estudo mais recente, observacional, foi analisar os dados de 1.806 pessoas internadas em quatro hospitais. Eles viram que, nos pacientes que tinham altos níveis de um indicador de inflamação chamado proteína C reativa, os resultados do tratamento com esteroides foram muito bons: suas chances de morrer ou de precisar de um ventilador caíam 75%. Por outro lado, quem tinha baixos níveis dessa proteína teve nada menos que o dobro das chances de morrer ou de precisar de ventilação. Assim, um exame de sangue para identificar a proteína poderia servir para definir se essas substâncias devem ou não ser administradas. 

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OutrosQuinhentos