Com novos recordes, pandemia chega a 1,5 milhão de mortes

Estados Unidos batem três mil óbitos em um dia, com cem mil internações simultâneas. No leste asiático, Coreia do Sul lança megaoperação logística para garantir ‘vestibular’

Foto: Dawn Endico | Creative Commons

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O número de mortos pela covid-19 no mundo bateu 1,5 milhão ontem. A cifra é maior do que o total de óbitos por tuberculose em todo o ano passado (1,4 milhão) – sendo que a tuberculose é a doença infecciosa que mais mata no planeta. Por um lado, a chegada iminente das vacinas deve começar aos poucos a frear os números; por outro, há neste momento recordes sendo batidos em vários cantos, e provavelmente as coisas ainda vão piorar bastante antes que melhorem. 

Esta semana os Estados Unidos chegaram pela primeira vez a mais de três mil mortes registradas em um único dia, ao mesmo tempo em que o número de internações simultâneas por covid-19 chegou a cem mil. Isso é mais que o dobro do que se observava um mês atrás. Por lá, são quase 280 mil vítimas até agora. Já a Itália registrou ontem 993 mortes em 24 horas, um número que seria grande mesmo em países continentais; o recorde anterior era do começo da pandemia, quando houve 969 mortes no início de março. A França tem novos picos diários quase toda semana desde outubro. A Alemanha chegou a um milhão de casos registrados.

Mesmo no leste asiático, onde em geral os países têm conseguido administrar muito bem a pandemia, há sinais de alerta. No Japão, hospitais das áreas mais afetadas suspenderam o tratamento para o câncer e outras doenças para darem conta do coronavírus. Na Coreia do Sul os casos atingiram o maior número dos últimos nove meses; para nós, não parece muito, já que são 629 casos (e não mortes). Com isso, em Seul, foram adotadas restrições de horário para o comércio; e as autoridades pediram que a população de todo o país cancele suas festas de Natal e Ano Novo.

Para o governo sul-coreano, uma preocupação extra são os exames de admissão para a universidade, que aconteceram esta semana. Com quase meio milhão de alunos ocupando 31 mil salas de aula ao mesmo tempo, as chances de eventos de superespalhamento não eram pequenas. Vale a pena ler, no New York Times, como foi o esquema para oferecer segurança e não deixar os alunos para trás – já que, ao contrário do que se vê por aqui, a educação é uma prioridade naquele paíse mais de 70% dos jovens têm ensino superior.

“As clínicas de saúde administradas pelo governo pernoitavam para testar os alunos e examinar qualquer pessoa infectada com o vírus no último minuto. Aqueles com febre ou dor de garganta eram escoltados para salas separadas para fazer os exames”, diz a matéria. Nem mesmo os alunos que testaram positivo foram privados de fazer as provas: “O Ministério da Educação e as autoridades de saúde prepararam câmaras de pressão negativa no Centro Médico de Seul e 24 outros hospitais para que 35 alunos com covid-19 pudessem fazer seus exames enquanto os administradores de exames vestindo roupas de proteção Nível-D vigiavam”. 

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