Com mais dados, Sputnik V relata alta eficácia

Vacina russa apresentou eficácia de 91,4% para administração em duas doses. Fundo que financia a pesquisa promete vender imunizante por metade do preço da Pfizer

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Mais uma candidata a vacina teve uma alta eficácia divulgada ontem: a Sputnik V. É verdade que o governo russo já tinha dito duas semanas atrás que havia uma eficácia de 92%, mas na época a informação partia apenas dos dados de 20 infecções encontradas ao longo da fase 3 dos ensaios. Agora, esse número subiu para 39 casos, oito no grupo que recebeu a vacina e 31 no que tomou o placebo (nesse ensaio, só 25% dos voluntários receberam o placebo). O imunizante foi aplicado em duas doses e a eficácia foi calculada em 91,4% sete dias após a segunda dose. Quando observados 21 dias após a segunda dose, os dados indicam uma proteção ainda maior, de 95%. A próxima análise preliminar vai ser feita quando foram identificados 78 casos de infecção.

Assim como a vacina de Oxford, a Sputnik V usa um adenovírus como vetor. Para evitar que a resposta imunológica ao vetor atrapalhasse o impacto da injeção de reforço (como parece acontecer com o imunizante de Oxford), foram usados adenovírus diferentes em cada dose.

Kirill Dmitriev, presidente do Fundo Russo de Investimentos Diretos (que financia a pesquisa) disse que os desenvolvedores planejam publicar os resultados em um periódico científico, com revisão de pares. Ele afirmou ainda que cada dose deve ser vendida por cerca de US$ 10, um preço semelhante ao da CoronaVac no contrato com o Instituto Butantan (US$ 10,40).  Seria então muito mais cara que a de Oxford (US$ 3 a US$ 4), mas bem mais em conta do que as opções da Pfizer (US$ 19,50), e da Moderna (US$ 25). Importante dizer que a Sputnik V só exige resfriamento padrão, o que facilita a logística de distribuição.

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