Chamada à razão

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Cientistas que auxiliam o Ministério da Saúde na construção do plano operacional de vacinação publicaram ontem à noite uma nota pedindo que o governo federal abra imediatamente negociações com o Instituto Butantan, “que já teria condições de oferta de doses de vacinas, com outras empresas que trabalham com a vacina CoronaVac e com outras vacinas candidatas em fase final de estudos de eficácia”. Eles defendem que as decisões sejam baseadas em ciência em vez de “em eventuais cenários políticos de fundo” e que a vacinação comece “o quanto antes”. 

O documento não é assinado, mas foi escrito pelo grupo técnico do eixo epidemiológico que trabalha no plano, formado por especialistas da Fiocruz, da OMS, da Opas (a Organização Pan-americana de Saúde), de universidades como a USP e a Ufes e ainda de diversos conselhos e organizações. Entre suas atribuições, está a de definir os grupos prioritários que devem receber as vacinas. Seu argumento central é o de que as doses acordadas pelo ministério não são suficientes para imunizar nem mesmo estes grupos. “Nos causa preocupação constatar que, até o momento, a única alternativa à vacina da AstraZeneca incluída no planejamento seja aquela ofertada pela Pfizer, justamente a que apresenta o maior desafio logístico para incorporação à estratégia nacional de vacinação por conta da cadeia de frio necessária”, diz o texto.

A nota foi publicada pouco depois de o ministério anunciar a retirada das pessoas privadas de liberdade dos grupos prioritários para receber a vacina. A pasta retirou a população carcerária da lista, mas manteve agentes do sistema prisional. A justificativa é bizarra: os presos seriam jovens. Questionado, o ministério disse que “o Brasil e o mundo ainda carecem de mais estudos quanto à taxa de transmissibilidade e de letalidade para que se justifique a priorização do grupo daqueles privados de liberdade”. 

Segundo os cientistas, na verdade deveria haver uma ampliação da população que precisa ser atendida, e não sua redução. “Nós [os especialistas] falarmos qual é a população que precisa ser considerada prioritária e então o ministério garante a vacina para eles. E não o ministério falar ‘a dose é essa’ e aí nós delimitamos quem é prioridade”, diz a epidemiologista Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo. Ela publicou a íntegra da nota em seu Twitter.

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