Brasil vive o “maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil”, diz Fiocruz

Das 27 unidades federativas, 25 têm mais de 80% das UTIs lotadas. Em 15delas, taxa é maior que 90%

Foto: Ary Bassous

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Em mais um boletim extraordinário, o Observatório Covid-19 da Fiocruz traz um mapa do Brasil quase completamente pintado de vermelho: é o símbolo do alerta crítico. Só dois estados – Rio de Janeiro e Roraima – estão amarelos, em alerta médio. É a pior figura desde julho do ano passado; mais grave mesmo do que a apresentada quatro dias antes, quando a instituição advertiu que vivíamos o pior momento da pandemia. Estão se esgotando as palavras que deem conta de descrever o que se passa. Ontem, os pesquisadores responsáveis pelo boletim usaram as mais duras e diretas possíveis: este já é o “maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil”

E deve piorar. A evolução dos últimos números mostra essa tendência, muito difícil de ser freada. São agora 25 unidades federativas com taxas de ocupação de UTI acima de 80% (na avaliação anterior, do dia 12/3, eram 20), sendo que 15 delas estão acima de 90% (antes eram 13). Se antes 16 capitais estavam com mais de 90% dos leitos de UTI ocupados, agora são nada menos que 19. “A situação é absolutamente crítica”, diz o documento. 

Ressaltamos que estar em amarelo no mapa não é, de forma alguma, sinônimo de bonança. O alerta deve ser levado a sério: Roraima tem 73% de ocupação das UTIs e o Rio está em 79% (já beirando a zona crítica), com sinais de crescimento.

Ontem foi (mais uma vez) o pior dia da pandemia até aqui. O Ministério da Saúde registrou 2.841 mortes em 24 horas e ainda há cerca de três mil em investigação pelos estados. Os veículos de imprensa, que fecharam seu balanço um pouco antes do Ministério, contabilizaram um número um pouco mais baixo, de 2.798 óbitos. A média móvel já está em 1.976; há duas semanas, ela era de 1.274. 

Quanto à média móvel nos estados, oito deles bateram recordes ontem: São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás, Santa Catarina, Mato Grosso, Paraíba, Tocantins e Acre.

“Imagine você não poder respirar, como se estivesse se afogando, mas consciente. O médico chega e diz que ‘você vai ter que ser intubado’. Nesse momento a pessoa está lúcida, está com falta de ar, mas está entendendo. Nós temos ouvido, antes da sedação para intubação, que é o procedimento para colocar no ventilador, frases muito difíceis de ouvir, que devem ser muito difíceis de falar, por exemplo: ‘Cuide de mim que eu não quero morrer’, ‘avise minha esposa que eu amo ela’, ‘avise meu filho que o pai não vai esquecer dele’”, apelou disse recentemente, de voz embargada, o diretor superintendente do Hospital do Trabalhador em Curitiba, Geci de Souza Júnior. Por lá, diretores de hospitais pediram à prefeitura que decretasse lockdown – o que foi feito.

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