Brasil fechou e flexibilizou cedo

Maior parte dos municípios adotou restrições antes de confirmar primeiro caso de covid-19. Flexibilização posterior foi dessincronizada

Foto: Reprodução

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Pesquisadores da USP, da Universidade de Oxford e do Imperial College analisaram dados sobre a conduta dos prefeitos na pandemia. O levantamento foi feito pela Confederação Nacional dos Municípios em questionário respondido por 4.061 cidades, ou 73% do total do país. Quase 70% dos gestores que adotaram restrições afirmaram que tomaram essa decisão antes de confirmar o primeiro caso da doença. Já a flexibilização das quarentenas, confirmada em 61,9% dos casos, aconteceu de forma precipitada, principalmente em abril e maio.

“Diferentemente da implantação das medidas não farmacológicas (como distanciamento social), a flexibilização foi extremamente dessincronizada. (…) A maioria dos municípios que registrou picos de ao menos 20 casos novos por dia flexibilizou as restrições antes de chegar nesse patamar”, afirmou  a diretora do Centro de Estudos sobre o Brasil da Universidade de Oxford, Andreza Santos, em entrevista ao Estadão. O estudo, que será lançado hoje, indica que faltou coordenação nacional. 

E o Brasil registrou ontem 516 mortes. O número ficou abaixo de 800 pelo segundo dia consecutivo, mas, como acontece nos finais de semana, o feriado pode ter impactado a contagem nos estados. Mesmo assim, a média móvel de óbitos continua em tendência de queda: chegou a 691, a menor registrada desde 14 de maio. Temos 127,5 mil mortes e 4,1 milhões de infecções registradas no total.

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