Bolsonaro sobre 100 mil mortes: “Vamos tocar a vida”

Marca deve ser atingida no fim de semana. Casos conhecidos já somam quase três milhões

Imagem: Brum

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“A gente lamenta todas as mortes, está chegando a 100 mil, vamos tocar a vida e buscar uma maneira de se safar desse problema”. O comentário de Jair Bolsonaro em sua transmissão ao vivo de ontem não é nada além do esperado. A marca das cem mil mores deve ser atingida no fim de semana –. ontem foram registradas mais 1.226, levando o total a 98.644. As infecções conhecidas já são 2.917.562. 

Mais cedo, ele assinou a MP que destina R$ 1,9 bilhão para o acordo entre a Fiocruz e a AstraZeneca, para a compra de 100 milhões de doses da futura vacina e para a transferência de tecnologia que vai possibilitar a produção na Fiocruz. De forma completamente irresponsável, disse que, quando a vacina puder ser produzida (“em dezembro, janeiro”) levará poucas semanas para que “este problema” esteja “vencido”.

Na ocasião, aproveitou para afirmar que está “com a consciência tranquila” e que fez “o possível e o impossível” para salvara vidas. Como um disco engasgado, obviamente voltou a defender o uso precoce da hidroxicloroquina. Mas a falta de noção atingiu novos patamares: “Tínhamos um protocolo do ministro primeiro da Saúde [Luiz Henrique Mandetta] que mandava aplicar apenas em estado grave a hidroxicloroquina. É jogar comprimido fora. Não precisa ter conhecimento nem cérebro para entender que é jogar comprimido fora e perder vidas”. Difícil comentar.

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