As suspeitas de reinfecção de covid-19 no Brasil

Em São Paulo, duas pacientes testam positivo novamente meses após recuperação. O que se sabe sobre os casos de reincidência?

Este texto faz parte da nossa newsletter do dia 6 de agosto. Leia a edição inteira.
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Pesquisadores da USP identificaram um possível caso de reinfecção pelo novo coronavírus em uma paciente de Ribeirão Preto. Uma técnica de enfermagem teve diagnóstico confirmado em maio por um teste RT-PCR. Em menos de duas semanas os sintomas desapareceram e ela voltou a trabalhar. Mas, 38 dias depois, manifestou sinais da doença novamente e um novo PCR deu resultado positivo. Segundo os autores, “a constatação traz implicações clínicas e epidemiológicas que precisam ser analisadas com cuidado pelas autoridades em saúde”. O caso foi descrito em um estudo divulgado pelo G1, mas até o envio desta newsletter, não localizamos o artigo original. 

Também em São Paulo, a secretária de Saúde de Santa Bárbara d’Oeste diz ter se infectado duas vezes. Lucimeire Rocha afirma ter tido sintomas leves em maio, quando um primeiro teste teve resultado positivo. Ela voltou a se sentir mal em julho, testou positivo novamente e chegou a ser internada. 

Não são os primeiros casos de supostas reinfecções. Já mencionamos aqui outros relatos semelhantes (na Coreia do Sul e nos Estados Unidos), e ainda não se sabe muito bem o que eles significam. Há alguns meses, a OMS afirmou que não se trata de casos ativos, mas que os testes reagiam com células mortas que emergiam da cicatrização dos pulmões. A presença de sintomas, porém, dificulta a interpretação.

É possível, por exemplo, que as supostas novas infecções sejam na verdade uma gripe comum: “O RNA viral – o material genético detectado pelos testes de diagnóstico – pode permanecer no organismo por um longo tempo, e as pessoas podem ter resultados positivos por meses depois de terem eliminado o vírus real. Se alguém pegar uma gripe e procurar o médico, poderá fazer o teste do coronavírus, obter um resultado positivo e isso pode ser tomado erroneamente como um caso de reinfecção“, explica a reportagem do site The Atlantic. A única forma de determinar se houve de fato uma reinfecção seria sequenciar os genes do vírus. 

A propósito: a matéria que contém essa discussão é provavelmente a mais completa que já encontramos sobre o sistema imunológico e os estudos que tratam de imunidade e covid-19. Vale muito a pena ler, guardar e eventualmente consultar: embora o repórter Ed Yong repita um monte de vezes que “o sistema imunológico é muito complicado”, o texto tenta – com bastante sucesso – dar explicações acessíveis.

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