Ânimos acirrados

Depois de estreia da vacina em São Paulo, Jair Bolsonaro some e Pazuello se irrita

Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

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As reações de Jair Bolsonaro e Eduardo Pazuello ao início da vacinação em São Paulo foram bem sintomáticas. No caso do presidente, houve uma não-reação: até onde sabemos, ele não deu um pio sobre o dia de ontem. Já o ministro da Saúde ficou… irritado. João Doria mal tinha acabado de posar para as câmeras e o general Pazuello já estava diante de jornalistas, criticando o governador de São Paulo e até mesmo tentando atrair para o governo federal os esforços em torno da CoronaVac: “O Ministério da Saúde vem trabalhando junto com o Butantan no desenvolvimento da vacina desde o início. Você sabia que tudo o que foi comprado pelo Butantan foi com recursos do SUS? Não foi com um centavo de São Paulo“, disse ele, tentando – sem sucesso – soprar para longe todo o histórico de ódio do presidente Jair Bolsonaro contra a “vachina”.

O general também condenou a (mais do que previsível) “propaganda própria” do governador paulista. Disse que tem as vacinas de AstraZeneca e do Butantan em mãos e que poderia  “em um ato simbólico ou em uma jogada de marketing, iniciar a primeira dose em uma pessoa”, mas não faria isso “em respeito a todos os governadores, prefeitos e todos os brasileiros”. Na verdade, o Ministério da Saúde não tinha dose nenhuma “em mãos”. As da AstraZeneca continuam na Índia, e as da CoronaVac ainda estavam no Butantan.

Por fim, Pauzello afirmou que a aplicação das primeiras vacinas em SP foi ilegal, por conta do acordo de exclusividade entre o Butantan e o SUS. Na verdade, vários governadores parecem ter se incomodado com o gesto de Doria. A reportagem da Folha diz que as opiniões ficaram divididas no grupo de WhatsApp dos gestores, com muitas críticas ao fato de a vacinação não começar em todo o país ao mesmo tempo.

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