Abismo social se alarga na pandemia

No Brasil, 42 pessoas ganharam US$ 34 bilhões entre março e julho. Em vez de taxar fortunas, reforma tributária do governo vai contra justiça fiscal

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Para 52 milhões de pessoas na América Latina a pandemia pode significar a entrada na pobreza. Mas há quem tenha enriquecido ainda mais. Um levantamento da Oxfam revela que a fortuna dos 73 bilionários latino-americanos aumentou nada menos do que US$ 48,2 bilhões no período que vai de 18 de março a 12 de julho. A maior fatia desse bolo está justamente no Brasil. Por aqui, 42 pessoas ganharam US$ 34 bilhões nesse contexto, num total que chega a R$ 157,1 bi.

Os dados revelam a importância de se taxar a riqueza para diminuir a desigualdade. Mas o governo, é claro, vai na contramão da justiça fiscal. Ontem, Paulo Guedes anunciou que vai ‘antecipar’ o envio de duas etapas da sua atrasada proposta de reforma tributária. Até o dia 15 de agosto, a equipe econômica deve enviar uma proposta para a desoneração da folha de pagamentos e para a criação de um imposto sobre pagamentos eletrônicos (a nova CPMF).

Mas as mudanças que têm algum potencial redistributivo ficarão para depois. A lista inclui a tributação sobre dividendos, isentos no Brasil, mudanças no Imposto de Renda, como a redução de alíquotas (o que é ruim) e o fim das deduções para saúde e educação privadas. 

A propósito: um estudo do Ibre/FGV reforçou o potencial do auxílio emergencial. Segundo os pesquisadores, o número de pessoas vivendo abaixo da linha da extrema pobreza caiu de 8,8 milhões para 6,9 milhões entre maio e junho – ou 3,3% da população. Até então, o melhor resultado da série histórica antes da pandemia tinha sido verificado em 2014, quando 4,2% dos brasileiros estavam nessa situação. 

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