A queda nas economias dos EUA e da Alemanha – e como fica o Brasil

PIB dos dois países caiu em torno de 10%. Opas reforça: não há como retomar crescimento econômico sem controlar pandemia

Este texto faz parte da nossa newsletter do dia 30 de julho. Leia a edição inteira.
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Os Estados Unidos e a Alemanha informaram ontem que registraram reduções históricas em suas economias: o PIB dos EUA caiu 9,5% no segundo trimestre deste ano em relação ao primeiro; na Alemanha, a queda foi de 10,1%. O desemprego nos Estados Unidos voltou a crescer, depois de ter dado sinais de recuperação: só na semana passada, mais de 1,4 milhão de pessoas pediram o seguro-desemprego. O efeito positivo da reabertura econômica, afinal, não vingou. 

E não deve vingar no Brasil também: “Não basta liberar a abertura da economia, porque as pessoas estão constrangidas e inseguras. Em vários locais os casos estão aumentando”, explica o economista André Perfeito, no El País.

Por aqui, os dados do PIB de abril a junho só vão sair em setembro, mas a expectativa não é nada boa – a projeção do boletim Focus é de um recuo de 5,77% no fim de 2020, enquanto o FMI fala em 9%. E a queda da economia dos Estados Unidos e de países europeus deve trazer estragos: “O Brasil, nos últimos anos, tem passado por um processo de enfraquecimento da integração com a economia global como um todo. O Brasil era uma economia muito mais complexa no sentido de relações de importação e exportação, envolvendo não só o setor agrícola como o setor industrial. E, nos últimos anos, a nossa competitividade tem caído bastante. Então, olhando para um cenário de médio prazo, em que, aparentemente, há sinais de que as economias de países desenvolvidos tendem a ter uma preocupação maior em desenvolver uma produção interna mais ampla, que dependa menos de produções externas, isso pode levar o Brasil a enfrentar grandes dificuldades“, avalia no Nexo o professor Alexandre Uehara, coordenador acadêmico do Centro Brasileiro de Estudos de Negócios Internacionais da ESPM.

Ele diz que havia certo otimismo devido aos dados da China, que enfrentou uma forte queda junto com os primeiros impactos da pandemia e, em seguida, a recuperação. Só que nos Estados Unidos a pandemia nunca foi controlada. E, na Europa, há o grande temor de uma segunda onda. Mesmo a Alemanha, tida como exemplo de enfrentamento no Ocidente, nunca chegou a baixar seu número diário de novos casos até um patamar de dois dígitos. 

Em tempo: um relatório conjunto da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) e da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) lançado ontem reforçou que é ilusória a ideia de retomar o crescimento econômico sem antes controlar a pandemia

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