A amiga do general

Eduardo Pazuello indicou mulher sem experiência alguma para cargo do Ministério da Saúde em Pernambuco. Paula Amorim, antes desempregada, passou a receber R$ 10 mil

Este texto faz parte da nossa newsletter do dia 30 de julho. Leia a edição inteira.
Para receber a news toda manhã em seu e-mail, de graça, clique aqui.

O general Eduardo Pazuello indicou uma amiga sem experiência em saúde ou gestão pública para um cargo no Ministério. O nome da beneficiada com a indicação é Paula Amorim, que passou a receber R$ 10 mil mensais para chefiar o núcleo estadual da pasta em Pernambuco. A nomeação já faz algum tempo – aconteceu em 15 de junho, assim que o general assumiu interinamente – e veio à tona em uma reportagem de Igor Gielow publicada ontem.

Questionado pelo repórter, o ministro interino respondeu por meio da sua assessoria que é isso mesmo – eles são amigos “há cerca de 30 anos” –, e ainda deu detalhes: foram “apresentados por conhecidos em comum”. A conclusão? A indicação se baseou na “relação de confiança e amizade” entre ambos, diz o Ministério que ainda argumenta que experiência na área não é pré-requisito. Se fosse, Pazuello não seria ministro.  

Do mesmo jeito que o general da ativa atrapalha a resposta à pandemia diretamente de Brasília, sua inexperiente amiga está causando entraves em Pernambuco. Sob seu comando, o núcleo deixa até a Advocacia-Geral da União (AGU) a ver navios: o órgão enviou um ofício em 9 de junho e, mais de um mês depois, teve de fazer uma queixa, já que nunca recebeu uma resposta. Paula Amorim não ocupou um cargo vago. Para contemplar a amiga que estava – como ela mesmo admite – desempregada antes de assumir o posto, Pazuello destituiu a enfermeira Kamila Correia, que estava há quase três anos na chefia do núcleo pernambucano. 

“Eu fiquei uns 40 dias no Ministério, me inteirando”, diz a amiga do general na reportagem, como se isso fosse suficiente. À guisa de currículo, Paula Amorim afirma ter sido no passado “assessora de um governador” – mas não informa qual ou quando. 

Pazuello mexeu nas chefias de outras coordenações regionais, com a do Rio. A amiga do general explica que ele considera os coordenadores estaduais “seus olhos e braços”. Sabíamos que desde que se sentou na cadeira, o eterno interino cercou-se de militares sem experiência. A revelação de Gielow mostra que o buraco é ainda mais fundo. 

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OutrosQuinhentos