Piseagrama: vida compartilhada nas cidades

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Bela e inovadora, revista mineira propõe discutir, (re)imaginar e transformar espaço público. Precisa levantar, no Catarse, R$ 50 mil. Você pode ajudar

Por Fernanda Regaldo, Renata Marquez, Roberto Andrés e Wellington Cançado

Junho de 2013 viu explodir, além de bombas nas avenidas, a discussão sobre serviços públicos e condições de vida nas cidades brasileiras. Foi como se o país se desse conta, de repente, de todo o atraso na discussão de mobilidade urbana, moradia, espaços públicos e outros temas que costumam ficar relegados à academia ou às reclamações cidadãs nos cadernos de ‘cotidiano’ dos jornais. A discussão apenas se iniciava, mas foi logo abandonada com o arrefecimento das manifestações.

Foi em busca de promover o debate sobre cidades e esfera pública que, em 2011, lançamos a Piseagrama. A proposta da revista é abordar os espaços públicos – existentes, urgentes, imaginários – a partir de uma rede de colaboradores de diversas áreas do pensamento. Com apoio do Ministério da Cultura, os seis primeiros números abordaram os temas Acesso, Progresso, Recreio, Vizinhança, Descarte e Cultivo, e circularam o Brasil com ensaios visuais, experimentações artísticas, práticas espaciais, textos críticos e investigativos, microhistórias e narrativas do cotidiano.

Já em 2011, publicamos um artigo do engenheiro Lucio Gregori intitulado “A Iniquidade da Tarifa”, que narrava a tentativa de implementação da Tarifa Zero na gestão de Luiza Erundina e elencava argumentos pelo subsídio do transporte. No mesmo número, Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, apresentava as transformações urbanas da capital colombiana e Maider Lopez, artista do País Basco, publicava em um ensaio visual um engarrafamento organizado num domingo ensolarado na montanha.

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A confluência entre campos disciplinares e práticas variadas foi a aposta para uma abordagem ampla das várias questões que envolvem as cidades e os espaços públicos. Afinal, todos têm algo a dizer sobre os modos como vivemos e como nos deslocamos, sobre nossa relação com os recursos naturais e com o ambiente urbano. Já publicaram na Piseagrama artistas, arquitetos, designers, líderes indígenas, filósofos, sociólogos, políticos, vendedores ambulantes, promotores públicos, lixeiros, jardineiros, fotógrafos, ambientalistas, mergulhadores de esgoto e tantos outros.

Hoje a revista tenta se estabelecer independente de recursos de editais, a partir da criação de uma rede de colaboração com leitores. Lançamos uma chamada para financiamento colaborativo no Catarse, em que o apoio é convertido em assinaturas. A revista impressa terá periodicidade semestral, constituindo dossiês temáticos sobre as questões abordadas.

Em paralelo, pretendemos constituir canais na internet para debates locais, com frequência intensa de publicação, formando uma comunidade interconectada e colaborativa interessada em discutir, (re)imaginar e transformar o espaço público de diversas cidades. A aposta na convergência de conteúdos locais ainda não foi feita de maneira estruturada no Brasil, apesar da continuada descentralização dos produtores de informação na Internet.

Todo o conteúdo das edições anteriores está disponível gratuitamente na Internet. A campanha de financiamento colaborativo vai até 21 de novembro.

 

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Roberto Andres

Roberto Andrés é editor da revista Piseagrama

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