Uma chance de debater a matriz energética brasileira

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Termelétrica de Candiota, no Rio Grande do Sul: uma das maiores do país

Provocado por seca e risco de “apagão”, acionamento das termelétricas despejará na atmosfera 5,1 milhões de toneladas de CO² por mês. Há alternativas?

No início de janeiro, pressionado pela continuidade da seca no Norte e Nordeste e pelo esvaziamento dos reservatórios de boa parte das usinas hidrelétricas, o governo federal colocou em funcionamento a rede de termelétricas brasileiras. São geradoras de energia movidas por combustíveis fósseis — petróleo, gás ou carvão. Foram construídas, em grande parte, após o “apagão” do início do século. Não funcionam sempre: são utilizadas quando há risco de o sistema principal — no Brasil, hidrelétrico — tornar-se insuficiente. Seu acionamento poderia estimular a sociedade a conhecer a matriz energética do país, e a ampliar o debate iniciado com polêmicas como a de Belo Monte.

Um bom começo é a entrevista concedida à jornalista Thaís Herrero, da revista Página 22por Luís Serrrano, consultor de energia da KeyAssociados. Ele revela, entre outros pontos que:

a) Embora frequentemente criticado, o sistema hidrelétrico brasileiro é muito menos nocivo que as termelétricas, núcleo da matriz energética na maior parte dos países. Só em janeiro, o acionamento das termelétricas “de reserva” provocará, no Brasil, a emissão de 5,1 milhão de toneladas de gás carbônico na atmosfera — e isso, para atender a uma pequena parte da demanda, já que o grosso da energia continuará sendo produzida pelas águas. Além de poluir o ar e agravar o aquecimento global, as termelétricas geram grande quantidade de resíduos líquidos e sólidos.

b) Já temos a alternativa da geração eólica, embora em escala muito reduzida. Criado em 2004, o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa) permitiu que 43 usinas de vento fossem integradas ao Sistema Interligado Nacional de geração de energia. Geram o equivalente a 1,1 Mw. O potencial brasileiro é muito maior: segundo um relatório lançado por ONGs ambientalistas no ano passado, cerca de 143 Mw, o equivalente a dez usinas de Itaipu, a maior hidrelétrica nacional.

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5 comentários para "Uma chance de debater a matriz energética brasileira"

  1. Não entendo a resistência ao uso de energia alternativa para evitar problemas como este

  2. Fazer o quê? São só 5,1 mihão de toneladas de CO2. Isso é pouquinho e o mundo aguenta. Danado viu?!!? O Brasil está em território abençoado. Ventos, sol, ondas… e nada disso é eficientemente aproveitado. Vamo ver onde chegamos com a cortina de fumaça às nossas frentes!?!? Acho que não. Continua-se fechando o olho para a qualidade de vida das pessoas. Ela é caolha, na verdade. Só se enxerga uma parte.

  3. Energia termelétrica no brasil

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