Baixo Centro-2013: para retomar cidades e refletir sobre seu futuro

Volta em abril, em São Paulo, festival que marcou movimento para reocupar espaços públicos nas metrópoles. Festa de lançamento será neste domingo

Por Gabriela Leite

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Volta em abril, em São Paulo, festival que marcou movimento para reocupar espaços públicos nas metrópoles. Festa de lançamento será neste domingo

Por Gabriela Leite

Realizado em março de 2012, o Festival BaixoCentro disparou um movimento que marca a cidade desde então. Ao ocupar com atividades artísticas e debates uma vasta área da cidade entregue ao concreto e aos automóveis, abriu caminho para que coletivos culturais reivindicassem a retomada dos espaços públicos da região. As ações ganharam alcance cada vez maior. As mais recentes, na praça Roosevelt, reuniram até 20 mil pessoas e procuraram interferir nas eleições e no futuro da cidade. Foram citadas inclusive no discurso de posse do novo prefeito, Fernando Haddad. Agora, esta sequência vai ganhar novo impulso. Os organizadores do BaixoCentro preparam uma segundo edição. Querem manter as ações lúdicas, estéticas e simbólicas, porém aprofundando ainda mais a reflexão sobre um projeto alternativo de cidade e os caminhos para construí-la.

Em 2012, o festival transformou a área em torno do chamado “Minhocão” — uma via elevada de 3,4 quilômetros que enfeia os bairros de Santa Cecília, Vila Buarque, Campos Elísios, Barra Funda e Luz. Por dez dias, eles foram palco de oficinas, trocas, festas, shows, projeções, performances, exibição de filmes, bicicletada e intervenções urbanas. Todas as atividades eram abertas e gratuitas, e foram criadas colaborativamente, em uma chamada pública. Em poucos dias, mais de 100 pessoas e coletivos se inscreveram propondo algo. Em uma época de forte repressão — o massacre do Pinheirinho e a violência contra os moradores da chamada “cracolândia” eram recentes — o BaixoCentro lembrou à cidade: as ruas são para dançar. Pintou as vias, pôs grama e piscina no asfalto, tocou música, fez projeções em prédios e mostrou para as pessoas que a cidade é delas para ser usada e ressignificada.

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Em 2013, a pergunta é: ocupamos, e agora? Ao invés de levar às ruas apenas atividades artísticas, os organizadores vão procurar incentivar discussões mais políticas sobre a cidade. As atividades, como no ano passado, serão organizadas de forma autônoma. Abre-se uma chamada pública para pessoas e coletivos inscreverem suas ideias e o que vão precisar para realizá-las. Em seguida, os organizadores fazem a “cuidadoria”, que consiste em procurar formas de viabilizar colaborativamente cada atividade. Nesse conceito, o “artista” é também produtor, e forma-se uma rede na qual todos podem produzir e se ajudar mutuamente. A rede de colaboradores é totalmente aberta. Qualquer um pode participar do grupo de emails e das reuniões, de forma horizontal.

O festival é organizado apenas por pessoas, sem apoio de empresas e ONGs, e tem o financiamento feito por financiamento coletivo (crowdfunding), leilões e doações. Além disso, por acreditar que a rua é um espaço de todos, tem como premissa não pedir permissão à prefeitura para realizar os eventos. Sua organização aposta na civilidade dos paulistanos, avisando-os sempre para cuidar bem da sua cidade. Por isso, foram criados os passos para a dança, um documento que descreve o direito dos cidadãos a estar e se reunir na rua, com suas liberdades e limites. Outra preocupação maior do festival desse ano é com o lixo e resíduos gerados pelas festas e manifestações. Para isso o projeto Amar é cuidar do lixo estará sempre presente durante o evento para tornar as atividades mais limpas e sustentáveis.

Para começar a dança e ajudar a arrecadar fundos, haverá neste domingo um Samba no Largo do Arouche, com música, comida e bebida — a doação sugerida é de 10 reais. A festa marcará a abertura da chamada pública para inscrição de projetos no site, que ficará aberta até dia 22 de fevereiro. A partir daí, o festival entra em crowdfunding, da mesma forma que no ano passado, procurando financiá-lo.

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