Casas sem químicos tóxicos também serão possíveis?

160308-Sabão2

Como substituí, com enorme vantagem, o sabão de pó, o detergente, o desinfetante e dezenas de produtos “de limpeza” por receitas naturais limpas, fáceis e baratas

Por Claudia Visoni

Sabe aquelas gôndolas do supermercado onde ficam centenas de produtos de limpeza? Não frequento mais. Quer dizer, entro naquele corredor de vez em quando só para pegar álcool líquido e fujo logo porque o cheiro me faz mal e as embalagens descartáveis prometendo maravilhas dão vontade de chorar.

Reduzir o consumo de plástico é uma das razões pelas quais eu recuso os produtos de limpeza industrializados. Então vou fazendo meus produtos e reutilizando mil vezes as mesmas garrafas pet. A outra é a sopa química de ingredientes que polui nossas águas e cujos efeitos na nossa saúde são pouco conhecidos. Não conseguiria voltar para os limpadores “normais” nem que quisesse. Desacostumei (ou será desintoxiquei?) e tenho dor de cabeça instantânea na presença deles. Até mesmo quando a vizinha lava o quintal fecho as janelas para tentar me proteger do cheiro do sabão em pó.

Então, como eu me viro?

Lavar roupas: Sabão de coco em pó + bicarbonato de sódio. Lavo em bacia e assim toda a água dá para reutilizar na rega das plantas. Agora estou experimentando adicionar um copo de enzima do lixo ao sabão. Que história é essa de enzima do lixo? Explico abaixo, com fotos. Detalhes sobre meu método ecológico de lavagem de roupas aqui.

Lavar a louça: Sabão de coco em barra e bucha vegetal. Com enzima do lixo também dá para lavar, já tentei e ainda estou me habituando. Neide Rigo fala sobre isso no blog dela.

Faxina Geral: Vassoura de palha, aspirador de pó, pano úmido com desinfetante caseiro de citronela (receita abaixo) ou pano úmido com enzima do lixo bem diluída (uma colher por litro). Manchas e sujeira mais grossa: sabão de coco e/ou enzima do lixo sem diluir.

Limpar o banheiro:  Água da cisterna e sabão de coco em pó. Mais nada.

> Agora, onde comprar:

Sabão de coco – Uso a marca Milão e compro na loja online de um colega permacultor. O pedido mínimo é de R$ 300 então vale a pena juntar a família, os vizinhos e fazer compra coletiva.

Bicarbonato – O supermercado vende só saquinhos com 30 gramas (não dá para nada). Como o bicarbonato é também meu xampu e eventualmente desodorante (no momento, estou usando um desodorante artesanal que a permacultora Clarice Pimentel faz, mas o bicarbonato também funciona muito bem), compro por quilo em lojas online como essa. Os cosméticos são tema para outro post, que vou fazer em breve.

> Como fazer?

Desinfetante:

1. Pegue um montão de folhas de citronela (eu tenho no quintal e é facílimo plantar e cuidar), pique e coloque dentro de um litro de álcool. Quanto mais, melhor. Você pode tirar um pouco do álcool para caber no recipiente.

2. Espere alguns dias para o álcool ficar verde-citronelado.

3. Coloque dois copos desse álcool numa garrafa PET de 2 litros, acrescente umas 4 colheres de bicarbonato, preencha com álcool. Pronto!

Além da limpeza da casa, serve para lavar as mãos e o corpo em caso de emergência, vide Manual de Sobrevivência para a Crise da Água, páginas 17 e 20.

Enzima do lixo:

Descobri a existência disso por meio do Luiz Felipe Pacheco, num curso de permacultura. É um fermentado de 3 partes de cascas de cítricos, 1 parte de açúcar mascavo e 10 partes de água. Demora três meses para ficar pronto e tem mil utilidades.

O produto final é um líquido amarelo, cheiroso, poderoso e imperecível que serve para limpeza, fertilizante líquido (1 colher por litro) e até para tratar esgoto e desentupir canos. Foi inventado na Malásia pela doutora Rosukon Poompanvong. Tem muita informação sobre isso na internet. Se você entende inglês, pesquise “garbage enzyme”.

Mais informações sobre a enzima do lixo, aqui e aqui.

Para saber mais sobre permacultura, aqui.

Passo a passo da enzima do lixo

1 – Congele as cascas de limão e laranja. Quando tiver uma boa quantidade, coloque numa garrafa pet lembrando que são 3 partes desse ingrediente.

160307_enzima-dolixo-194

2 – Agora acrecente uma parte de açúcar mascavo.

160307_enzima-do-lixo-203-150x150

3 – Coloque 10 partes de água e lembre de deixar um espaço vazio na garrafa para conter os gases da fermentação. Escreva a data. Abra e mexa todos os dias por um mês.

160307_enzima-do-lixo-211-150x150

4- Depois de 3 meses ou mais a aparência é assim. Não se assuste, coe!

160307_enzima-do-lixo-61-150x150

5- Eu uso uma peneira e essa primeira filtragem vai para o balde.

160307_enzima-do-lixo-121-150x150

6 – As cascas deixo secar bem no sol para depois fazer fogueira em casa (é bem cheiroso) e usar as cinzas como adubo.

160307_enzima-do-lixo-131-150x150

7- Aí passo na peneira mais fina e coloco no galão.

160307_enzima-do-lixo-151-150x150

8 – Do galão vai para a garrafa. Espero decantar uns dias e está pronto para usar!

160307_enzima-do-lixo-9-150x150

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OutrosQuinhentos

Leia Também:

3 comentários para "Casas sem químicos tóxicos também serão possíveis?"

  1. Leonardo disse:

    Muito bom o post. Obrigado

  2. azucena geymonat de oberdiek disse:

    Jóia!!11
    Muito bom isso!
    Tentarei imitar.
    ABraço
    Azucena

  3. Luiz Moraes disse:

    Bom dia,
    Boa matéria, ordenação e clareza qto as informações.
    Tenho alguns comentários sobre sabão de coco levando em conta diversas menções a este item.
    1. O sabão de coco [barra ou líquido] é uma ‘coisa’; são poucas as marcas que realmente são sabão de coco [de verdade]. Muitos são mera imitação – adição de corante branco e perfumação imitação coco. É comum se chegar às especificações do sabão de coco tradicional utilizando as mesmas matérias primas dos demais sabões [fabricados com gorduras/óleos de origem animal e vegetal diversos]. Ocorrência semelhante é aquela relativa as denominadas ‘banha de porco’; [muitas] são produzidas com mix de gorduras/óleos/óleos hidrogenados os mais diversos com o devido ajuste de especificação.
    2. Escala fabril – se ‘todos’ tivessem interesse em adquirir produtos do fornecedor recomendado/citado [ou de outros mais que operam em condições similares, em pequena/média escala] haveria necessidade de estruturas fabris equivalentes as maiores já existentes localmente, ou seja aqueles produtores que operam com os produtos de prateleira/usuais das redes de distribuição. [os ‘químicos’]
    3. Menção a custos – seria interessante incluir comentários sobre composição de custos
    Abcs e a disposição

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *