São Paulo, metrô privatizado?

Captura de tela de 2017-06-28 11-09-44

Como as políticas do governo paulista estão degradando um sistema de transporte público que foi símbolo de excelência. Uma privatização em surdina, e com enorme favorecimento ao comprador. Os metroviários resistem, e tornam-se decisivos nas greves gerais contra a agenda de retrocessos

Wagner Fajardo, entrevistado por Antonio Martins, com vídeo de Gabriela Leite

TEXTO-FIM

A irracionalidade por trás do aumento das passagens

5906554-highComparadas com salário médio, tarifas de SP e Rio são três vezes maiores que as de Paris em Beijing — porque aqui, mobilidade ainda não é direito, mas negócio…

Por Lúcio Gregori

Final de ano, festas, presentes, fogos e aumento das tarifas de transportes coletivos. Faz muitos anos que assisto a esse mesmo filme, que parece de horror ou farsa, ou até, de modo mais atual, o mesmo capítulo já visto dessa interminável novela em série. Os gestores de hoje, antes chamados governantes, repetem um enredo que tem algo de patético e farsesco. Ou, como antigamente se dizia e palavra hoje na moda, parecem dar um “golpe”.

Diante da mais total ausência de políticas públicas consistentes para dar conta dessa interminável novela das tarifas de transporte coletivo, eles escolhem a dedo (ou cerebrinamente?) o período do final de ano para anunciar o clássico reajuste. Sempre caberá dizer que foi inferior à inflação, para dar um tom de vitória na derrota dos usuários. Algo como: sim, perderam, mas foi só por um gol ou dois. Embora, para os usuários, a sensação e a realidade são de derrota por 7 a 1. Continuar lendo

Para reinventar a Reforma Urbana

150608-onibus

Seminário debateu, em Porto Alegre, temas cruciais como luta por transporte público e nova concepção de propriedade, que supere a lógica do capital

Por Katia Marko e Mariana Pires

O seminário Mobilidade, Moradia e Reforma Urbana reuniu diversos militantes sociais, acadêmicos e moradores de ocupações de Porto Alegre, nos dias 29 e 30 de maio, na Escola Porto Alegre (EPA), uma escola aberta para moradores de rua.

O encontro foi uma iniciativa do Núcleo de Economia Alternativa – NEA/UFRGS, junto com organizações e movimentos sociais como a ONG Cidade, o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Amigos da Terra Brasil, o Fórum de Ocupações, a Resistência Urbana e a Federação dos Metalúrgicos do Rio Grande do Sul.

O objetivo foi fazer a interlocução entre setores da academia que têm debatido o tema da cidade e os movimentos sociais que têm atuado diretamente neste âmbito. O seminário faz parte de uma série de debates que deverão ocorrer durante 2015 e que pretendem contribuir para reflexão mais profunda sobre as questões estruturais envolvidas na disputa da cidade e da sociedade. Continuar lendo

Crise global: a alternativa da China e o que ela diz ao Brasil

130930-China

Ao investir em infra-estrutura e serviços públicos, e estimular aumento expressivo dos salários, país sugere caminho oposto à “austeridade” europeia.

Por Antonio Martins

Ao escrever, na semana passada, sobre o sistema chinês de trens de alta velocidade, a correspondente do New York Times, Keith Bradsher, não escondeu sua admiração. Apenas cinco anos depois de inaugurada, relatou, a rede já tem quase dez mil quilômetros. Serve mais de cem cidades. O número de passageiros transportados — 54 milhões por mês — já é duas vezes maior que o de usuários dos aviões. As viagens são confortáveis, silenciosas, extremamente pontuais. O serviço atrai tanto executivos quanto operários. O preço das passagens não oscila ao sabor do mercado: políticas públicas definiram que elas deveriam custar, desde o início, no máximo metade das tarifas aéreas. Não sofreram reajustes, desde então. Como os salários industriais duplicaram, o serviço tornou-se cada vez mais popular. Os trens trafegam quase sem assentos vazios. Em Changsha, metrópole emergente no sudeste do país, de onde a repórter escreveu, a estação já tem 16 plataformas, e está sendo duplicada.

Keith não parecia preocupada com o debate de políticas macroeconômicas. Mas seu texto é uma excelente descrição das escolhas que têm permitido à China, há cinco anos, manter-se a salvo crise internacional e executar, de quebra, projetos estratégicos ousados. Vale examinar este movimento, por pelo menos dois motivos: a) ele contrasta com as políticas “de austeridade” que estão sendo adotadas em boa parte dos países ocidentais (especialmente na Europa), com consequências sociais desastrosas; b) ele demonstra que o Brasil não precisará adotar o caminho europeu, ao contrário do que sugerem, com frequência, os analistas conservadores.

Continuar lendo

Metrô-SP: cartel forneceu trens com alto índice de falhas

130905-Metrô

Levantamento demonstra: embora novas, composições vendidas em concorrência manipulada quebram quatro vezes mais que as de trinta anos e alimentam caos no transporte público

Por Tadeu Breda* e Vinícius Gomes**


Atualização em 21/3/2014:

Menos de dois meses após uma paralisação de cinco horas na Linha Leste-Oeste (em 4/2), o metrô de São Paulo voltou a viver hoje um situação de caos. Falha ainda não identificada praticamente paralisou o trecho Norte da linha Norte-Sul, entre 6h e 10h20. Viagens que normalmente demorariam dez minutos arrastaram-se por quarenta. Formaram-se aglomerações em todas as estações.

Há nexo claro entre a crise de manutenção do sistema e os sinais de corrupção na Companhia do Metrô e no governo paulista, investigados pela Polícia Federal e Cade. Conhecido, por décadas, pela excelência de seus serviços, o transporte metroviário de São Paulo entrou em decadência abrupta há alguns anos, desde que os trens e a manutenção passaram a ser fornecidos por empresas acusadas de formar cartel e pagar propina a governantes.

Um dos focos de problemas está na chamada Frota K, à qual pertence o trem (K07) que causou caos em fevereiro. Os 19 trens que a compõem a frota fabricados nas décadas de 1970 e 80. Sua reforma, a partir de 2011, está marcada por contratos obscuros com um cartel privado. A operação acaba de ser interrompida, por exigência do Ministério Público.

Mas os transtornos perduram. Como mostra a matéria a seguir, a Frota K apresenta quatro vezes mais falhas que todas as demais — e algumas delas são gravíssimas, envolvendo abertura de portas com trens em movimento. Além de oferecer serviço cada vez mais inconstante, o Metrô-SP parece estar sob risco de um acidente grave. Mas o governo de São Paulo prefere atacar os usuários. Tem a cobertura da velha mídia, que se recusa a investigar sinais evidentes de desmantelamento de sistema que há poucos anos era tido como exemplar — e é cada vez mais indispensável para São Paulo (A.M.)
— 

Surgiu o primeiro sinal de que a série de fraudes que contaminou as concorrências do metrô paulista são parte do caos vivido todos os dias por milhões de usuários. Levantamento realizado por funcionários da Linha 3 Vermelha do metrô de São Paulo, com base no registro oficial de falhas do sistema, mostra que trens recentemente adquiridos ou reformados pelo governo do estado junto a empresas acusadas de formação de cartel apresentam problemas técnicos em frequência até quatro vezes maior que as composições antigas, com cerca de 30 anos de uso. Algumas das novas aquisições do metrô chegam a registrar média de 35 defeitos por dia. Os dados são preliminares. Foram levantados por trabalhadores impressionados com as constantes quebras e acidentes envolvendo estes carros. Diante dos dados, é essencial que a Companhia do Metropolitano apresente as estatísticas oficiais sobre falhas – que possui mas, até o momento, não disponibiliza.

Os números são resultado da análise do histórico de oito dos cerca de 50 trens que operam no trecho leste-oeste da malha metroviária paulista, e foram obtidos após consulta a um sistema conhecido como S-GUT, que registra informações sobre todas as composições do metrô, tais como localização, quilômetros rodados, tempo de operação e número de problemas técnicos denunciados pelos condutores. O S-GUT pode ser acessado a partir de computadores conectados à rede da empresa, mas apenas permite visualização dos dados na tela. As informações não podem ser gravadas. Por isso, a contagem de falhas teve que ser realizada manualmente. Continuar lendo

Empresa sonega informações ao público

Nova leva de secretários de Alckmin inclui Saulo de Castro nos Transportes

Registro de comunicação entre repórter e Companhia do Metrô revela: há intenção clara de recusar informações e despistar de forma primária investigação jornalística

Por Antonio Martins e Tadeu Breda*

Apenas nas últimas 24 horas, o metrô de São Paulo viveu duas novas ocorrências graves – uma delas com feridos. Antes das 5h da manhã desta quinta-feira (05/09), um trem que percorria a linha 3 (Leste-Oeste) teve falha nos freios, soltou forte fumaça na estação Sé e precisou ser esvaziado. Em horário normal, o fato teria gerado forte transtorno. Já na quarta-feira, um acidente ainda não esclarecido na esteira rolante que liga as estações Paulista (linha 4) e Consolação (linha 2) provocou ferimentos em vinte pessoas. Dez delas foram hospitalizadas. Houve pânico no local, frequentemente superlotado. Não há, no entanto, nenhuma informação a respeito, nos sites da Companhia do Metrô ou da Via4 (que administra a linha 4, privatizada).

Durante décadas, o metrô paulistano foi conhecido por sua excelência. Agora, diante dos sinais evidentes de crise na manutenção, os responsáveis pelo sistema parecem ter adotado uma política deliberada de sonegação de informações. Elas são coletadas: Metrô e Via4 fornecem em tempo real, em seus sites, dados sobre situação instantânea das linhas (1 2). Há algum tempo, após o aumento do número de falhas, o Metrô implantou inclusive um sistema que imprime automaticamente “declarações de ocorrência”, que podem ser impressas e apresentadas para justificar atrasos. Continuar lendo

Descarrilamento: Metrô-SP evita apuração transparente

18_40_01_756_file

Apenas comissão da chefia apura um dos acidentes mais graves do sistema. Excluídos, funcionários afirmam que vida dos passageiros esteve em risco, e denunciam falhas crônicas na manutenção

Por Tadeu Breda* e Vinicius Gomes**

A Companhia do Metropolitano (Metrô) de São Paulo recusou-se a prestar esclarecimentos aos trabalhadores da empresa sobre o descarrilamento ocorrido no último dia 5 de agosto na Linha 3 Vermelha, perto das 11h, nos arredores da estação Palmeiras-Barra Funda, zona oeste da capital. No mesmo dia, e nos seguintes, representantes dos funcionários em pelo menos três Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (Cipa) solicitaram a realização de uma reunião extraordinária para tratar especificamente do caso. As requisições, porém, apesar de estarem amparadas pela legislação, foram repetidamente ignoradas pela chefia.

O descarrilamento do dia 5 fora provocado pela ruptura do “truque” ou “truck”, termo técnico que designa o sistema composto por rodas, tração, frenagem e rolamentos do trem, e que fica em contato direto com os trilhos. A composição danificada é identificada internamente como K07, por ser o trem número 7 da frota conhecida como K, recentemente reformada pelo consórcio MTTrens – composto pelas empresas TTrans, MPE e Temoinsa. O contrato da MTTrens com o Metrô foi assinado em 2009 e é um dos quatro de um pacote de modernização das composições em circulação nas linhas 1 Azul e 3 Vermelha, cujo valor totaliza R$ 1,8 bilhão. O acordo com a MTTrens abrange 25 trens do ramal leste-oeste do sistema metroviário paulistano. Continuar lendo

Primavera Brasileira ou golpe de direita (7)

130624-ReiLeão

Perguntas e respostas sobre um movimento que está mudando a cena do país – e cujo futuro, aberto, será decidido também por você

Por Antonio Martins Imagem: Pirikart

7. Qual o sentido do discurso de Dilma e como os movimentos podem tirar proveito dele?


Leia também:
1. É possível falar em “Primavera Brasileira”?
2. Há no ar uma tentativa de golpe antidemocrático?
3. Como foi possível converter manifestações autônomas por direitos em territórios de preconceitos e violência?
4. Por que a tentativa de capturar os protestos é frágil e pode ser vencida?
5. Que temas permitem retomar uma pauta de direitos e transformações?
6. Que são as Assembleias Populares e como elas podem preparar uma nova fase da mobilização?
8. Por que o Brasil estará diante de uma encruzilhada, nos próximos meses? Que papel jogará a mobilização social ?

[este texto foi reformulado em 25/6]

Mais uma singularidade brasileira: diante dos protestos das últimas semanas, a postura da presidente da República foi distinta das adotadas, desde 2011, por todos os governantes que enfrentaram revoltas similares. Os ditadores árabes reagiram a bala. Em toda a Europa, os dirigentes mantêm as políticas de ataque aos direitos sociais, mesmo diante de manifestações gigantescas e do descontentamento da opinião pública. Obama ignorou o Occupy. Sob intensa pressão das ruas, Dilma, ao contrário, saudou as manifestações (“Elas mostram a força de nossa democracia”). Em seu pronunciamento de 21/6 (vídeo | texto), sugeriu que “o impulso desta nova energia política” pode ajudar a “fazer, melhor e mais rápido, muita coisa que o Brasil ainda não conseguiu realizar por causa de limitações políticas e econômicas”.

Em 24/6, deu dois novos passos. Passou a receber os movimentos que iniciaram os protestos (ontem, o Passe Livre; hoje – 25/6 – o PeriferiaAtiva e os sem-teto ligados ao MTST). E lançou, em reunião com governadores de Estado e prefeitos das capitais, um movimento inesperado. Sugeriu pactos pela Educação, Saúde, Mobilidade Urbana e Responsabilidade Fiscal. Mais importante: defendeu a ideia de um plebiscito, para que a população decida sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte, encarregada de reformar o sistema político.

A última proposta despertou reação imediata. Políticos conservadores e ministros do Supremo Tribunal Federal opinaram que ela é inconstitucional (o que parece esdrúxulo, pois sugere que as instituições são irreformáveis). Tudo indica que, se levada adiante, a iniciativa enfrentará enorme resistência – tanto entre as elites quanto no próprio Congresso Nacional. O poder econômico não quer rever um sistema que lhe dá enorme influência sobre as decisões políticas. Os detentores de mandato preferem não mexer nas regras que os elegeram.

Mas como os movimentos sociais, e os que foram as ruas, podem enxergar a iniciatva de Dilma?

Concentrar atenção apenas na proposta de Constituinte pode levar à paralisia. É um tema árido, pouco debatido entre a sociedade. E embora haja ampla consciência sobre a necessidade da reforma política, há muitas controvérsias sobre algumas das mudanças que ela implica. O risco é que, ao se dedicarem a resolvê-las, os movimentos dividam-se e dispersem a energia necessária para manter e ampliar a grande maré de reivindicações.

Porém, talvez valha considerar uma resposta dupla. Por um lado, manter o foco na luta por direitos. Continuar estimulando as assembleias populares, a formulação de demandas, a presssão em favor delas. Lembrar que elas não virão sem lutas (embora tenha recibido o Passe Livre ontem, Dilma não sinalizou vontade de agir em favor de suas reivindicações).

Ao mesmo tempo, não seria inteligente desprezar a proposta estratégica da Constituinte e da Reforma Política. Também o Brasil tem instituições que “não nos representam”. Arcaicas, extremamente corrompíveis, fechadas à participação direta dos cidadãos, pouquíssimo transparentes, elas são um dos alicerces que sustentam a injustiça social, a desigualdade e o modelo de “desenvolvimento” hostil à natureza.

Para mudar o país, será preciso sacudi-las. Por isso, a luta pela Constituinte pode ser uma bandeira paralela às reivindicações por direitos. Quanto mais multiplicarem-se as lutas reivindicatórias, mais ficará claro que o sistema político é um obstáculo a elas; e que é preciso reinventar também a democracia. E quanto mais os atuais poderes estiverem sob ameaça de uma vasta reforma, mais seus ocupantes tenderão a ceder às pressões populares…

(continua…)

Primavera Brasileira ou golpe de direita?

130623-ManifsRio

Perguntas e respostas sobre um movimento que está mudando a cena do país – e cujo futuro, aberto, será decidido também por você

Por Antonio Martins Imagem: Ninja

“O Brasil não é para principiantes”, disse certa vez o compositor Tom Jobim. A sabedoria destas palavras está ecoando de novo a cada dia, nas duas últimas semanas. Entre 6 e 19 de junho, uma onda avassaladora de protestos de rua resgatou a ideia de que as lutas sociais valem a pena e marcou a emergência de uma cultura política de autonomia, redes sociais e horizontalidade. Um dia depois, as manifestações que deveriam celebrar este resgate foram em parte capturadas. Resvalaram para episódios de autoritarismo e intolerância, depois que a crítica às injustiças e à ausência de direitos foi direcionada contra os governos de esquerda e seus limites (vale ler este texto do repórter Tadeu Breda). Muitos dos que haviam se manifestado desde o início chocaram-se e recuaram. Foi inteligente, mas é hora de um novo passo. As ruas não se calarão, se quem luta por justiça estiver afastado delas. É preciso – e é possível – disputá-las. Estes textos tentarão explicar por quê e como, na forma urgente e imperfeita das perguntas e respostas.

1. É possível falar em “Primavera Brasileira”?
2. Há no ar uma tentativa de golpe antidemocrático?
3. Como foi possível converter manifestações autônomas por direitos em territórios de preconceitos e violência?
4. Por que a tentativa de capturar os protestos é frágil e pode ser vencida?
5. Que temas permitem retomar uma pauta de direitos e transformações?
6. Que são as Assembleias Populares e como elas podem preparar uma nova fase da mobilização?
7. Que revela a postura de Dilma e como os movimentos podem tirar proveito dela?
8. Por que o Brasil estará diante de uma encruzilhada, nos próximos meses? Que papel jogará a mobilização social ?

Primavera Brasileira ou golpe de direita (6)

130623-ManifsBH2

Belo Horizonte, 23/6

Perguntas e respostas sobre um movimento que está mudando a cena do país – e cujo futuro, aberto, será decidido também por você

Por Antonio Martins| Imagem: Ninja

6. Que são as Assembleias Populares e como elas podem preparar uma nova fase da mobilização?


1. É possível falar em “Primavera Brasileira”?
2. Há no ar uma tentativa de golpe antidemocrático?
3. Como foi possível converter manifestações autônomas por direitos em territórios de preconceitos e violência?
4. Por que a tentativa de capturar os protestos é frágil e pode ser vencida?
5. Que temas permitem retomar uma pauta de direitos e transformações?
7. Que revela a postura de Dilma e como os movimentos podem tirar proveito dela?
8. Por que o Brasil estará diante de uma encruzilhada, nos próximos meses? Que papel jogará a mobilização social ?

Elas surgiram neste domingo (23/6): três em São Paulo, por iniciativa do Movimento Passe Livre; em Fortaleza, Brasília e Belo Horizonte (esta, com mais de 2 mil pessoas: texto, vídeo). As Assembleias Populares permitem que a população se encontre e converse horizontalmente, livre da massificação da TV. Estabelecem um ambiente propício a debater a situação do país e, em especial, a desenvolver a consciência dos direitos e a mobilização por eles. Se continuarem a se espalhar, é provável que desencadeiem, muito em breve, uma nova onda de manifestações, agora mais potente.

Não há receita para as Assembleias: podem reunir moradores de uma região ou pessoas interessadas em discutir coletivamente um tema específico; ocorrer numa praça, num salão, numa casa ou mesmo nos pontos de ônibus (veja o que o Periferia Ativa prepara para 25/6, em São Paulo). Continuar lendo