Os britânicos agora caçam… imigrantes!

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Começa em Londres campanha publicitária estatal para estimular população a denunciar estrangeiros sem documentos

Numa Europa cada vez mais contaminada por ideias xenofóbicas, até o proverbial humor britânico parece, às vezes, atirado à lata do lixo, quando entram em cena as relações com estrangeiros. Há alguns dias, seis municípios da zona metropolitana de Londres passaram a promover, em caráter de “teste” uma campanha publicitária que visa espalhar terror entre imigrantes sem documentos. Consiste em fazer circular, pela cidade, out-doors móveis com os seguintes dizeres: “[Está] no Reino Unido ilegalmente? Volte para casa, ou se arrisque à prisão”. Para tornar a mensagem mais realista, informa-se aos não-britânicos o telefone que devem acionar, caso tenham interesse em ser repatriados “voluntariamente”; e anuncia-se, bairro por bairro, o número de “clandestinos” presos pela polícia, até o momento.

Por sua extrema virulência, a campanha gerou crise na própria coalizão de direita que governa o país. O ministro de Negócios, Vince Cable, do Partido Liberal, que posa de pró-imigração, condenou a iniciativa, qualificando-a como “estúpida e ofensiva”. Horas depois, no entanto, o porta-voz do primeiro-ministro David Cameron (do Partido Conservador) foi a público para ressaltar os “aspectos positivos” da ação de terror. Disse que “está funcionando” e pode ser estendida a outras regiões do país. Ainda mais grotesco: o Partido Independentista da Grã-Bretanha, de extrema-direita, condenou a ofensiva. Qualificou-a como um “roubo eleitoreiro”, alegando que os conservadores usam dinheiro público para posar de defensores de uma atitude xenofóbica nascida, originalmente, entre os próprios “independentistas”…

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3 ideias sobre “Os britânicos agora caçam… imigrantes!

  1. Caros,
    levando em consideração a importância da notícia, vale pensar um pouco melhor nos desdobramentos dos títulos que damos às matérias. Observem que não podemos confundir o governo britânico com “os britânico”, da mesma maneira que não é possível usar a expressão “os americanos” no lugar de “o governo dos EUA” e assim por diante. O combate à xenofobia não se faz recriando-a com sinal invertido.

    • Obrigado, Douglas, pela importante ressalva. Já a levamos em conta, numa matéria de sequência à que você comenta, que acaba de ir para o ar.

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