Notas sobre a “esquerda ruim de internet”

Julgar que nossos problemas estão na inabilidade com as redes é reduzir política a empreendedorismo de imagem. Como quer, aliás, a lógica neoliberal

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Julgar que nossos problemas estão na inabilidade com as redes é reduzir política a empreendedorismo de imagem. Exatamente como quer a lógica neoliberal

Por Fran Alavina | Imagens: Pawel Kuczynski

Uma declaração feita recentemente parece ter repercutido pouco se comparada à gravidade do conteúdo: “a esquerda brasileira é ruim de internet”. Alguns blogs progressistas e espaços de discussões da internet reverberaram a afirmação, em geral todos com a mesma tônica: aceitação. Mais do que uma afirmação ampla sobre a esquerda brasileira, a declaração se fez sentir como uma constatação ácida, apoiando-se em um sentimento difuso de uma culpa sabida, mas somente assumida após a acusação notória: sem meias palavras e sem contestação de autoridade. Tudo se passou como se de um veredito se tratasse, cuja culpabilidade aguardasse apenas a presença de um bom acusador. Uma vez tornada pública a acusação, a pena é o próprio reconhecimento da inabilidade imputada.

Ademais, as discussões que se seguiram após a afirmação rapidamente ficaram satisfeitas com o significado mais imediato da constatação. Isto é, renderam-se ao sentido mais aparente da afirmação: “a esquerda brasileira é ruim de internet”. Por isso, as reações operaram como se o enunciado não se fundamentasse em algo anteriormente já aceito. Ou seja, como se em virtude de uma suposta transparência total não houvessem pressupostos. Ora, mas esse posicionamento de render-se ao sentido mais imediato da afirmação não significa uma incapacidade ou miopia na compreensão e na interpretação da mesma. Pelo contrário, a não inquirição daquilo que está suposto reforçou a rapidez da aceitação, pois se é aceito o sentido mais imediato, é também porque se aceita o pressuposto, o implicitamente não dito. E qual é este pressuposto não dito, posto que já aceito previamente e incontestemente? Trata-se do propalado protagonismo da internet, do virtual como meio político adequado à esquerda e a outras lutas progressistas.

Tal é um dado sobre o qual, ingenuamente, parece não pairar nenhuma dúvida, ou resquício de negatividade. Uma naturalização do virtual, como tantas outras artificialidades que hoje facilmente se tornam naturais. Esta “natureza digital” não se trata somente dos usos da internet, mas sim da posição de centralidade que cada vez mais o virtual detém, de um protagonismo assumido sem contestações, de modo que se torna cada vez mais impossível pensar a luta política real sem o virtual. Já não se trata tanto do real que pode retroagir sobre o virtual, mas sim do virtual que retroagindo sobre o real, o desbanca ao se mostrar portador de uma infinidade de possibilidades ante uma realidade cada vez mais labirinticamente asfixiante. Os atos, talvez este seja o exemplo mais loquaz, já não podem acontecer se antes não forem eventos criados e divulgados nas redes sociais. O sucesso dos atos reais depende, cada vez mais, do modo como o evento faz sucesso anteriormente no mundo virtual. Alguns atos são erroneamente taxados de “espontâneos” quando não são encabeçados por um grupo ou movimento, porém como poderiam ser de fato espontâneos se sua realização demanda uma mínima organicidade previamente feita no virtual? Como são espontâneos se demandam um meio previamente estabelecido, isto é, o virtual? Aí está um dos traços da naturalização do virtual, serem tratados como espontâneos. Tais eventos-atos existem antes de tudo no mundo virtual, uma precedência ante o real que diz muito sobre o modo como o político e o virtual se imbricam sem que por parte da esquerda se faça um exercício teórico mais acurado sobre as consequências de tal imbricação. Logo, este protagonismo do virtual corre o risco de ser uma realidade mistificadora fundada em uma consciência ingênua.

Desse modo, em vista deste protagonismo da internet, a esquerda brasileira é taxada. Sua culpabilidade não reside em uma visão teórica pobre, ou por possuir bases fracas, nem por ter uma militância pouco aguerrida, mas tão somente por ser “ruim de internet”. Por conseguinte, a internet é o divisor entre a “boa esquerda” e a “ruim esquerda”. Estamos, portanto, em um momento no qual as determinações que qualificam ou desqualificam o campo político à esquerda não são imanentes e frutos de um esforço teórico-prático de autoderteminação. Em outros termos, os princípios qualitativos que podem aferir a capacidade de realização da esquerda não são forjados intrinsecamente, em seu próprio âmbito, mas são trazidos de fora, em uma naturalização de uma realidade tecnológica.

Também não por mera coincidência a crítica da “esquerda ruim de internet” é feita no quadro mais amplo de recusa da forma política partido. A militância virtual é o correspondente exato da negação da forma partido político em favor dos movimentos. Identificando-se nos partidos as improdutivas relações verticalizadas, a militância virtual corresponde à horizontalidade das relações no interior dos novos movimentos insurgentes. Porém, como nos lembra Daniel Bensaïd, “(…) a dissolução dos partidos no movimento social significaria um inquietante enfraquecimento da política1.

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É impossível negar que a internet possa ser usada como instrumento político e lugar de visibilidade das lutas das esquerdas, uma vez que atualmente parece não haver outro lugar de visibilidade senão o virtual. Todavia, uma indagação dever ser feita: o que a internet e suas redes sociais oferecem não podem ser danosos à esquerda? É bem verdade que se encontra facilmente toda uma argumentação crítica da esquerda contra os impérios midiáticos e os efeitos danosos do conluio entre o poder econômico-político e as mídias (rádios, tvs e jornalões). Âmbito crítico que se expressa naquela frase bem conhecida: “a revolução não será televisionada”. Esta afirmação não deixou de ser verdadeira, contudo para uma boa parte da esquerda se a revolução não pode ser televisionada, ao menos poderá ser anunciada, propagandeada e transmitida pela internet. Tal se pode aferir pelo modo como a internet vai ganhando cada vez mais a centralidade do discurso.

Sobre esta pergunta que quase nunca aparece (acerca dos possíveis efeitos danosos para a esquerda da “naturalização digital”) podemos abrir algumas vias de explicitação, não tanto de resposta à pergunta, mas sobre o porquê desta indagação não ser feita. Em primeiro lugar, tratar-se-ia de considerar o virtual como uma espécie de campo de batalha das ideias, que a priori sendo neutro, isto é, nem de “esquerda”, nem de “direita”, ganhará a “batalha das ideias” aquele lado que conseguir maior visibilidade, ocupando os espaços, se comunicando melhor.

Ora, mas esta visibilidade implica que os discursos se adequem às formas de visibilidade da internet. Esta adequação torna-se subordinação, pois a permanência da visibilidade no virtual implica que se opere segundo um modus operandi previamente estabelecido. Por conseguinte, a visibilidade política não é mais que a visibilidade virtual. Este comunicar-se melhor implica que, na imensa maioria das vezes, os discursos não sejam apenas simples, mas simplórios. Que possam ser consumidos rapidamente, diminuindo grandemente o nível de problematização, redundando em um debate fraco de conteúdo, porém forte de caricaturas. Desse modo, ocorre um rebaixamento de um discurso que guarda em si uma verdade histórica e uma crítica do presente. Mas poderia a esquerda se desfazer de sua verdade histórica e da crítica do presente ao naturalizar um âmbito eivado de determinidades histórico-sociais?

A “esquerda boa de internet” pode desaguar no empreendedorismo da imagem, caindo em um aspecto da lógica neoliberal que tanto se esforça por combater. Neste caso, não se trataria de usar as “armas do inimigo”, pois a internet não é concebida como parte do arsenal “inimigo”, como já dissemos, posto que se supõe um espaço livre de qualquer tipo de determinação, um ente metafísico puro, que causa a si mesmo, tal como o livre mercado.

Também se verifica um deslizamento vocabular, um desaparecimento do léxico próprio das esquerdas por meio do qual é possível constituir uma linguagem comum das resistências. Certamente que esse léxico comum não pode ser constituído pela linguagem empobrecida das redes: midiatizada, feita para circulação e consumo de bens simbólicos. Portanto, inexpressiva para abarcar as contradições de nosso tempo histórico. Sem historicidade, se finda qualquer aspiração à verdade enquanto ponto essencial de legitimidade política. Porém, pode haver esquerda sem verdade histórica comum a ser resguardada?

Não se trata de uma simples crise dos critérios do que possa ser considerado veraz, mas da renúncia à própria ideia de verdade. A estratégia de sedução que concretiza a expansão do virtual não é mudar os critérios de veracidade, não é estabelecer uma nova ideia de verdade, mas trata-se da própria recusa da verdade. Não havendo mais necessidade de verdade, ao virtual não pode ser mais imputada ou remetida uma ideia de falsidade, mesmo que a seu favor. Tal recusa à verdade, pode ser considerada além de estratégica, o fundamento último da proposição de que o virtual não é o oposto do real (cujo defensor mais loquaz é Pierre Lèvy), de modo que a correspondência opositiva entre virtual-falso x real-verdadeiro torna-se não apenas inapropriada, mas também inexistente. Sem ideia de verdade, qual o sentido de existência do falso? Sem este par opositivo essencial, o caminho para a homologação sem resistência e irredutibilidade está completamente pavimentado. A abdicação da aspiração à verdade também é abdicação de um princípio de realidade forte, uma vez que não há mais o par correspondente real-verdadeiro.

O virtual se quer a-histórico, pois seu tempo é sempre o presente. Ademais, retira a memória das capacidades do sujeito: não é isto que o facebook faz ao propor aos seus usuários suas próprias recordações? Sem ideia de futuro e de passado, imerso em um presente que é fluxo contínuo de informações, o conhecimento e propagação de qualquer verdade histórica capaz de estabelecer os parâmetros de uma crítica do presente se desfaz se nem ao menos antes ter existindo.

Com efeito, cumpre aqui chegar ao fio da meada. Este modo de operação do virtual oferece em seu âmbito aquilo de mais essencial que o discurso pós-moderno congrega: a redução do horizonte histórico feito através da crítica das meta-narrativas; a recusa de um princípio de verdade em troca da equivalência das interpretações; e por fim, porém com o mesmo grau de importância, o rebaixamento das grandes tentativas de compreensão por meio da negação de toda explicitação totalizante.

Assim, é no espaço cedido pela razão que se deixou amofinar, não podendo mais aspirar à verdade, nem tampouco dizer o que é o real em sua totalidade, portanto impedida de pensar um futuro diferente do presente, que os discursos eivados de passionalidades se alastram, em um caldo de sentimentalismos rasos nos quais diminutas subjetividades se afogam. Uma vez que a razão está para o universal, como o passional está para o particular. Essa marca de “pura paixão”, de emotividade sem razão histórica se expressa, por exemplo, nos modo como se constituem e se denominam muitos movimentos sociais. Se antes os nomes dos partidos eram denotados por substantivos que circunscreviam classes sociais delimitadas (trabalhadores, operários), com os mais novos movimentos contestatórios tal é substituído pela centralidade dos vínculos sentimentais ou de territorialidade parcelar, como foi o caso do movimento dos indignados e do occupy wall street.

Isto posto, torna-se patente que não precisa ser um leitor de Vattimo ou Lyotard para aderir à pós-modernidade. A adesão se dá todas as vezes que entramos em nossas redes sociais, todas as vezes que acomodados, em um tipo de auto-engano coletivo, pensamos ingenuamente que a internet é um território neutro, vazio de determinidades, completamente livre, onde aqueles que são “bons de internet” vencem por seus próprios méritos, livremente, sem rebaixar-se a nada, em uma espécie de autodeterminação individualista, mas heróica: nada poderia estar mais próximo da forma de meritocracia neoliberal, no qual o meio não pode ser reclamado como elemento mais determinante na ocorrência das realizações. A abolição da história feita teoricamente pela pós-modernidade é realizada sociamente pelo virtual. Verifica-se que não há uma politização da internet, mas sim uma despolitização do político.

Talvez este seja o maior prejuízo para a esquerda a fim de garantir lugar de durabilidade no mundo virtual, mesmo para àquela parcela da esquerda que flerta, às vezes como em namoro de portão, com o discurso pós-moderno, renunciando à verdade histórica forte, e pressupondo que toda explicação totalizante é totalitária. Ora, mas quem recusa a verdade como princípio determinante da crítica do presente em longo prazo se mostrará incapaz de apresentar alternativas, tateando entre a certeza daquilo que não quer e a incerteza do que quer.

Quando o presente torna-se a timeline da rede social, nem ao menos podemos dizer que algo de sólido se desmanchou no ar, pois antes não havia nada de sólido, mas tão somente visibilidades de virtualidades. Pensar que de uma ocupação massiva dos espaços virtuais só podem advir ganhos, e sempre, além de falho, é ingênuo.

A “esquerda ruim de internet” não é tanto aquela que perde espaços para a direita no mundo virtual, que não consegue figurar nos trendig topics, mas sim aquela esquerda que abre mão de problematizar os efeitos danosos da naturalização do virtual, que é incapaz de criar sua própria visibilidade política, a esquerda que colabora com a “anemia histórica” ao deslocar o protagonismo e a realidade das lutas histórico-sociais para o virtual. Se a revolução não será televisionada, também não ocorrerá pelo mero sucesso da militância virtual. Uma esquerda mais virtual que real, talvez seja o que de mais benéfico possa acontecer ao capital, pois é primordialmente pela direção do capital que a internet opera.

1BENSAÏD, Daniel. Os irredutíveis: teoremas da resistência para o tempo presente. Tradução Wanda Caldeira Brant. São Paulo: Boitempo, 2008, p. 31.

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28 comentários para "Notas sobre a “esquerda ruim de internet”"

  1. “Tocou na ferida”. O entusiasmo transbordante com o virtual é também uma forma de esconder a indigência programática para travar a luta política e a incompetência teórica para travar a “luta das ideias”, por parte da dita esquerda não tradicional. Para esta esquerda, cada dia é uma surpresa e, por isso, é também uma oportunidade de lutar contra ela mesma, ao fim das contas. Ninguém deseja uma esquerda insulada e fora do jogo, mas, ao entrar no tal “jogo”, como ela irá jogar? Se as regras já são definidas pelo adversário/inimigo, porque a relação de forças é desigual, ainda por cima se vai adotar abrir mão do mando de campo e adotar a mesma estratégia do oponente, o resultado dessa disputa não estaria previamente definido? Há de se prestar muita atenção no discurso fácil que “surfa na onda”, em meio a uma crise real das forças de oposição ao mainstream. Tudo que é fácil em política, depois de algum tempo, revela-se muito custoso.

  2. José Antonio Meira da Rocha disse:

    Tudo é mediado. Os contatos pessoais são mediados pela luz e pelas vibrações do ar, às vezes pelos cheiros e gostos. A comunicação por redes de computadores apenas coloca mais algumas camadas de comunicação em relações já mediadas. Então, falar em “virtual” como algo diferente ou oposto ao “real” torna-se sem sentido. Mais uma mitificação popularizada por Lèvy, sempre atrasado em relação ao que acontece nas redes.

  3. Dizer que tudo é mediado sem caracterizar a natureza das mediações é comparar indevidamente fenômenos absolutamente distintos. Quando digo que os contatos pessoais são mediados pela luz, por exemplo, estou me referindo a um fenômeno físico. Quando digo que os contatos pessoais estão sendo mediados por redes sociais, estou me referindo a um fenômeno social que, por seu turno, implica significado entre emissor e receptor da comunicação. Este tipo de sofisma é que permite a afirmação mais do que contestável de que não teria sentido falar hoje em virtual em oposição ao real.

  4. Não é só ruim de internet, a redes de televisão são controladas por Sionistas ou Evangelicos (praticamente a mesma coisa), quem quer intender a Direita Moderna só tem que olhar a interseção da Maçonaria, Sionismo, Evangelicos no Brasil e principalmente no EUA e Anglosphera.

  5. Fran Alavina disse:

    Poderia haver algo mais exemplar da “naturalização do virtual” apontada no texto, do que tentar compreender o virtual tendo por base dois fenômenos físicos, portanto naturais, como a “luz” e as “vibrações do ar”? Como já dito anteriormente temos dois “fenômenos” distintos. Tentar compreender o virtual como uma “camada” que se sobrepõe sobre outras, nos parece que ao mesmo tempo em que simplifica, reduz uma realidade por demais complexa. Ademais, a chave interpretativa do virtual como meio, ou seja, como apenas mediação parece não abarcar uma das principiais características do virtual: se desprender do papel de simples mediador, isto é, deixar de ser meio para se tornar fim.

  6. Luiz disse:

    Muito boa a reflexão. Acho q a internet (redes sociais) é ágora onde se dá os debates de ideias, reflexões, seja elas de senso comum, ou nível, digamos, mais científico. Numa sociedade complexa, do pouco tempo livre dos trabalhadores, da corrida pelo dia, onde o cansaço vence a disposição, a internet é um grande campo de luta ideológica sim, um meio de contato com aqueles que nem sequer foram a um encontro partidário, ainda mais agora com a violência urbana como freio de ação. Com relação às discussões geralmente empobrecidas, que é fruto do baixo nível de leitura ou escolar da maioria dos brasileiros, a internet pode ter um caráter pedagógico, no sentido de pôr na arena lutadores de suas ideias para o confronto em que vença o melhor. Pelo menos na internet, há o contraditório, a luta dos contrários, como uma boa dialética.

  7. Luiz disse:

    Buscar esta verdade histórica parece algo determinista, absolutista, como se existisse uma verdade histórica a se efetivar, porque vivemos uma mentira histórica. Em política, o termo verdade tem um certo grau de relatividade. Que verdade? Que história? Que utopia a se realizar? Acho que a verdade hoje é denunciar a exploração capitalista, o caráter destruidor do sistema e o risco para o planeta com essa voracidade por lucro e produção incessante sem racionalidade, sem sociedade planejada (socialismo). Como diz Boff, o capitalismo precisaria de 100 planetas terra para efetivar sua voracidade de recursos naturais. Claro que a internet não pode ser a centralidade da ação política, mas pode ser o panfleto para convocar pessoas a irem às ruas, usar o videoconferência como forma de chegar a milhões, mais do que se fôssemos fazer um encontro na sede do partido.

    • No meu entender, dizer que: “… a internet pode ter um caráter pedagógico, no sentido de pôr na arena lutadores de suas ideias para o confronto em que vença o melhor.” é de uma ingenuidade maiúscula. Com efeito, a esquerda, de modo geral, ainda alimenta muitas esperanças no âmbito de um meio de circulação de ideias que ainda não teve tempo de ser processado pelo mainstream. Porém, o texto da autora diz respeito a uma noção de que a esquerda deveria se adaptar a forma e conteúdo da web para ser mais eficiente, parecendo mais “amigável”. Esta crítica, no meu entender, é que está no centro do debate e não o fato da web ter se tornado mais um palco da luta de classes. Além disso, a emergência do pensamento pós-moderno no interior da esquerda tem pouco a ver, em minha opinião, com o alegado abandono do pensamento marxista por parte da esquerda, pois foi o pensamento marxista que, cristalizado por parte de muitos dos seus representantes intelectuais, que não conseguiu explicar suficientemente as novas formas e os novos conteúdos do capitalismo contemporâneo.

      • Luiz disse:

        Ingenuidade é achar q a internet não tem um caráter pedagógico, educativo e circunscrevê-la no seu aspecto negativo de uso e abuso. A circulação de ideias, pensamentos, com seus confrontos e conflitos pode sim ter um caráter educativo a posteriori. Se por acaso alguém desconhecer determinados temas ou reflexões e tiver contato com tais, pode sim repensar sua posição política, filosófica etc. O texto não só trata disso, mas dá espaço para gente desdobrar a questão em outras questões. A internet é também palco da luta de classes, não no seu sentido clássico, mas da luta pela hegemonia do discurso político, religioso, filosófico, histórico etc. A luta de classes não é um conceito estanque no seu sentido clássico.

        • Se o Sr. Luiz parasse, por um momento, de ministrar aulas chatas sobre marxismo, com suas fórmulas prontas, retiradas de manuais de segunda mão e, por um momento que fosse, elaborasse uma reflexão consistente sobre o conteúdo central do artigo em questão, talvez, contribuísse mais para o esclarecimento da tal “luta de classes” na internet. Que a rede mundial de computadores tem um “caráter pedagógico” é uma obviedade. A questão que poderia ser formulada aqui é o que se faz com toda esta gigantesca usina de possibilidades “pedagógicas”. Há, por acaso, uma sociedade atrás dos monitores, ocupada e preocupada com o acesso ao saber ou a imensa maioria a usa para frivolidades, cultivando, até mesmo, a liberação de seus preconceitos e recalques pessoais, fazendo com que a internet se pareça cada vez mais com uma gigantesca “Revista Caras”, cujo hedonismo e narcisismo funcionam como terreno fértil para as concepções de mundo pós-modernas. A dita esquerda dos “marxismos” e não marxista irá escolher este ambiente pré-figurado em seus critérios de sucesso e fracasso para mobilizar a consciência dos não sócios do capitalismo global? Será assim tão simples? Chega de jargões e chavões. Vamos pensar.

          • Luiz disse:

            Realmente o sr. revelou que não sabe nada de marxismo e fez uma leitura puramente aparente do q escrevi. Nunca leu Marx, parece, e se leu, não fez uma leitura imanente de Marx. Fez uma leitura superficial do seu pensamento. Marxismo não são fórmulas prontas, são reflexões, estudos profundos feitos anos a fio. Pena q tou com dificuldade de publicar isto aqui

          • Prezado Sr. Luiz, quero agradecer imensamente suas contribuições luminares para o meu mais completo entendimento do marxismo. De fato, devo reconhecer que, ao contrário do que o Sr. postou anteriormente, eu li Marx e os marxistas, mas a minha compreensão dessa teoria foi absolutamente alterada após a leitura de seus esclarecedores comentários sobre o texto de Fran Alavina que nunca pretendeu questionar os conceitos marxistas de análise da realidade, o que, indiscutivelmente, realça ainda mais a sua sapiência e leitura “imanente” de Marx. Muito obrigado!

          • Luiz disse:

            Dispenso a ironia sr. Magrone. Mas hoje não podemos analisar a realidade ignorando Marx, quanto mais falar da esquerda, como o artigo de Fran, sem se referenciar ao marxismo. Pelo contrário, não destoei do tema, mas me somei ao tema. A base do pensamento da esquerda sempre foi a matriz ideológica de Marx, porque foi um dos pensadores filosóficos q mais se aprofundou na ontologia social do capitalismo. Não foi a toa q o maior especulador financeiro do mundo, George Soros, voltou a ler O Capital de Marx na crise de 2008. Então vamos com calma com a vaidade intelectual. Eu tbm li todos os livros de Marx editados no Brasil é seus principais interpretes. Sei do a falo. Valeu a peleja.

          • Amém! Sem Marx somos todos um bando de crianças inocentes em meio ao mundo perverso do sagaz Capital. Ainda bem que temos uma religião para nos conduzir em meio às trevas.. Sr. Luiz, sinceramente, só é possível levar você a sério com muita ironia.

          • Luiz disse:

            Muito menos levar a sério vc que faz um malabarismo crítico micho sobre Marx sem conhecer profundamente o que Marx escreveu e fica no discurso crítico superficial, com adjetivações idiotas e tolas. Então encerro esta peleja inútil com alguém que fica com essa verborragia antimarxista.

          • Caro “marxista” Luiz, não fique nervoso. Estamos em uma época de imensas possibilidades por meio do oportunismo transcendente radical. Há muita gente ganhando muito dinheiro com a fé alheia. Siga meus conselhos. Não vá pela cabeça dos outros. Funde a sua própria igreja e tenha Marx como guia para a conquista do “futuro nirvana social da humanidade”. Vá com fé no peito e Karl Marx na cabeça. Saudações democráticas!

          • Luiz disse:

            Esse seu discurso só mostra sua total ignorância em Marx… sem mais nada a declarar… fique com sua filosofia transcendental chula…vazia.

          • Sr. Luiz, não esqueça de cobrar o dízimo. Isto irá lhe ajudar em sua cruzada marxiana pela salvação da humanidade. Boa sorte!

          • Luiz disse:

            Vc como professor universitário está se saindo um senso comum baixo nível. Quando não há argumentos, a tática é a ofensa, a ironia idiota. Vc como professor universitário deveria saber que na academia há correntes de pensamento, escolas de reflexão, mas a mediocridade a gente encontra também na academia. Lamento sua conduta intelectual infantil.

          • Sr. Luiz, volte a lhe pedir calma. De qualquer modo, agradeço sua avaliação de meu desempenho neste debate como professor universitário. É sempre bom termos feedback, a despeito de gostarmos ou não do conteúdo dele. Permita-me também uma avaliação de sua postura neste debate. Dogmatismo, insulamento intelectual e fundamentalismo são traços típicos de quem, diante de questionamentos e críticas às suas posições, reage como um pugilismo verbal digno de um adolescente que se apaixonou por uma referência teórica, assim como se apaixona por sua primeira namorada. Aliás, este personagem inflaciona as salas de aula das universidades brasileiras há muito tempo e parece que o conforto idiota de uma referência sustentada por uma verborragia oca lhes é intelectualmente suficiente para preencher sua mente de uma curiosa arrogância pueril. Saudações democráticas…

          • Luiz disse:

            Dogmatismo? De onde vc tirou isso? Apenas defendi a importância do pensamento de Marx sobre a sociedade capitalista. Vc vem com ironias, tenta me desqualificar como especialista em Marx, etc. Meu caro, vc sabe muito bem que há pessoas especialistas em Habermas, Lukács, Sarte etc. Eu apenas defendi Marx da forma distorcida q vc colocou. Só isso.

          • Meu caro, você já ganhou o título de interlocutor mais “pé no s.” que eu encontrei na web. Além de um péssimo senso de humor, cita Marx como um clérigo cita seu Talmude e ainda se arroga ao direito de medir quanto um crítico sabe de Marx. Acho que você deveria criar um “marxímetro” para cientificar-se do quanto alguém domina a sua teoria preferida. O que eu pretendia fazer aqui era apenas debater o conteúdo do excelente artigo da Fran Alavina, mai minha iniciativa transformou-se em um bate-boca sobre quem sabe mais marxismo. Você é muito chato, faça-me o favor! Sem ironias e piadas, não é possível suportar sua impertinência superlativa. Se o que você tinha a dizer sobre o artigo acima é simplesmente aquilo que você já disse, vamos parar por aqui. Concedo que você me venceu. Foi pelo cansaço, é verdade, mas, enfim, é uma vitória, não? Chega. Se entender de marxismo faz as pessoas ficarem tão chatas assim, eu preferiria ignorar completamente a obra do alemão barbudo. Larga de ser chato!

          • Luiz disse:

            Em nenhum momento vc fez crítica e sim deboche do que eu escrevi. Acho melhor vc ler antes o que escreveu. E não tou dizendo que Marx seja incriticável não. Sobretudo, pq foi o próprio Marx q disse q não fizesse do pensamento dele um dogma de fé. O que lhe disse é q vc não conhece Marx na sua totalidade e faz críticas a ele de forma superficial. Tchau.

          • Luiz disse:

            Vc e seus adjetivismos,,, fui.

      • Luiz disse:

        Que marxismo? São tantas escolas marxistas. Marxismo polonês, austríaco, russo… ou de tipo ortodoxo, heterodoxo, revisionista etc. O marxismo não é uma teoria perfeita, é a tentativa de explicar como funciona o capitalismo na sua essência, como se dá o processo de exploração do trabalho pelo capital e como se dá o processo de crise de valorização do valor. Não é apenas um método político de ação, mas um método de conhecimento da realidade capitalista, das contradições do sistema de valorização do dinheiro. O capitalismo têm algo imutável nele: mais valor. Esta é a universalidade do pensamento de Marx. A forma e o conteúdo de como extrair valor não elimina o caráter dialético do pensamento de Marx.

      • Luiz disse:

        Acho que uma boa leitura do livro Para além do Capital de István Mészaros pode te dar um norte sobre como intelectuais marxistas compreenderam essa transição de um capitalismo imperialista para um capitalismo financeiramente globalizado. Há um vasta literatura discutindo esse pós-capitalismo, inclusive com autores pós-marxistas como Robert Kurz, Anselm Jappe, Moishe Postone. O capitalismo embora tenha mudado sua forma de exploração, o conteúdo de exploração não mudou in totum. O problema da esquerda hoje é como desenvolver uma estratégia de luta anticapitalista num período histórico de crise econômica, política, ideológica, uma pane de ideias etc.

  8. Luiz disse:

    O bom dessa discussão é q há o diagnóstico de uma esquerda em crise ideológica,desde o fim do socialismo real, uma crise de produção de uma estratégia revolucionária a nível mundial como diz Mészáros. Mas do caos político e ideológico pode nascer o novo. Vivemos hoje uma nova onda conservadora tal qual os anos 1990, do neoliberalismo ortodoxo. A sociedade movida pelo pensamento religioso fundamentalista foi a grande protagonista do golpe parlamentar, pq o pensamento fundamentalista tem o conteúdo político da direita. E a direita é a política das classes dominantes, o governo com os ricos, pelos ricos e para os ricos. A esquerda tem como viés politico o fim do status quo, da sociedade capitalista classista. Abandonou a linha marxista de apreensão da realidade e por isso assimilou na prática o pensamento pós moderno q não pensa a realidade contraditória.

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