Para apagar o sorriso dos usurpadores

Como passar do #ForaTemer à construção de força constituinte? Debate entre Safatle, Chauí, André Singer e Paulo Arantes aponta algumas trilhas

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Como ultrapassar a reação destituinte do #ForaTemer para construção de uma força constituinte? Debate entre Safatle, Chauí, André Singer e Paulo Arantes aponta algumas trilhas

Por Ivana Bentes

Combinar a luta insurgente dos movimentos sociais e culturais nas ruas com a institucionalização e a defesa da legalidade. O que parecia dissociado em Junho de 2013 tornou-se imprescindível para reverter o golpe em curso no Brasil de 2016.

A mística revolucionária das ruas e dos puros não basta. O ódio à institucionalidade, o ódio à política foi capitalizado pela direita e foi a base do golpe constitucional, do golpe jurídico-midiático instalado com o governo interino de Michel Temer. A casta política mobilizou as ruas, mimetizando 2013, e soube utilizar os mecanismos institucionais, mesmo que de forma esquizofrênica e conflituosa, para hackear os três poderes, criar instabilidade e golpear a democracia.

O que há para entender não é fácil e nem é óbvio e demanda velocidade de reação, articulação e mobilização para além da “zona de conforto” em que estávamos instalados. Junho de 2013 foi um basta, foi uma alerta, foi uma insurreição das ruas (mas o que fazemos depois que saímos das ruas?) que naquele momento iluminou o Brasil décadas para frente.

Nem a direita e nem as esquerdas souberam responder a Junho, e a sua potência “destituinte”. Não respondemos as suas pautas, mobilidade urbana, horror à corrupção institucionalizada, novos movimentos e linguagens, a emergência dos “desorganizados” sem partidos, sem teorias, com seus corpos insurgentes nas ruas. Essa ruidocracia barulhenta antecipou a crise de representação e a indignação com “tudo o que está ai”, e a direita capitalizou parte dessa revolta.

Nesse momento, temos novos impasses: como ultrapassar a reação negativa e destituinte do #ForaTemer para construção de uma força constituinte? Uma Frente política das esquerdas envolvendo não apenas os partidos, mas os movimentos e novos atores políticos? Uma Frente pela Democracia, quando a bandeira da legalidade está com a esquerda? Nem a mística das ruas e nem a mera institucionalidade resolvem. Pois é preciso converter essa Frente da Democracia, essa Frente da Diversidade, em mística e em votos.

Duas Frentes importantes já emergiram, a Frente Brasil Popular, pós-petista, e a Frente Povo Sem Medo, gestada pelos movimentos de moradia; e outras frentes como a da cultura, a dos midiativistas, a dos servidores públicos, a das universidades vêm se juntar a estas, constituindo uma ruidocracia potente que se articula, mobiliza e emerge de forma capilarizada em todo o país.

A força constituinte de algo novo não eclodirá entretanto sem a força destituinte do que ai está, por isso é preciso rever, ruminar, mastigar todos os erros das esquerdas e em especial os erros do PT. Autocritica ou autorreflexão, expiação, pouco importa a palavra. Todos concordam que a esquerda lulista e o PT têm que responder de forma convincente sobre o enfrentamento da corrupção.

Como cita Vladimir Safatle em recente debate na USP sobre “Os Caminhos da Esquerda Diante do Golpe”, de 30/05/2016: “Meu problema não são os meus inimigos, mas meus aliados”, dizia Getúlio Vargas.

Safatle critica duramente Lula e o PT, na sua fala, por ter realizado da forma mais acabada o modelo da conciliação e do conchavo entre forças oponentes que vem desde a Nova República, trazendo todos os conflitos para dentro do Estado: “Conflito entre os economistas ortodoxos e os nacionais-desenvolvimentistas, conflito entre o agronegócio e os ambientalistas; conflito entre as Forças Armadas e os defensores dos Direitos Humanos.” Uma “esperteza política” que segundo Safatle deixou campos de conflitos intocados.

“Lula tentava conciliar os oponentes e consolar o perdedor dos conflitos”, diz Safatle, filiando Lula, sem chamar atenção para as rupturas presentes no projeto lulista, numa linha de continuísmo (da Nova República ao PT) que não suporta ou não tem força para enfrentar as contradições e responde de forma conciliadora e esquizofrênica, mediando forças inconciliáveis.

Marilena Chauí, no mesmo debate, corrige Safatle lembrando a incrível invenção social que foi o PT com todas as suas contradições e lembrando que a “negociação” é o modelo sindical, e foi na mesa de negociações, que Lula se formou. Não se trata pois de uma negociação “pelo alto”, um conchavo entre elites, mas no rés do chão, negociar com o possível.

Fato é que, tentando conciliar tanto, Lula-Macunaíma, herói de nossa gente, tornou-se vitima do princípio antropofágico: fomos comidos e no momento estamos sendo afrontados e devorados pelas forças arcaicas, pela blindagem midiática, pelos interesses inerciais da casta políco-econômica.

Derrotados, temporariamente, estamos nos unindo e saindo da autofagia, a antropofagia dos fracos! Uma Frente da Democracia pode vir? Muitos atores, conflitos, senões. Marilena Chauí vai ao ponto que nos interessa. Não podemos apostar em qualquer unidade, mas numa união, sem identidade única, sem apagar as diferenças, sem uma liderança das esquerdas e seus apêndices. Sem princípio de diferenciação não tem união.

As esquerdas são autofágicas, fragmentadas, partidas, têm no máximo pautas comuns, “não por estupidez ou por má vontade”, como sublinha Marilena, mas porque têm histórias e trajetórias distintas. Os centralismos falharam, articular diferenças, fazer um rizoma, capilarizado e potente é o maior desafio das forças disruptivas.

Quando falamos de ruidocracia, da democracia dos diferentes e dos muitos, não se trata de uma noção abstrata, mas algo muito concreto. Estamos fadados a estarmos juntos, reprimindo nosso impulso fratricida.

O autonomismo não basta, o petismo não basta, o lulismo sofreu um esgotamento, os purismos não servem, tem que ter pau, pedra, movimentos, partidos, insentões, fazedores, conceituadores, pitaqueiros, decepcionados, maníacos e depressivos nesse enfrentamento.

Marilena Chauí sublinha que “o PT foi o primeiro partido de esquerda que não foi construído por uma vanguarda intelectual, estudantil, militar, socialista ou comunista. Foi a classe operária que construiu o PT, por ela própria, com correntes, alas, facções. Um partido de massas com todos os problemas que advêm dai. “ Se não tivermos um partido ou uma frente de massas, com toda sua diversidade, como enfrentar a casta conservadora unida?

Não são poucos os quadros, agentes, movimentos que reagem, mas não são poucos também os que estão prostrados e melancólicos, vendo o golpe contra a democracia se instalar sem reagir ou ir para as ruas. Não são poucos os que se perguntam, mas o que Dilma Rousseff irá fazer se voltar ao poder? Se o impeachment não passar, como Dilma poderá remediar em dois anos e meio, a toque de caixa e em regime de urgência, o que não foi feito desde seu primeiro mandato? Como poderia instalar um regime de radicalização da democracia com vitórias públicas? Com esse Congresso e esses poderes?

E como propor nesse momento novas eleições presidenciais, antes que o processo do impeachment se resolva, sem rifar Dilma, sem passar por cima do #VoltaDilma que ainda mobiliza alguns e faz de Dilma a golpeada número um?

As esquerdas estão nas ruas e não param de formular e agir para apagar o sorriso dos usurpadores do poder, num extraordinário laboratório social. Mas, por que a direita não está na rua? “Eles estão quietos nos sofás porque ganharam”, diz Paulo Arantes, outro participante desse debate histórico na USP, em uma análise realista, mas apocalíptica que fala em “desintegração social” e um elo de continuidade muito mais forte do que supomos entre 2016 e o golpe de 1964.

Para Paulo Arantes estamos há 52 anos vivendo a ditadura e a pós ditadura, estamos ainda no mesmo campo de influência de 1964. O golpe estava apenas adormecido e acordou! A Constituição de 1988 avançou, mas ficaram “cláusulas pétreas”, inegociáveis pelas elites: as reformas de base, a democratização e regulação da mídia, a condenação dos torturadores de 64, o sistema de financiamento das campanhas eleitorais, a criminalização dos movimentos sociais com a Lei Antiterrorista, etc E nesse momento em que os confrontos se tornaram inevitáveis, expostos, rumamos para um cenário “Dogville”, filme de Lars Von Trier, citado por Arantes, sem saída, terminal, em que todos do campo das esquerdas sairiam derrotados.

Mesmo não partilhando do derrotismo apocalíptico de Paulo Arantes, pois as cartas estão na mesa e o jogo sendo jogado, quando Arantes fala de “liquefação social e institucional” como parte do cenário internacional e do capitalismo global, desde os anos 90, quando fala de uma nova Guerra Fria, justifica seu pessimismo criticando o horizonte apequenado da esquerda nacional-desenvolvimentista (leia-se dilmista) que apostou nesse neodesenvolvimentismo fordista em que estamos. “Uma esquerda que tem como modelo a China”, ironiza Arantes, e concordamos, “perdeu a capacidade de sonhar.”

É que as mãos sujas de petróleo deveriam investir esses ganhos e lucros da Petrobrás em educação, cultura, energia limpa, mas isso sequer foi vocalizado depois da eleição de Dilma em 2014. Nada fez supor, mesmo para nós que estávamos no governo Dilma, apostando na “esquizofrenia” compensatória do modelo de coalizão, uma ruptura com o sistema eleitoral e seu financiamento, um sistema corroído e datado que teria que ser desinvestido para a emergência do novo e de novas forças.

Esse modelo neodesenvolvimentista também atacou os povos originários, ribeirinhos, o meio ambiente, os trabalhadores rurais, etc. Atacou a diversidade cultural, a diversidade econômica, o que nos colocava em um lugar difícil: lutar contra o Estado de dentro do Estado, comer pelas bordas o prato fervente. E foi o que fizemos na Cultura, pois é possível lutar de qualquer lugar.

Mas, enquanto o Ministério da Cultura tentava blindar a cultura de base comunitária, indígena, quilombola, os terreiros de candomblé, a cultura da periferia, os novos movimentos urbanos, os midialivristas, as mulheres e novos sujeitos políticos que emergiram nas últimas décadas, o modelo neodesenvolvimentista da economia e sua mentalidade fordista desrespeitava toda essa diversidade em diferentes campos em nome de uma modernidade conservadorora, que a Cultura já tinha superado em termos conceituais e práticos desde a gestão de Gilberto Gil/Juca Ferreira.

Nesses últimos anos, a Cultura emergiu como um outro paradigma possível, de respeito à diversidade, outro modelo de desenvolvimento. O movimento das 27 ocupações dos equipamentos públicos do MinC em todo o Brasil contra o golpe aponta as condições para uma mobilidade subjetiva, renovando a política. A Cultura está se associando à luta da moradia, à juventude rural, aos secundaristas, à luta nas cidades, ao novo urbanismo, à constituição de “commons” e bens comuns. A Cultura tem apostado no municipalismo, na capilaridade, na inovação cidadã, na emergência das redes, na formação livre, na riqueza da pobreza que vem das periferias. Uma reversão por baixo, mas que precisa de novas institucionalidades para se potencializar.

O governo Dilma teve Kátia Abreu na Agricultura e Juca Ferreira na Cultura! Dois cultivos, dois plantios, duas apostas, duas forças oponentes e contraditórias inconciliáveis. O governo Dilma teve Joaquim Levy como Ministro da Fazenda e Paul Singer, Secretário Nacional da Economia Solidária. Dois modelos conflitantes, a economia clássica, do endividamento e do consumo ilimitado, estimulado artificialmente, predador, e o modelo emergente das finanças solidárias, do bom viver, do comércio justo. Os exemplos e contradições internas são muitos, embaralhando o horizonte dos possíveis.

Mas nesse momento não basta apontar os erros, como os “profetas do dia seguinte”. Uma proposição de Vladimir Safatle nos alerta “Como impedir a melancolia, diante do gosto amargo do sorriso do usurpador?” Pois “é mais fácil comandar um povo melancolizado que internaliza o luto e as mudanças como algo irrealizável.”

“Não está tudo bem”, como diz a Frente dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Serviço Público, que se juntaram pela primeira vez em ações de resistência de dentro da máquina do Estado com ações diretas que já ajudaram a derrubar pelo menos dois Ministros do “machistério” de Michel Temer.

Em dois meses, mais de 400 atos foram organizados dentro e fora do Brasil contra o golpe. A narrativa contra o golpe se espalhou em ondas, memes, vídeos, análises, ações, da Mídia Ninja, dos Jornalistas Livres, pelo jornalismo independente do Outras Palavras, Revista Fórum, blogueiros e blogueiras, campanhas, hashtags, canetas desmanipuladoras, vomitaços, etc.

Cresce a rejeição aos efeitos devastadores do golpe para os direitos e para a democracia, seu impacto na vida cotidiana de cada um de nós e para os mais pobres, crescem as mobilizações nas ruas, nas ocupações, nas universidades, nos sindicatos, nas redes sociais, frente das mulheres, LGBT, dos artistas, da cultura, das periferias, emergem diferentes fronts. Temos um país insurgente lutando contra um Estado de exceção instalado.

Também não podemos esquecer que as lutas são globais e se articulam contra a ascensão em muitos países do conservadorismo e do fascismo. O que nos resta fazer? Permanecer no front e no presente urgente, atentos aos micromovimentos e aos abalos sísmicos.

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11 comentários para "Para apagar o sorriso dos usurpadores"

  1. Marcos Manhães Marins disse:

    Não, Ivana Bentes, junho 2013 já era parte ardilosa do GOLPE. Foi lindo, mas o povo foi massa de manobra. Convocadas em inglês pelo face e youtube, as manifestações partiram do convencimento de que o Brasil precisava mudar. Até precisava, mas os patrocinadores não disseram QUAL MUDANÇA ELLES QUERIAM. O povo foi às ruas com reformas e democratização na cabeça. Não foi essa mudança que o vicepresidente dos EUA veio propor a Dilma no mês anterior, maio 2013. Era no regime do PRÉ-SAL. Dilma negou, manteve regime de partilha. Tem outros, mas este foi o incidente desencadeador do Ponto de Virada no roteiro do golpe iniciado desde que Lula entrou, passando pelo julgamento Mensalão DO PT, com uma BARRIGA em 2008, na crise que ocupou os EUA com seu umbigo-prejuízo de US$ 20 trilhões (ter o pré-sal no mercado futuro passou a ser fundamental). Não só para eles, a SHELL holandesa, embora tenha aceito partilha já declarou que quer CONCESSÃO. Com a descoberta do petróleo das rochas de Xisto, os EUA aquietaram-se por poucos anos, mas logo perceberam que a DERRAMA de “shale oil” faria a quebra de países exportadores de petróleo. Bancaram o “dumping”(preço manipuladamente baixo) até fevereiro 2016, quando o petróleo custava US$ 26 o barril. A PANCADA MAIOR foi em 2014, por coincidência nos meses da campanha: em junho custava US$ 110 o barril e em outubro, dias do voto, US$ 49 o barril, Receitas previstas por DILMA com exportação de petróleo do Pré-Sal foram inviabilizadas, e os INVESTIMENTOS nele feitos não tiveram retorno, figurando no balanço como prejuízo. A prejudicada pelo Junho 2013 foi Dilma, cuja popularidade despencou de 70% para 35% embora as ruas não pedissem “fora dilma”. Após a vitória de Dilma, surgiram as manifestações pedindo até “morra Dilma”. MBL, etc patrocinados por vários interessados, inclusive os IRMÃOS KOCH, donos de Petroleiras nos EUA. Tem mais: a entrada em cena em 2012 de um advogado do interior de SP, um juiz sem muito currículo, fanático admirador da “MANI PULITE” italiana, convidado a fazer um cursinho onde? Nos EUA, e daí cai nas mãos dele dossiê completo sobre as propinas na PETROBRAS nos mandatos DO PT. Na quência paralisa a construção do SUBMARINO NUCLEAR (projeto apoiado pelo PT para proteger o Pré-Sal) alegando corrupção, prendendo o Cientista-Almirante. Mais recentemente tentou sequestrar LULA, levá-lo para as masmorras de Curitiba (segundo escalão da Aeronáutica impediu). Os coxinhas foram massa de manobra de interesses dos BILIONÁRIOS, não da classe média, muito menos dos mais pobres: Pagar com juros abusivos a Dívida Externa e Interna a nossos credores (70% deles banqueiros) com PRIORIDADE sobre saúde pública, educação pública, etc; manter isenções de impostos para dividendos e ausência de controle sobre fluxos ilícitos de capitais; entregar Petrobras, Eletrobras à iniciativa privada, etc, etc, etc. Geopoliticamente os BRICS incomodam o G7 (G8). Um banco internacional controlado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul? É complexo, MAS A PRIMEIRA COISA É TERMOS UM ENTENDIMENTO COMUM do ROTEIRO até a cena final (PREVISTA pelo grupo Golpista!). Sim, e daí com convicção FAZER NOSSA HORA, que precisa ser, SIM, Maior que junho 2013. Maior em compreensão de que SÓ O POVO NA RUA, ocupando o Palácio do Planalto, como foi feito em junho 2013, pode tirar esta equipe de IMPOSTORES de lá. Elles tem a “grande” MÍDIA, tem domínio sobre os 3 poderes, MAS SOBRE O POVO, só tem domínio enquanto permitirmos. Ou não?

  2. Não creio que o “volta Dilma” mobiliza apenas “ainda alguns”…Mobiliza a maioria que está contra o golpe, embora não conte com estatística sobre isso. Nem a autora. ;

  3. concordo em tudo com o Marcos, em tudo que se refere a junho/13

  4. Marcos Manhães Marins disse:

    Valeu, Fábio! Meta 10 milhões nas ruas dia 10 #META10MILHÕESDIA10

  5. Marcos Manhães Marins disse:

    Em tempo, não poderia deixar de PARABENIZAR Ivana Bentes, pelo belo texto. Com o comentário, penso ter dado também minha humilde contribuição ao debate nas redes.
    Ficou faltando uma análise dos interessados e dos autores, com relação à estrutura denunciada por Jucá, e a que não estava nas gravações, mas podemos afirmar: RODRIGO JANOT é o Procurador Geral da República, chefe do MINISTÉRIO PÚBLICO (MP sem o F), que é instância ACIMA de todos os 27 MPF(s) estaduais, inclusive o MPF do Paraná, onde estão os procuradores do Ministério Público do Paraná, os procuradores da Lava Jato, Deltan Dallagnol, Carlos Lima, etc. Assim, Janot SABE, autoriza, permite a conduta partidarizada e seletivista que desde o começo pautou a Operação Lava Jato.
    Na estrutura do Poder Judiciário, o Ministro Relator da Lava Jato, TEORI ZAVASCKI no STF está abaixo do Plenário do STF, mas acima, pela ordem:
    I – o Supremo Tribunal Federal;
    I-A o Conselho Nacional de Justiça; (Incluído pela EC 45/2004)
    II – o Superior Tribunal de Justiça;
    III – os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais; ONDE SE ENCONTRA O JUIZ SÉRGIO MORO, juiz federal de primeira instância.
    Por esta razão, pôde Teori chamar a atenção do Juiz Moro, quando de seu impetuoso vazamento das conversas telefônicas entre Lula e DILMA, a presidente do Brasil. E a ele, Moro pediu desculpas pelos excessos.
    ENTRETANTO, o STF só atua quando provocado.
    E pelo que temos visto, nem provocado, tem atuado para ANULAR um “impeachment” SEM CRIME TIPIFICADO, que nasceu de um ato de vingança por Dilma não ter cedido a uma chantagem para mandar os 3 deputados do PT na comissão de ética votar contra a abertura do processo. Que prosperou no Plenário da Câmara em 17 de abril, porque segundo depoimento de Júlio Camargo, Cunha teria dito que tem o comando de 260 deputados, e que sobre um único contrato teria exigido cerca de 20 milhões de reais à época da delação (US$ 5 milhões). No site excelencias.org.br tinha apontado um valor da ordem de 150 milhões a que Cunha respondia, mas estes dados não estão mais no site, porque Cunha está afastado.
    Um “impeachment” para o que não interessava a ninguém conhecer provas, apenas tirar a presidente “de qualquer jeito”, expressão usada por Sarney numa outra gravação vazada. Que no Senado, assistimos a Comissão votando sempre 15 a 5, (seria 16 se Raimundo Lira votasse), e NEGANDO a maioria dos requerimentos, de juntada de provas. No áudio vazado de Romero Jucá, inclusive teriam sido contactados Ministros do STF para que ajudassem na consumação do golpe de estado, tirar a presidente eleita, para livrar grande parte dos políticos, “parar a sangria” da Lava Jato.
    Com isso, o Povo ficou órfão de instituições. No momento, um Poder Executivo recheado de ministros e secretários, incluindo o presidente, citados ou processados na Lava Jato ou em outra suspeita de corrupção na Justiça. Um Poder Legislativo, onde cerca de 60% dos parlamentares estão envolvidos em algum processo de suspeita de corrupção, alguns já réus, conforme demonstra o site: http://www.excelencias.org.br (era pior, quando estavam lá o Delcídio e o Cunha). E um Poder Judiciário também sob suspeita depois dos áudios gravados, e que, por observação tem adotado um “roteiro” no mínimo estranho: esperar 5 meses para afastar Eduardo Cunha, e tê-lo efeito dias depois de consumado o afastamento de Dilma no Senado, e posse de tEMER. Por que não antes? Também os áudios gravados em Março, antes da votação da admissibilidade do impeachment na Câmara, só foram vazados por Janot para a Globo (numa repetição do modus operandi adotado pelo Moro desde o início, e que ele copiou da operação que admira, a “Mani Pulite” italiana.
    E por fim, a “grande” mídia, capitaneada pela Globo, que apoiou este processo desde quando Lula assumiu a presidência em 2003, esta é que é a grande verdade. Aonde isso tudo irá nos levar, ainda não sabemos. Mas percebe-se que só O POVO NA RUA, em manifestação MAIOR do que a de junho 2013 pode resgatar a Democracia e a Legalidade.

    • Marcos Manhães Marins disse:

      Leia-se “no STF está abaixo do Plenário do STF, mas acima de outras instâncias, dentro da ordem hierárquica::
      I – o Supremo Tribunal Federal; ”
      em LUGAR DE :
      “no STF está abaixo do Plenário do STF, mas acima:
      I – o Supremo Tribunal Federal;”

  6. Marcos Manhães Marins disse:

    JUNHO 2013: nos usaram como massa de manobra. JUNHO 2016: SABEMOS O QUE QUEREMOS! #AMANHÃVAISERMAIOR #FORATEMER #META10MILHÕESDIA10
    https://www.youtube.com/watch?v=sh0My2MdalA

  7. Ivana Bentes disse:

    Sobre Junho de 2013. Achar que o MPL, os movimentos de esquerda, os novos movimentos, a Midia Ninja e as milhares de pessoas que foram para as ruas em Junho de 2013 com pautas decisivas foram “MASSA DE MANOBRAS” é subestimar a autonomia e inteligencia dos muitos. É um pensamento que não consegue se livrar das “centralidades” e não consegue admitir as novas formas de insurgência dos desorganizados. Junho foi disputado por muitos grupos e não é a origem de um golpe arquitetado (golpe arquitetado a partir de pautas das esquerdas?!!!), mas o primeiro sintoma de que nem o governo Dilma e nem as forças conservadoras deram conta das pautas e anseios das esquerdas: mobilidade urbana, crise da representação, etc Junho de 2013 ainda não acabou. Suas pautas estão todas ai, sua linguagem (as ocupações, os escrachos) As ocupações das Escolas pelos secundaristas são filhas de Junho de 2013. A interpretação “medrosa” de Junho como golpe e não como insurgência democrática não se sustenta e atrasa o entendimento da crise atual.

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