Fala o geógrafo preso por lutar pela Reforma Agrária

Valdir Misnerovicz foi preso em 31/5. Polícia de Goiás não o acusa de ato algum, mas simplesmente de “integrar organizaçao criminosa”: o MST

Por Marco Weissheimer, no Sul21

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Ativista em favor de novo modelo agrícola, Valdir Misnerovicz foi preso em 31/5. Polícia de Goiás não o acusa de ato algum, mas simplesmente de “integrar organizaçao criminosa”: o MST

Por Marco Weissheimer, no Sul21

O militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Valdir Misnerovicz, preso dia 31 em Veranópolis, numa operação desencadeada pela Polícia Civil de Goiás articulada com a Polícia do Rio Grande do Sul, sob a acusação de integrar “uma organização criminosa”, gravou um depoimento em vídeo nesta quinta-feira (2/6), em Goiás. Uma comitiva esteve na manhã de quinta-feira no Tribunal de Justiça de Goiás para tratar do caso da prisão de militantes do MST. O grupo se reuniu com o desembargador Ivo Favaro, relator do processo, e contestou a prisão do geógrafo José Valdir Misnerovicz, dia 31, e do agricultor Luiz Batista Borges, no dia 14 de abril, ambos ativistas da reforma agrária.

Representando a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta advertiu para a gravidade das consequências da criminalização do MST. “Uma eventual compreensão do Tribunal no sentido de manter a prisão deles pode fazer com que delegados de polícia, PMs, promotores de Justiça e juízes se empoderem de uma maneira autoritária e comecem a enquadrar qualquer movimento popular como organização criminosa”, afirmou.

Também participaram da comitiva o deputado federal João Daniel (PT-SE), coordenador do núcleo agrário do PT na Câmara; Gilvan Moreira, militante do MST de Goiás; o ex-presidente da OAB nacional, Marcelo Lavenère; o representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Guilherme Antonio Werlang; e os advogados de defesa do MST, Alan Ferreira e Beatriz Vargas.

Após a audiência no Tribunal de Justiça, a comitiva foi visitar Valdir Misnerovicz, na carceragem da Delegacia de Investigação Criminal de Goiânia. No vídeo gravado durante a visita, o geógrafo definiu sua prisão como uma ofensiva de grupos contrários à reforma agrária e fez um apelo para que os demais militantes sigam na luta pela causa. “Eu estou firme aqui. Sei que estamos passando por um momento difícil, mas precisamos superar isto. Precisamos saber superar esses momentos e seguir firmes na luta. A melhor forma da militância que está lá fora me dar força neste momento é seguir lutando. Não podemos recuar. Assim como o apoio e a solidariedade que a gente está recebendo representa a materialização dos valores que fomos construindo e cultivando no movimento. Precisamos ser solidários, principalmente nestes momentos. Eu sou testemunha disso”.

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2 comentários para "Fala o geógrafo preso por lutar pela Reforma Agrária"

  1. luisa disse:

    avante MST!!!

  2. Vagner Fia disse:

    Isso chega ao absurdo. Fora o (des) Governo do Marconi Perillo do PSDB-GO, que teve contas de sua campanha patrocinado pelo contraventor Carlinho Cachoeiras.

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