Arábia Saudita, ultra-conservadorismo e petróleo

Apoiado na riqueza petrolífera, e no apoio político que recebe dos EUA e União Europeia, regime de Riad sustenta redes de fundamentalismo salafita, fortemente ligadas ao terror

Barril Bomba

Barril Bomba

Por Anne Allmeling e Alexandre Schossler, no DW

Quem manda na Arábia Saudita são os sunitas, e a interpretação fundamentalista do Islã pelos wahhabbis, uma corrente sunita geralmente conhecida pelo nome salafista, é, na prática, a religião oficial da Arábia Saudita. A influência dos wahhabbis se estendeu para muito além das fronteiras do reino, apesar de a Arábia Saudita oficialmente coibir correntes extremistas.

“A presença de correntes subestatais é percebida em todos os países da região onde os salafistas estão fortemente representados”, comenta Steinberg. Como exemplo, ele cita o Egito e a Tunísia.

Os wahhabbis também são ativos fora do mundo árabe. “Ao longo das últimas décadas, especialmente desde o início dos anos 1960, os sauditas têm investido muita energia na disseminação dessa doutrina”, afirma Steinberg. “Principalmente em regiões onde eles sabiam que haveria pouca resistência: a África Ocidental, a Ásia Meridional, o Sudeste Asiático, mas também o mundo ocidental e a Europa.”

Na condição de berço do Islã, a Arábia Saudita tem um grande prestígio entre muitos muçulmanos no mundo inteiro. Milhões de peregrinos muçulmanos viajam aos lugares santos de Meca e Medina a cada ano. O rei saudita designa-se guardião das mesquitas sagradas, num claro esforço para sublinhar sua legitimidade perante os muçulmanos.

Espalhar a interpretação saudita do Islã tem a mesma finalidade. Indiretamente, porém, ela contribuiu para um aumento do número de grupos terroristas no Islã, que recrutam seus seguidores quase que exclusivamente das fileiras dos salafistas em regiões como o Magrebe, países da Ásia Central e do Sudeste Asiático – o Afeganistão, por exemplo – e a Península Arábica.

O arqui-inimigo Irã

Na Síria, onde a política é dominada pela minoria dos alauítas, a influência saudita tem sido limitada – também porque a Síria é a mais importante aliada do Irã no mundo árabe. Por isso que não é nenhuma surpresa que a Arábia Saudita apoie os rebeldes em vez do regime do presidente Bashar al-Assad.

Relatos não confirmados sugerem que tanto a Arábia Saudita como o emirado Catar fornecem armas para os opositores de Assad. Isso tem contribuído para intensificar a guerra civil na Síria, reduzindo ainda mais a já pequena chance de uma solução política.

Com isso a Síria se tornou um campo de batalha no conflito regional entre Arábia Saudita e Irã. As tensões religiosas entre os sunitas, dos quais o governo em Riad se vê como representante, e os xiitas, que têm seu centro em Teerã, desempenham um papel cada vez maior no conflito. Assim, a guerra civil na Síria tornou-se também uma guerra de propaganda midiática entre a Arábia Saudita e o Irã, com as influentes emissoras de televisão Al Jazeera e Al Arabiya do lado sunita.

Também a corrida armamentista entre a monarquia do Golfo Pérsico e o Irã já se arrasta há anos. Enquanto Teerã tenta virar uma potência nuclear, a Arábia Saudita aposta na promessa de proteção dos Estados Unidos e na compra de armas no exterior. Também nesse sentido a imensa quantidade de petróleo ajuda o país.

Por ser um importante fornecedor de petróleo e parceiro econômico, a Arábia Saudita não é criticada abertamente pelos Estados Unidos e pela União Europeia. O país localizado no Golfo Pérsico é o único capaz de aumentar a produção de petróleo em questão de dias e, assim, determinar o preço do petróleo mundial.

Enquanto esta situação se mantiver e o dinheiro do petróleo continua a fluir, a Arábia Saudita terá um grande espaço de manobra para exercer a sua influência nos negócios, na política e na religião.

 

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Um comentario para "Arábia Saudita, ultra-conservadorismo e petróleo"

  1. É um dos piores países no trato com as mulheres e violação aos direitos civis, contudo, dinheiro sempre manda e deles ninguém fala…

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