A esperança que vem das universidades públicas

Essenciais para salvar vidas, ventiladores pulmonares poderão ser produzidos rapidamente e a valor 15 vezes menor, com projeto de engenheiros da USP – alvo de cortes constantes no orçamento público. Demanda no país é de 40 mil aparelhos

Por Rede Brasil Atual

Consideradas antro da balbúrdia pelo ministro da Educação Abraham Weintraub – o que justificaria o corte de recursos –, as universidades públicas comprovam mais uma vez o papel de destaque que ocupam na vanguarda científica e tecnológica. E saem na frente em projetos para a manufatura em tempo recorde de respiradores mecânicos a custos bem mais baixos. Esses equipamentos são usados por pacientes em estado grave pelo coronavírus.

Na Escola Politécnica da USP, um projeto em fase avançada vai permitir que empresas credenciadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária montem esses equipamentos ao custo de R$ 1 mil. Um respirador convencional não sai por menos de R$ 15 mil.

Ao Jornal da USP, o engenheiro Raul Gonzales Lima, coordenador do grupo, disse que o projeto, por suas características, vai permitir a construção de “alguns milhares” de ventiladores a partir de três semanas. Com isso, em cinco semanas será possível ter à disposição do Sistema Único de Saúde (SUS) milhares desses equipamentos.

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Embora o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tente convencer a população brasileira de que a pandemia que já matou mais de 33 mil pessoas em todo o mundo – sendo 114 só no Brasil – não passe de uma “gripezinha“, especialistas estimam em 40 mil a demanda por respiradores no final de abril.

Nos laboratórios do Programa de Engenharia Biomédica do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisadores trabalham no projeto o equipamento poderá contribuir para suprir, de maneira emergencial, a crescente busca dos hospitais por esse tipo de equipamento necessário para ajudar pacientes graves a continuar respirando.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, o professor Jurandir Nadal, chefe do Laboratório de Engenharia Pulmonar e Cardiovascular da Coppe, uma versão preliminar do ventilador construída com recursos disponíveis no laboratório apresentou bom resultado em um modelo físico de pulmão, configurado em condições semelhantes aos pacientes acometidos de insuficiência respiratória.

“O ventilador pulmonar em desenvolvimento não pretende ser mais completo e versátil que os ventiladores de última geração disponíveis nas UTIs. Pelo contrário, é um recurso simples e seguro, porém emergencial, que deve ser utilizado somente quando não houver um equipamento padrão disponível, como pode acontecer em alguns locais durante a pandemia global”, disse Nadal ao Estadão.

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