Surto de febre amarela já está pior do que o anterior

Na imagem, o ministro da saúde, Ricardo Barros. Créditos: José Cruz / ABr

Na imagem, o ministro da saúde, Ricardo Barros. Créditos: José Cruz / ABr

Quem diz é o boletim divulgado ontem pelo Ministério da Saúde. Desde julho de 2017, foram confirmados 723 casos e 237 mortes pela doença e…

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FEBRE AMARELA: SURTO ATUAL ESTÁ PIOR DO QUE O ANTERIOR

Quem diz é o boletim divulgado ontem pelo Ministério da Saúde. Desde julho de 2017, foram confirmados 723 casos e 237 mortes e, no mesmo período do ano passado, foram 576 casos e 184 mortes.

A explicação, segundo o Ministério, está no fato de que agora o vírus circula em regiões metropolitanas, com muito mais gente. A população atingida é de 32,3 milhões, contra 8 milhões afetadas no ano passado. Quanto ao número de pessoas vacinadas, o registro é desanimador: a imunização só atingiu 23,2% do público-alvo.

Minas Gerais é o estado mais problemático (314 casos e 103 mortes), seguido por São Paulo (307 casos e 95 mortes) e Rio de Janeiro (96 casos e 38 mortes).

Em vídeo, pesquisadores da Fiocruz mostram quem são os mosquitos que transmitem a doença.

OUTRA FEBRE

E em outro lugar: a Nigéria enfrenta seu pior surto de febre de Lassa, com 72 mortes e 317 casos confirmados. A contaminação se dá basicamente pelo contato com ratos infectados, embora seja possível a transmissão entre pessoas. A matéria da CNN diz que, apesar de a febre ser endêmica da Nigéria, há risco de se espalhar para outros países por causa do aumento da migração.

AINDA MAIS LETAL

A Libélia foi o país mais afetado pelo ebola. Entre 2014 e 2016, foram quase cinco mil mortos. Mas uma pesquisa da Universidade de Washington afirma que os efeitos do surto no sistema de saúde podem ter matado mais do que o vírus em si. Quase 70% da atenção primária à saúde desapareceu durante a epidemia ou imediatamente depois dela; deixaram de ser oferecidas 25 mil vacinas contra tuberculose e 100 mil tratamentos contra malária; e cinco mil partos aconteceram sem assistência especializada.

DIRETO DO TÚNEL DO TEMPO

O Conselho Nacional de Políticas Sobre Drogas (Conad), vinculado ao Ministério da Justiça, aprovou ontem uma resolução polêmica: trocar redução de danos por abstinência é o ponto-chave do texto que, embora não tenha força de lei, deve levar a uma reorientação da Política Nacional sobre Drogas.

A proposta veio do ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, e encontra muita resistência, inclusive no próprio Conselho. “Significa um retrocesso de mais de 20 anos. Reforça o uso da abstinência como única possibilidade de tratamento, desconsiderando o que apregoa a reforma psiquiátrica, que é o recurso à redução de danos”, disse à Agência Brasil a conselheira Fabíola Xavier, que votou contra.

Já as comunidades terapêuticas privadas estão felizes. O texto fala em fomentar sua atuação e em critérios para parcerias com a União.

Falando nisso, também ontem a ONU divulgou o relatório anual da International Narcotics Control Board. No que se refere à América Latina, ele diz que a liberação da maconha pra uso recreativo pode reduzir “a percepção dos riscos associados ao seu uso”. O mesmo documento chama a atenção para a responsabilidade de médicos e da indústria farmacêutica na epidemia de opiáceos nos EUA. Trump quer a pena de morte para traficantes.

OS RELATOS DO PARÁ

Moradores das comunidades atingidas pelo vazamento da mineradora Hydro Alunorte em Bacarena, no Pará, contam ao Brasil de Fato que já percebem problemas de saúde. A matéria lembra que já houve outros crimes ambientais no município e, em 2004, a UFPA concluiu que a água consumida em 26 localidades estava contaminada por metais pesados, como o chumbo.

PRIVADOS

Saiu no IHU on-line uma entrevista interessante com médica sanitarista Ligia Bahia, que estuda muito o sistema privado. Ela fala sobre a decisão do STF de impor aos planos que paguem o calote histórico que eles têm com o SUS, algo que se arrastava há 20 anos e foi resolvido no início do mês passado. Na sua avaliação, a decisão é histórica e, claro, uma vitória, mas ainda há alguns riscos. “Temos que conferir osso, carne e sangue ao sentido da lei, antes que aventureiros anunciem que é impossível ressarcir por esse ou por aquele entrave procedimental”.

O setor privado também está hoje na Carta Capital. O economista Rafael Barbosa escreveu um artigo sobre os planos acessíveis sustentando que não há nenhuma evidência de que a proposta melhora as condições de saúde da população. Segundo ele, as pesquisas existentes apontam justamente que a expansão privada dos planos em sistemas públicos não aumenta o acesso, não reduz gastos nem melhora o tempo de espera nos serviços públicos.

Aproveita o tema – se ainda não tiver visto – e dá uma lida no que o Outra Saúde publicou sobre isso na semana passada.

ROTULAGEM DE ALIMENTOS

Passou batido pra muita gente, mas não para o pessoal do site O Joio e o trigo: na semana passada, uma representante da Anvisa disse na TV Câmara que a agência recebeu um pedido para considerar “fortemente” um modelo francês de rotulagem chamado NutriScore. É um modelo de semáforo, com cores verde, amarela e vermelha para sal, açúcar e gorduras saturadas. Bem diferente do chileno, que apresenta advertências bem claras (e, usado há dois anos, já mostra ótimos resultados) e da proposta brasileira, também na linha da advertência.

A equipe do site foi investigar quem teria feito esse pedido e quais os interesses por trás disso. O resultado está aqui.

O VILÃO NÃO É BEM O BACON, É A INDÚSTRIA

Em uma longa e ótima matéria, o jornal The Guardian parte do medo dos embutidos (que teve um pequeno ‘surto’ quando a OMS anunciou sua relação com o câncer) e chega até o papel da indústria da carne em provocar – conscientemente – o adoecimento das pessoas.

É que o que gera câncer na verdade são certos aditivos, e o efeito deles é conhecido há décadas: nos anos 1970, já se sabia que os nitritos e nitratos usados pela indústria eram carcinogênicos. A jornalista Bee Wilson então voltou no tempo pra entender por que isso nunca foi alardeado antes. Acontece que produzir esse tipo de carne sem os tais nitritos e nitratos leva mais tempo e é muito mais caro, então a indústria se esforçou imensamente pra garantir que eles continuassem sendo usados. Primeiro, tentando ridicularizar os estudos que mostravam o perigo. Depois financiando, ela própria, pesquisas que mostrassem justificativas plausíveis. Assim se chegou ao argumento de que as substâncias evitariam o botulismo, que foi super eficaz (muito embora não houvesse nenhum caso registrado de botulismo associado ao consumo de embutidos feitos à moda antiga…).

ANIMAÇÃO NA CIÊNCIA

Agora dá pra ver o processo que acontece com o DNA na divisão celular. Ele, que fica a maior parte do tempo ‘solto’ dentro das células, na hora da divisão é enrolado e compactado (nos cromossomos) e, então, passado às células filhas. Há tempos se sabia que uma proteína em forma de anel ajudava nisso aí, mas o mecanismo exato não era conhecido. Em janeiro ele foi descoberto e, agora, um grupo de pesquisadores mostrou o processo em vídeos. Uma explicação muito mais completa (nem por isso mais complicada) dessa história e os dois vídeos estão na matéria do Nexo. A animação é especialmente linda.

ÔXE!

Que danado é vigilância em saúde? O diálogo entre um especialista e uma pessoa que não entende nada das vigilâncias deu forma a esse cordel.

Aliás, termina hoje a 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde.

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