Refluxo de leitos, não de doentes

Brasil fechou um terço dos leitos de UTI criados para tratar covid-19. Tendência se acentuou justo quando curvas voltavam a subir

Foto: Fovena Rosa / Agência Brasil

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Um terço dos leitos de UTI criados exclusivamente para tratar a covid-19 já foram desativados no SUS. Com isso, o Brasil passou de 10.228 unidades de tratamento intensivo em julho para 6.941 em dezembro. Segundo a Repórter Brasil, que compilou os dados, essa tendência se acentuou a partir de outubro, justamente quando a curva de infecção voltou a subir em vários estados. Agora, com a segunda onda ou repique da pandemia, o fechamento cobra sua conta. 

Há situações que chamam atenção pela inércia. Entre julho e dezembro não foi criado nenhum leito no Amapá, estado que segue completamente desassistido nessa seara, com nenhuma UTI pública. Há outras em que se destaca a irresponsabilidade. O Rio de Janeiro viu uma diminuição de 82%. “As 609 vagas fechadas seriam suficientes para cobrir os 259 pacientes com covid que, segundo a Secretaria de Saúde do RJ, esperam por tratamento avançado no estado”, destaca a reportagem. Nesse período, o estado que mais perdeu leitos foi o Pará: foi de 290 para 40, uma redução de 86%. Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Paraíba fecharam mais de 50% das vagas de UTI para covid.

Ontem, o Brasil registrou o segundo maior número de casos em 24 horas desde o início da pandemia: 68.437. E isso porque os dados de São Paulo não conseguiram ser incluídos no sistema. Também já estamos há dois dias seguidos com mais de 900 mortes causadas pela doença. 

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