Questões da volta às aulas

Falta de estrutura: No Amazonas, primeiro estado a retomar atividades, retorno às aulas tem uso de testes pouco precisos, com riscos de descontrole da situação

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VOLTA ÀS AULAS

O Amazonas foi o primeiro estado brasileiro a decretar a volta às aulas, que aconteceu no dia 6 de julho para escolas particulares e 10 de agosto para o ensino público. Nesse último caso, o governo tem testado os profissionais da educação. Concluiu que, até agora, 7,6% apresentaram anticorpos para o novo coronavírus, o que dá um total de 162. O resultado fez com que o sindicato dos trabalhadores da educação do estado pedisse o retorno do ensino a distância. Só que tem um problema no jeito como o governo está monitorando os casos – que tem consequências negativas, inclusive, para os próprios professores. 

O Amazonas usa os testes rápidos, ou sorológicos, para monitorar a volta às aulas. Só que esses exames não têm função de diagnóstico da infecção. Podem apresentar anticorpos para o vírus tanto pessoas contaminadas há três meses quanto há duas semanas, por exemplo. É válido para ter uma ideia geral sobre a prevalência, mas não para saber, semana a semana, o que está acontecendo. Para isso, seria necessário testar pelo método RT-PCR. As recomendações são da Anvisa. Como vários estados vão retomar as aulas presenciais em setembro, é preciso acompanhar como os governos vão lidar com essa questão.

Esse tipo de ação pode receber um impulso extra. Ontem, o Senado aprovou por unanimidade o PL 3.896 que autoriza o uso de verbas “excedentes da saúde” e alocadas no MEC no âmbito do orçamento de guerra para financiar o retorno às aulas. O texto prevê o financiamento da realização de testes “moleculares e sorológicos”, embora estabeleça como condicionante que isso aconteça caso haja suspeita da doença. Os recursos poderão ser usados em um conjunto de coisas: adequações de infraestrutura, internet para alunos que não puderem voltar, compra de EPIs e treinamento de profissionais, a contratação de mão-de-obra extraordinária, etc. O PL precisa ser aprovado pela Câmara.

Ontem, vários países da Europa retomaram as aulas presenciais obrigatórias para todas as séries. Algumas diretrizes para o retorno são bem específicas, orientando até quantas vezes e por quantos segundos os alunos deverão lavar as mãos. Também ontem, foi a vez de quase 1,4 milhão de estudantes de Wuhan retomarem a atividade escolar. Em maio, toda a população da metrópole chinesa foi testada.

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