Procurador bolsonarista intimida entidade médica contrária a cloroquina

Sociedade Brasileira de Infectologia publicou orientações não recomendando tratamento precoce de covid-19, por falta de comprovação científica

Este texto faz parte da nossa newsletter do dia 11 de dezembro. Leia a edição inteira.
Para receber a news toda manhã em seu e-mail, de graça, clique aqui.

Tudo começou com o ótimo documento publicado na quarta-feira pela Sociedade Brasileira de Infectologia, com recomendações sobre a covid-19.  Explicitando os estudos em que se baseia, a SBI trata de pontos como diagnóstico e evolução dos pacientes, tratamento precoce e medidas de prevenção. Como não poderia deixar de ser, a entidade diz que não recomenda o tratamento precoce com medicamentos (apenas o uso de analgésicos e antitérmicos), já que não há nenhum com eficácia comprovada para administrar drogas como cloroquina, ivermectina e nitazoxanida.

Isso despertou a atenção do procurador-chefe da República em Goiás, Ailton Benedito de Souza – um bolsonarista explícito que, como lembra o G1já foi indicado pelo presidente para compor a Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Ele assina um ofício em que o MFP de Goiás dá cinco dias para a SBI apresentar “cópias” dos documentos que embasem suas recomendações. E pede ainda que a entidade informe se tem conhecimento da infeliz orientação do Ministério da Saúde sobre o tratamento precoce da covid-19; “em caso positivo, que esclareça se os estudos científicos que a embasam não têm valor científico para a SBI”… A íntegra do ofício foi disponibilizada ela jornalista Luiza Caires, do Jornal da USP. 

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OutrosQuinhentos