Oxigênio em falta

Falta de cilindros é generalizada, informa OMS. Oferta é desigual: em países ricos, hospitais têm o insumo canalizado

Foto: Reprodução / TV Santa Cruz

Este texto faz parte da nossa newsletter do dia 25 de junho. Leia a edição inteira.
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Na segunda-feira, falamos aqui sobre o problema de abastecimento no Peru, onde cilindros de oxigênio estão em falta nos serviços de saúde, o que tem estimulado a formação de um mercado paralelo com preços nas alturas para famílias desesperadas que chegam a desembolsar o equivalente a R$ 7 mil por garrafa do insumo. Pois ontem, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que a situação é generalizada. Principalmente por conta da aceleração da pandemia, que está num ritmo de um milhão de novos casos por semana – o que significa um uso de 88 cilindros grandes por dia. “Atualmente, a demanda está superando a oferta“, concluiu o diretor-geral do organismo, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O alerta foi acompanhado de um anúncio: a OMS comprou 14 mil tanques e planeja enviá-los para 120 países nas próximas semanas. Há no horizonte a possibilidade de uma compra centralizada de nada menos do que 170 mil insumos desses nos próximos seis meses, a um valor total de US$ 100 milhões. Tudo vai depender da evolução da pandemia. Amanhã, devemos chegar aos dez milhões de casos. 

Receber oxigênio por cateter nasal ou, nos casos mais graves, via ventilador pulmonar é um tratamento crucial para a covid-19, já que a doença derruba os níveis deste gás no sangue. E, é claro, também aqui há uma diferença entre países ricos e o resto. Na Europa e na América do Norte, é comum ter oxigênio canalizado nos hospitais. 

“Os hospitais de muitos países com poucos recursos não têm capacidade para produzir oxigênio – e tanques pesados de gás são frequentemente transportados de fábricas a quilômetros de distância ou importados de outros países. Muitos tanques das próprias fábricas de oxigênio dos países de baixa renda também podem conter ferrugem ou produtos químicos que podem danificar os pulmões dos pacientes com coronavírus, pois essas fábricas produzem principalmente o gás para uso na construção ou mineração”, resumiu Paul Molinaro, chefe de logística e suporte operacional da OMS.

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