OMS adverte: indústria do tabaco está de olho nos jovens

Novo relatório do organismo revela estratégias das empresas e riscos de dependência em adolescentes para pedir regulação de dispositivos eletrônicos

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novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tabaco mostra que embora tenha havido um progresso global significativo na redução do consumo dos cigarros convencionais, os dispositivos eletrônicos estão fugindo da regulamentação.

A indústria do tabaco aposta suas fichas nesses produtos – a ponto de, no domingo, o CEO da Philip Morris ter proposto uma moratória para os cigarros convencionais “em alguns países” dentro de dez anos

 O discurso oficial é o de que os dispositivos são voltados para os já fumantes, mas o marketing das empresas tem mirado a renovação do estoque de consumidores. Há no mercado 16 mil sabores para dispositivos eletrônicos, incluindo chiclete, sorvete de baunilha e biscoitos de chocolate… 

Segundo o relatório, nos EUA, um em cada cinco estudantes do ensino médio está usando esses dispositivos atualmente – o que dá um total de 3,6 milhões de jovens fumantes. E os jovens consumidores têm “até três vezes mais probabilidade de usar produtos de tabaco no futuro”.

“Não acredito que de repente você deixe de ser o verdadeiro problema para ser parte da solução“, comentou o diretor do departamento de promoção da saúde da OMS, Ruediger Krech, a respeito da entrevista do CEO da PM.  O organismo defende que os cigarros eletrônicos recebam o mesmo tratamento regulatório que os cigarros tradicionais. 

Hoje, 84 países não regulam os dispositivos eletrônicos de fumar, 32 países proibiram sua venda e 79 adotaram pelo menos uma medida parcial para proibir seu uso em locais públicos, proibir sua publicidade, promoção e patrocínio ou exigir a exibição de advertências de saúde na embalagem.

Estima-se que haja um bilhão de fumantes em todo o mundo, 80% dos quais vivem em países de baixa e média renda. Esse corte se reflete na regulação: quase 80% dos países de alta renda regulam os dispositivos, enquanto três quartos dos de baixa e média renda não o fazem.

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