O tour da variante indiana

Infectado com a B.1.617, brasileiro de 32 anos tem autorização da Anvisa para prosseguir viagem de avião entre SP e Rio

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Depois do Maranhão, São Paulo captou o primeiro caso da B.1.617, variante identificada primeiro na Índia. O paciente tem 32 anos e desembarcou em Guarulhos no sábado, sendo identificado pelo monitoramento da Anvisa. Para embarcar, havia apresentado teste PCR com resultado negativo, mas procurou as autoridades sanitárias após sentir um mal-estar. O resultado do sequenciamento genômico saiu ontem.

Mas a história não acaba aí. Acontece que não há quarentena obrigatória para quem entra no Brasil, então aconteceu o seguinte: o homem fez um teste PCR no próprio aeroporto, mas foi autorizado a embarcar para o Rio antes de o resultado sair. Viajou na noite do próprio sábado e se hospedou na capital fluminense em um hotel próximo ao Santos Dummont. No domingo, foi de carro para Campos, cidade no norte do estado. Na segunda, voltou para a capital, onde permaneceu hospedado no hotel, “em isolamento” (muitas aspas aqui).

O caso gerou um embate entre a secretaria de Saúde de São Paulo e a Anvisa. A secretaria diz que só foi informada pela agência sobre o caso positivo no domingo, quando o homem já havia deixado o estado. Já a Anvisa diz que a entrada do paciente em solo brasileiro estava legalmente autorizada, por conta do PCR negativo que ele apresentou; e ainda que ele preencheu um termo de responsabilidade assumindo compromisso de cumprir a quarentena. 

Os passageiros que tiveram contato com ele no voo para o Rio foram “orientados” a fazer quarentena também. 

O tour do paciente aconteceu a despeito dos anúncios das autoridades brasileiras de que se esforçariam para detectar e isolar essa variante (o que não foi feito para a P.1, por exemplo). E isso aconteceu há menos de uma semana do caso identificado no Maranhão. Por aqui, continuamos sem muitas dúvidas de que a B.167 já havia entrado no país, totalmente desapercebida.

O Ministério da Saúde informou ontem que há mais três casos suspeitos sendo monitorados, em Minas Gerais e no Pará. 

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