O outro lado

Israel já vacinou quase um terço dos habitantes, mas palestinos dos territórios ocupados e da Faixa de Gaza não estão no plano de imunização

Foto: Nir Keidar / Agência Anadolu

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O mundo tem assistido meio bestificado à rapidez da vacinação em Israel, que já conseguiu dar a primeira dose da vacina da Pfizer a mais de 30% da população. A maioria dos idosos já recebeu a sua. Uma reportagem do Financial Times traduzida pelo Valor aponta os motivos que tornaram essa velocidade possível. O país já tem mais doses de vacinas do que pretende usar, e essa compra foi azeitada por 17 conversas entre Albert Boula, o presidente-executivo da Pfizer, Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, e Yuli Edelstein, ministro da Saúde. Uma concessão importante feita à Pfizer (que outros países talvez hesitassem em aceitar) é que os dados de todas as pessoas imunizadas são compartilhados, ocultando as identidades, diretamente com a farmacêutica. O acordo não foi integralmente divulgado.

Novos lotes do imunizante chegam toda semana; em março, quando as doses da Moderna e da AstraZeneca começarem a chegar, o governo planeja que a maior parte da população adulta já esteja imunizada. Vai sobrar vacina, mas Edelstein diz que ainda não sabe o que vai fazer com o resto. 

Mas há uma questão importante que o governo está deliberadamente deixando de lado: o futuro dos quase cinco milhões de palestinos que vivem nos territórios ocupados e na Faixa de Gaza. “O fato de os palestinos estarem em uma situação ruim agora não é do interesse de Israel“, disse o ministro da Saúde. Essas pessoas permanecem excluídas do plano de imunização. À BBC, Edelstein disse que Israel até tem “interesse” em vacinar os palestinos, mas nenhuma “obrigação legal” de fazê-lo.

Essa política tem sido classificada como ‘apartheid’ por críticos. “Moral e legalmente, esse acesso diferenciado aos cuidados de saúde necessários em meio à pior crise global de saúde em um século é inaceitável”, aponta o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. 

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