Pelo bolso

Estudo de modelagem aponta impactos econômicos para países ricos caso vacinação não chegue a todo o mundo

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Um estudo de modelagem divulgado ontem pela OMS tenta colocar sob outro prisma a necessidade de garantir ao mundo inteiro a vacinação contra covid-19. Em vez de argumentos caritativos, a pesquisa trata dos impactos econômicos que os países ricos devem sofrer caso não se preocupem com isso. 

Se tudo continuar como está – com os países em desenvolvimento patinando em um número reduzido ou ainda inexistente de doses –, as economias avançadas podem ter perdas de quase US$ 5 trilhões. Sairia mais barato o investimento para que as vacinas chegassem a mais gente: o custo total para o financiamento do ACT (o acelerador de acesso a ferramentas contra a covid-19, do qual faz a Covax Facitily faz parte), é de US$ 38 bilhões. 

As perdas se explicam pelo fato de as economia serem interligadas: os pesquisadores analisaram as redes de produção e comércio de 65 países em 35 setores e viram que, nos que são gravemente afetados pelo vírus, cai a capacidade de produção de bens que são exportados aos países ricos, assim como a demanda pelos produtos vendidos por estes. Quanto pior o acesso aos imunizantes, pior o prejuízo para nações ricas. “Na verdade, ninguém está a salvo até que todos estejam a salvo”, resumiu o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus. No caso do Brasil, a conta pode chegar a US$ 336 bilhões.

Hoje, 44% dos países ainda não viram nem a cor de uma vacina contra a covid-19. O problema está ilustrado na seção =igualdades, da Piauí. Na África, só o Egito já conseguiu começar sua campanha. A Guiné recebeu até agora 25 doses (você não leu errado: são mesmo só 25 unidades). Em alguns lugares, as pessoas podem ter que esperar no mínimo até 2022 pelo acesso. Um agravente nisso tudo é que, quanto mais uma população demora para ser vacinada, maiores as chances de os vírus circulando originarem novas variantes – que podem, por exemplo, ser menos sujeitas à proteção das vacinas. A rapidez é fundamental para que não se crie uma bola de neve. 

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