A pandemia será a derrocada de Bolsonaro?

Nos panelaços de ontem, a revolta frente um governo letárgico. Leia também: Pacote de Guedes propõe remuneração irrisória a informais e dá carta branca para empresas reduzirem salários. Itália bate recorde de mortes em um único dia

Por Maíra Mathias e Raquel Torres

MAIS:
Esta é a edição do dia 19 de março da nossa newsletter diária: um resumo interpretado das principais notícias sobre saúde do dia. Para recebê-la toda manhã em seu e-mail, é só clicar aqui. Não custa nada.

CORONAVÍRUS COMEÇA A DOBRAR O GOVERNO

É insuficiente, mas também era impensável uma semana atrás: Paulo Guedes anunciou ontem mais medidas endereçadas à crise econômica e social provocada pela epidemia de coronavírus no Brasil. E, entre elas, há finalmente algo voltado para os 38 milhões de brasileiros que atuam no mercado de trabalho informal. O ministro da Economia, um neoliberal empedernido, não abandonou seu linguajar importado de Chicago e disse que o governo vai distribuir vouchers de R$ 200 mensais por até três meses para essa população.

O valor, óbvio, é irrisório. Guedes garante que dá para comprar duas cestas básicas com esse dinheiro – mas em cidades caras como o Rio de Janeiro é de se duvidar. O PSOL, por exemplo, apresentou na Câmara dos Deputados proposta para que os brasileiros na informalidade tenham direito a um salário mínimo num programa de renda básica emergencial. A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e outras entidades defendem, em carta ao presidente Jair Bolsonaro publicada ontem, que o governo isente consumidores das taxas de água e luz, forneça alimentos e produtos de higiene gratuitamente, dentre outras medidas que aliviariam o bolso das pessoas. E, como já dissemos por aqui, até economistas de viés clássico têm defendido a renda básica universal. Mas o fato é que R$ 200 podem virar pelo menos meio salário mínimo (R$ 519,50), dependendo da pressão social. E três meses podem se estender por mais tempo, dependendo do desenrolar da epidemia e da convulsão da economia. 

Isso porque, como bem lembra o sociólogo do trabalho Rui Braga “esses que dependem das vias públicas para ganhar a vida não têm como ir para casa”. Essa realidade, que finalmente explode na cara de todo mundo porque vira problema de saúde pública que pode prejudicar o andar de cima, dá o que pensar. “O horizonte de integração social via trabalho e direitos está se esfacelando. Temos uma parcela enorme da juventude exposta aos riscos desse modelo autoempreendedor popular sem uma formação profissional. Isso pode construir um mercado bastante desregulado, e até selvagem, mas não constrói um país, segregando as pessoas do acesso a direitos básicos, como a aposentadoria”, complementou em entrevista à DW.

Com os trabalhadores celetistas o governo não deu nem meio passo à frente: resolveu depreciar a renda desses 39 milhões de brasileiros, acenando com autorização de cortes de salários e jornadas de até 50% “mediante negociação individual com o trabalhador”. Piada criticada por vários especialistas por deixar as pessoas sem poder de barganha, já que escanteia os sindicatos. Os trabalhadores, obrigados a ficar em quarentena ou isolamento domiciliar por recomendação das autoridades públicas, poderão ter suas férias individuais concedidas no período. As férias coletivas poderão ser decretadas pela empresa com apenas 48 horas de antecedência. E os feriados em datas não religiosas poderão ser antecipados para que o trabalho siga sem essas pausas depois. Os empresários poderão deixar de recolher o FGTS no período, e compensar essa lacuna depois. Na visão de Guedes, tudo isso preserva empregos.  

“Não sei se faz sentido implementar esse tipo de medida agora. Ao que tudo indica o estado de calamidade pública está prestes a ser decretado. Com esse decreto, o governo vai poder exceder os limites estabelecidos pelo teto dos gastos e também os limites da lei de responsabilidade fiscal. Isso deve abrir espaço fiscal para o governo tentar ajudar essas empresas a não demitir“, contrapôs Bruno Ottoni, da consultoria IDados, ouvido pelo Estadão, se referindo à aprovação pela Câmara – que aconteceu também ontem – do decreto de calamidade pública que permitirá que o governo federal gaste mais com ações de enfrentamento ao coronavírus

Uma projeção de Débora Freire, da UFMG, mostra que a renda dos brasileiros que ganham entre 0 e 2 salários mínimos terá um impacto negativo de pelo menos 20%. E lembra: “Uma retração no consumo dessas famílias gera um impacto muito pronunciado no PIB. (…) São muitas pessoas e são famílias que consomem a maior parte da renda”.

CURTO-CIRCUITO

O fato é que, como alertam muitos, os efeitos da crise podem ser mais duradouros do que a epidemia. O JPMorgan e o Goldman Sachs projetam uma retração do PIB brasileiro na casa de -1% neste ano. No segundo trimestre, economia poderia sofrer uma retração de -10%.

O avanço da crise fez o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduzir a taxa Selic de 4,25% para 3,75% ao ano. No comunicado, o BC projetou queda no preço das commodities e aumento da volatilidade nos mercados: “Nesse contexto, apesar da provisão adicional de estímulo monetário pelas principais economias, o ambiente para as economias emergentes tornou-se desafiador”.

E ontem, o dólar superou a marca dos R$ 5,25 durante o pregão. A cotação da moeda fechou a R$ 5,20. O turismo está a R$ 5,37 na venda. Em algumas casas de câmbio, a moeda chega a ser vendida acima de R$ 5,45.

O BATER DAS PANELAS

As panelas cantaram de novo ontem – e muito –, incluindo em bairros ricos e de classe média que, nas últimas eleições, votaram massivamente em Jair Bolsonaro. Um dos gritos ouvidos? “Dólar a R$ 5,20!”… Assim, até para as madames, fica difícil sonhar em ir pra Disney quando a pandemia acabar. Bela Megale, colunista de O Globo, conta que moradores que há três meses saíram de seus apartamentos em um prédio em Brasília para tietar Bolsonaro ontem participaram ativamente do panelaço.

O protesto contra o presidente, marcado nas redes sociais para 20h30, foi antecipado em vários locais do país, puxados pelo pronunciamento de Bolsonaro, que anunciou medidas contra a Covid-19 – justamente o estopim de toda essa revolta. Segundo a startup de tecnologia Arquimedes, as menções negativas a Bolsonaro ultrapassaram 80% quando o assunto era o novo coronavírus. O levantamento analisou mais de 260 mil tweets entre segunda e terça-feira e apontou ainda que o principal assunto da rede nesses dias foi a reprovação à participação de Bolsonaro no ato do dia 15. Ontem, as pessoas gritaram “Fora” e “Acabou”, em apoio ao impeachment do presidente. Aliás, um segundo pedido foi apresentado ao Congresso, desta vez pelo PSOL.

Além das panelas, os projetores tiveram destaque em várias cidades. Em Porto Alegre, conta a Folha, uma projeção alternava mensagens em defesa do Sistema Único de Saúde – como “defender o SUS é defender nossas vidas” – com imagens de Bolsonaro usando máscara descartável durante coletiva de imprensa concedida ontem.


O FIASCO DA COLETIVA

Nem bem terminou a entrevista de Jair Bolsonaro e ministros ontem e as piadas sobre o uso desastroso das máscaras de proteção já ganhavam as redes. Depois, obviamente, o mesmo tema apareceu em reportagens, inclusive no Jornal Nacional.

Fora isso, depois de muito tempo minimizando o perigo, o presidente enfim se disse preocupado com a Covid-19 no Brasil – mas sem “histeria” – e afirmou que os cuidados devem ser redobrados. Boa parte do seu tempo de fala foi para justificar a irresponsável ida ao ato do último domingo; além de dizer que não estava infectado na ocasião, ele repetiu inúmeros elogios ao Congresso Nacional e ao Supremo…

Bolsonaro ainda informou duas vezes que às 21h haveria um panelaço em seu favor, logo após o das 20h30, que seria contrário. O tiro saiu pela culatra, com uma evidente derrota nas panelas. “Repetiu o erro do Collor”, disse o deputado Alessandro Molon (RJ), líder do PSB na Câmara, referindo-se a quando o ex-presidente convocou o povo a sair às ruas a seu favor – e aconteceu o oposto.

NADA DIPLOMÁTICO

Ontem Eduardo Bolsonaro decidiu tuitar que a culpa pela pandemia é da China. Em resposta, a conta oficial da embaixada chinesa postou que o deputado “contraiu um vírus mental” em Miami… “A parte chinesa repudia veementemente as suas palavras, e exige que as retire imediatamente e peça uma desculpa ao povo chinês. Vou protestar e manifestar a nossa indignação junto ao Itamaraty e a Câmara dos Deputados”, acrescentou o embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming.

Na coletiva de imprensa, o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta agradeceu à China por ajudar no envio de equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas.

Falando em equipamentos, hospitais privados enviaram um ofício a Paulo Guedes alertando que podem ficar sem máscaras, luvas e álcool em gel em menos de dois meses. Segundo a colunista Monica Bergamo, da Folha, eles sugerem medidas como a liberação de cargas aduaneiras dos materiais importados e avaliação de alternativas no mercado nacional.

POSITIVO

O presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP) está com a Covid-19. Com isso, ele se tornou o primeiro chefe de poder no Brasil a ser infectado. Ele esteve com várias autoridades essa semana, incluindo sete ministros do STF e o ministro da Saúde Luiz Mandetta. Segundo sua assessoria, Alcolumbre “está bem, sem sintomas severos, salvo alguma indisposição, e segue em isolamento domiciliar, conforme determina o protocolo de conduta do Ministério da Saúde e a OMS”.

Engrossando a lista das autoridades infectadas estão ainda o ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) e o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o general Augusto Heleno, que se reuniu com Bolsonaro e mais 16 pessoas no Planalto antes da confirmação

EM QUASE TODA PARTE

Subiu para quatro o número de mortes confirmadas no Brasil, todas em São Paulo. Somando os balanços das secretarias estaduais de saúde, já são 529 infectados em 20 estados e no Distrito Federal. Paraíba, Tocantins e Pará registraram seus primeiros casos. O número oficial do Ministério da Saúde, que tem sempre uma defasagem, é de 428 casos ao todo.

AMEAÇA SEM PRECEDENTES

Ao redor do mundo já são mais de quase 210 mil casos confirmados e oito mil mortes, com 80% das infecções concentradas por enquanto na Europa e na região do Pacífico Ocidental. A Europa já superou a Ásia em óbitos: 4.112 contra os 3.384. O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, afirmou ontem que o Covid-19 é “inimigo da humanidade” e uma “ameaça sem precedentes”.

Boa notícia: pela primeira vez, a China passou 24 horas sem registrar nenhum caso de transmissão local do vírus. Mas nem tudo são flores, como nota a reportagem do New York Times, reproduzida na Folha. Pelo contrário: no mesmo período foram registrados 34 casos entre pessoas que chegaram de outros países, “o  que mostra como será difícil para a China ou qualquer país manter o coronavírus longe”.

O CAOS ITALIANO

A Itália já tem 2.978 mil mortes, e registrou ontem 475 em 24 horas. É o maior número de óbitos em um único dia até agora, incluindo a epidemia na China. A província mais afetada é Bergamo, com 4,3 mil dos quase 29 mil casos no país. Por lá, o número de infectados dobrou e o número de mortos triplicou em quatro dias. O prefeito conversou com o Der Spiegel. “Nós poderíamos ter reagido mais rápido“, disse. “No começo, ainda pensávamos que algumas precauções e regras de conduta poderiam ser suficientes. Que seria possível continuar uma rotina diária relativamente normal se a vida pública fosse apenas parcialmente restrita e a distância mínima de um metro fosse observada. Mas, depois de alguns dias, entendemos que não seria suficiente. Temos que ser muito mais duros”.

Ele comentou ainda sobre o dramático dilema relatado na Itália, quando não há aparelhos para todos os doentes e os profissionais precisam escolher quem morre: “Conheço alguns pacientes que tiveram condições complicadas e deixaram de ter acesso a ventiladores para que os dispositivos pudessem ser usados ​​por outras pessoas infectadas. Infelizmente, isso aconteceu em vários lugares da Lombardia. Mas não acredito que essa seja a norma”.

O CORDÃO DOS INSENSATOS

A  bancada da Bíblia no Congresso Nacional divulgou ontem uma nota pedindo a reabertura de templos Brasil afora, argumentando que o país precisa de orações para enfrentar a “pandemia maligna”. Contrariando a recomendação de que não haja aglomerações de pessoas, o líder da Assembleia de Deus, Silas Malafaia, postou um vídeo insistindo em manter o número de cultos. Para ele, a igreja é “tão importante quanto as medidas contra” o coronavírus.

É sempre bom lembrar que na Coreia do Sul mais de 60% dos 8,1 mil casos de Covid-19 estão vinculados a uma igreja, a Shincheonji. E mesmo o país tendo conseguido reduzir drasticamente o número de novos casos, ainda enfrenta dificuldades nesse departamento: no início da semana, havia mais um foco da doença relacionada a uma igreja no sul de Seul. O problema é enfrentado neste momento também nos Estados Unidos, onde comunidades judaicas ortodoxas se recusam a interromper suas congregações em Nova Iorque.

Enquanto isso, o Ministério Público de São Paulo emitiu uma recomendação administrativa para o governo estadual e a Prefeitura da capital com recomendações para decretos com fechamento igrejas, bares e centros comerciais, prevendo sanções para descumprimento.

NÃO É SAGRADO

Há uma preocupação em relação à disponibilidade de equipamentos cruciais para o tratamento dos casos mais graves da Covid-19, como os respiradores. De acordo com o Ministério da Saúde, há 65.411 equipamentos do gênero, se somados no SUS e na rede privada. O governo havia anunciado a proibição da exportação desses produtos. E, ontem, o Ministério da Economia zerou a alíquota do Imposto de Importação para 50 produtos médicos e hospitalares, entre eles os respiradores. 

Mas não está fácil importar os produtos, já que mais de uma centena de países estão precisando deles agora. Nesse sentido, os EUA foram mais longe: ontem, o presidente Donald Trump anunciou que vai recorrer a uma lei aprovada durante a guerra contra a Coreia, nos anos 1950, para obrigar a indústria norte-americana a produzir equipamentos cruciais para o enfrentamento da doença, como respiradores e ventiladores.

Indo na mesma direção, em Portugal, o decreto presidencial que institui estado de emergência nacional e começou a valer ontem limita direitos de propriedade privada. As autoridades públicas poderão requisitar serviços, assim como o uso de bens móveis ou imóveis “de unidades de prestação de cuidados de saúde, de estabelecimentos comerciais e industriais, de empresas e de outras unidades produtivas”. O decreto também abre a possibilidade de o governo determinar “a obrigatoriedade de abertura, laboração ou funcionamento de empresas”, o que permite estabelecer limitações ou modificações à produção. Assim, uma empresa poderá ter limites a sua produção ou obrigação de produzir determinado produto ou quantidade e um estabelecimento comercial tanto pode ser obrigado a fechar como a abrir.

COVID-19 PARA PRESOS

Duas portarias editadas ontem sugerem medidas para evitar a proliferação do coronavírus nos presídios. A maioria das unidades tem superlotação – e é difícil imaginar a possibilidade de isolar infectados ou casos suspeitos em celas individuais. A sugestão nesse caso é… colocar cortinas e uma marcação no chão delimitando a distância mínima de dois metros. Deve haver ainda lenços de papel e disponibilidade de água e sabão. Só casos graves devem ser encaminhados ao hospital.

PREOCUPAÇÃO EXTRA

O caso confirmado de Covid-19 no Pará ontem não era o único em investigação, e as comunidades tradicionais da floresta amazônica estão em alerta segundo a reportagem de Fernanda Wenzel no Intercept. Dois funcionários de uma mineradora estão em isolamento domiciliar numa região onde há 11 terras quilombolas às marges do rio Trombetas, reunindo 19 mil pessoas. “O que mais me preocupa é que a nossa comunidade é vizinha de Porto Trombetas, e ali é uma cidade de um pessoal que não é daqui. É tudo gente de fora que fica viajando direto, vai e vem, vai e vem”, diz Amarildo Santos de Jesus, morador da Terra Quilombola Boa Vista, a mais próxima da mineradora e onde vivem 155 famílias.

A saúde indígena também deve ser uma preocupação, e ainda na segunda-feira, uma matéria do Mongabay chamou a atenção para isso. Com alta prevalência de condições como desnutrição, anemia e diabetes, e com serviços de saúde escassos, povos indígenas são considerados populações de alto risco. Mas, até agora, nos pacotes de medidas dos governos da região, não é mencionado como os países pretendem atendê-los. “Não temos dados sobre o que aconteceu em áreas indígenas do Peru com as pandemias anteriores. No caso do H1N1 [influenza A], os dados dos Estados Unidos, Austrália e Canadá mostram que as taxas de mortalidade de povos indígenas foram três a sete vezes maiores em comparação aos não-indígenas”, diz o pesquisador da Unidad de Ciudadanía Intercultural y Salud Indígena da Universidad Peruana Cayetano Heredia.

Na Austrália, comunidades aborígenes estão se mobilizando para exigir medidas de proteção, como a implementação de serviços de testagem e a identificação de locais apropriados para o isolamento de infectados.

PERDIDOS

Pelo menos 105 imigrantes haitianos estão vagando pelas ruas de Assis Brasil, uma pequena cidade do Acre – e o número deve aumentar. Segundo a BBC, a cidade é rota tradicional para a entrada e saída de pessoas, e os haitianos estavam deixando o Brasil rumo ao Peru e à Bolívia. Ficaram presos devido ao fechamento de fronteiras, e a maior parte já está sem dinheiro ou comida.

AS CRIANÇAS TAMBÉM

Já está disseminada a preocupação em proteger crianças pelo fato de elas serem potenciais disseminadoras do Covid-19, apesar de pouco afetadas pela doença. Mas um sinal vermelho se acendeu depois que o diretor-geral da OMS disse em entrevista que elas também correm perigo. E, ontem um estudo publicado ontem no Pediatrics confirma que há riscos. Pequenos, mas há.

Os pesquisadores analisaram mais de duas mil pessoas menores de 18 anos que ficaram doentes na China. Cerca de 4% delas não apresentaram sintomas; metade teve sintomas leves, como febre e tosse; Cerca de 39% ficaram moderadamente doenças, com pneumonia ou outros problemas pulmonares, mas sem falta de ar; e cerca de 6% desenvolveram sintomas muito graves. Um menino de 14 anos com infecção confirmada por coronavírus morreu. Dividindo por idades, os cientistas viram que mais de 60% das crianças que ficaram gravemente doentes tinham cinco anos ou menos, e 32% eram bebês de menos de um ano.

NO AR E NAS SUPERFÍCIES

Há semanas as pessoas se perguntam por quanto tempo o SARS-Cov-2 permanece infeccioso em superfícies, e ontem um estudo publicado no New England Journal of Medicine trouxe notícias não muito boas sobre isso. Quando alguém tosse ou espirra e o vírus é transportado por gotículas, ele fica suspenso no ar e consegue infectar outras pessoas por três horas. Mas, em plástico ou aço inoxidável, ele continua infeccioso após três dias. No papelão, dura 24 horas. Mas, ao longo desse tempo, vai perdendo a função gradativamente. Ou seja: sigam lavando as mãos.

MAIS:
Esta é a edição do dia 19 de março da nossa newsletter diária: um resumo interpretado das principais notícias sobre saúde do dia. Para recebê-la toda manhã em seu e-mail, é só clicar aqui. Não custa nada.

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OutrosQuinhentos

Leia Também: