Longo caminho

Vacinação contra a covid-19 já começou em mais de 40 países, a maioria desenvolvidos. Mas resultados nas curvas de infecções e mortes vão demorar a aparecer

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O início da vacinação em pelo menos 42 países – sendo que 36 deles são desenvolvidos – mostra na prática algo que já sabíamos na teoria: que ele não é nenhuma panaceia. O Reino Unido, primeiro país do ocidente a começar a imunização, é o que vacinou mais gente na Europa até agora (são cerca de 200 mil pessoas por dia). Mas está batendo recorde atrás de recorde de novos casos e mortes, com os hospitais abarrotados e em risco de colapso.

Tudo é lento. Nos Estados Unidos, 21,4 milhões de doses foram enviadas a hospitais e departamentos de saúde no último mês, mas só 5,9 milhões foram aplicadas por conta de dificuldades na distribuição. “O governo federal diz que a responsabilidade de distribuir a vacina é de cada Estado, mas autoridades estaduais e locais reclamam que precisam de mais apoio e não têm estrutura, mão de obra ou recursos financeiros para desempenhar a tarefa, especialmente quando já estão sobrecarregadas com casos e hospitalizações por covid-19″, explica a matéria da BBC. Em alguns lugares, doses estão sendo oferecidas a pessoas aleatórias, fora dos grupos prioritários, para evitar que as vacinas acabem no lixo. Na semana passada, o país registrou mais de quatro mil mortes em um único dia. 

Segundo a OMS, não houve ainda nenhum impacto na curva do avanço da doença pelo mundo e, mesmo se tudo der certo, os resultados mais profundos devem demorar pelo menos seis meses para aparecer. No Brasil, o diretor do Instituto Butantan Dimas Covas estima que a queda nos casos e mortes seja sentida a partir de abril, se a vacinação se iniciar agora em janeiro.

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